Fotografia
Bambuzal no Jardim Botânico, Rio de Janeiro, 1890.
Findo o sonho do mundial, fica o registro melancólico: se o jogo é ruim e seu time perde, difícil escrever uma crônica sobre tão infausto acontecimento.
Faltam jogadores ao Palmeiras com a qualidade exigida para disputa daquela envergadura. A exceção evidente é a do goleiro, pois Weverton é hoje o melhor do Brasil. Não fosse a atuação dele o placar de ontem teria se alargado.
A zaga do time é fraquíssima; dos laterais, salva-se o chileno Viñas, que sabe defender e atacar. Os volantes, crias da casa, são bons, mas lhes falta experiência para jogos de decisão. Dois armadores são bons, nada brilhantes. E os atacantes inexistem. Depender de um ponta de inteligência limítrofe não pode levar a bons resultados.
Aquele que acompanhou o Palmeiras na última temporada acostumou-se com a irregularidade do time; faz um grande jogo, a torcida se empolga, e em seguida vem a derrota inexplicável, muitas vezes de virada no segundo tempo. (Quando o jogo é de decisão a coisa piora muito.)
Inexplicável? Não, faltam jogadores, falta um padrão de jogo. O novo técnico parece bom, jeitoso no trato com os comandados, bem educado. Precisa de mais tempo para trabalhar o time, além de contratações de peso, caso não se bandeie logo para a Europa. Os lusitanos estão em alta.
Resta o consolo: ganhamos a Libertadores, o que não é pouco.
Minha mulher percebeu meu abatimento depois do jogo e perguntou, Por que você, nessa idade, ainda perde tempo com futebol? Porque não se pode e nem se deve apagar a infância, respondi.
Há uma certa escatologia no caso que passo a contar; peço perdão aos mais sensíveis, mas não posso deixar de fazê-lo, tão apropriado serve como introdução à charge de Alexandra Moraes publicada hoje na Folha de S. Paulo (6 fev 2021), que aqui reproduzo.
João sofreu bulling durante todo o tempo de estudante, até mesmo quando alcançou a idade adulta. O problema era seu nome: João Bosta.
Pouco antes de se casar, resolveu que mudaria de nome, para que seus filhos não sofressem o que João sofreu.
Juntou certidões, documentos, pagou as taxas devidas, rumou para o cartório. Sentou-se em frente ao tabelião, explicou a situação, desejava mudar de nome. Penalizado pelas agruras do homem, o funcionário foi direto ao ponto:
– Então João, que nome deseja assumir?
– Pedro Bosta.
A foto do dia
Múmia de 2 mil anos com adorno de ouro
em formato de língua para se comunicar com o
deus dos mortos
Foto: Ministério de Antiguidades do Egito/ AFP
Meus quadros favoritos
Vista de Delft
Johannes Vermeer (1632-1675)
No céu azul claro que recobre a planura dos países Baixos surge a nuvem carregada a ameaçar chuva. O pintor monta rapidamente seu cavalete e capta as nuances de luz tanto no céu como na cidade de Delft.
No primeiro plano da pintura, onde vemos duas mulheres, o sol está pleno, a refletir na areia. Já na outra margem do canal a sombra é espessa, a toldar as construções e alguns barcos ali ancorados. No terceiro plano o sol torna a iluminar a parede amarela das casas e uma torre de igreja em Delft.
A ideia revolucionária dos impressionistas era captar a imagem do momento, particularmente a luz do exato instante. Vermeer fez o mesmo 200 anos antes!
Meus quadros preferidos
Pintor britânico de naturezas-mortas, paisagens e retratos. Ilustrador, autor de livros para crianças.
(Fico imaginando, apenas imaginando, que William era um bom leitor e amante dos livros. Só assim se justifica essa pilha de livros usados.)
– Você que é terraplanista, também acredita em geração espontânea?
– Claro que sim! De onde vem o bicho-da-goiaba?