terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

Casas em La Ferté-sous-Juarre

 Meus quadros favoritos


Roger de La Fresnaye

 

 

Roger de La Fresnaye foi um pintor cubista francês.

 

Nascimento: 11 de julho de 1885, Le Mans, França

Falecimento: 27 de novembro de 1925, Grasse, França

Períodos: Cubismo, Arte moderna, Expressionismo, Seção de Ouro, Simbolismo

 

https://pt.wikipedia.org/wiki/Roger_de_La_Fresnaye

domingo, 31 de janeiro de 2021

trópicos



 

casas brasileiras

bananeiras no quintal

a vida nos trópicos


Foto: AVianna, fev 2021, quintal de casa

Palmeiras: Campeão da Libertadores 2020



 

Aqueles menos afeitos às manhas do futebol dirão, Que jogo feio!

            Feia mesmo a decisão da Libertadores da América ocorrida ontem no emblemático Maracanã entre Palmeiras e Santos. Mas só podia ser feia; esta é uma característica quase que infalível de toda decisão de campeonato ou até mesmo de Copa do Mundo, o jogo amarrado, truncado por sucessivas faltas, bruto, mas nem tão bruto que acarrete expulsão de jogadores, com predomínio das estratégias sobre o jogo aberto, franco, bonito de se ver. Antes de vencer, não se pode perder. O que conta é o resultado! Passado algum tempo, ninguém mais dirá que o jogo foi bonito ou feio, mas todos se lembrarão que o Palmeiras venceu, com todos os méritos, a Libertadores de 2020.

            (Na Copa de 1970 o jogo entre Brasil e Inglaterra era um divisor de águas; quem ganhasse teria grande chance de ser campeão. Jogo duríssimo, amarrado no meio de campo, pouca criatividade, embora o jogadores fossem de alto nível, lances ríspidos – o tal jogo feio. Em dia memorável, o Brasil venceu por 1 a 0 e acabou levando o caneco! Em minha opinião, essa foi a disputa que mais bem ilustra a ‘feiura de uma decisão’.)

            Na comparação individual entre os jogadores de ambas as equipes, o Palmeiras entrou em campo ontem com time mais bem qualificado. Isso pouco ou nada importa em uma decisão. Agora, a garra com que os times entram em campo, isso importa muito. Penso que o Palmeiras jogou com mais vontade de vencer. (Marinho, grande artilheiro do Santos, considerado o melhor jogador desta Libertadores e que poderia decidir a partida, sumiu em campo, bem marcado pela defesa alviverde.)

            Final de campeonato é decidido quase sempre no detalhe – este é mesmo um dos jargões do futebol. O jogo de ontem entrava nos acréscimos quando o técnico do Santos, homem experiente, segurou a bola na lateral do campo, retardando a cobrança pelo adversário. Marcos Rocha, lateral do Palmeiras, reagiu, criou-se tumulto, Cuca acabou expulso, o que aparentemente tirou a concentração dos jogadores do Santos. Cobrado o lateral logo em seguida, Rony centrou com improvável perfeição a bola para a área do Santos e encontrou o mais improvável ainda Breno Lopes bem colocado, que desferiu belíssima cabeçada, encobrindo o goleiro John Victor, dando o título ao Palmeiras. Um a zero em decisão de Libertadores é goleada!

            Aos afeitos às manhas do futebol, decisão é jogo de xadrez. Ontem tivemos um  lindo jogo, porque meu time venceu! 

            

pequizeiro




esparrama-se
na manhã de céu azul
belo pequizeiro

sábado, 30 de janeiro de 2021

Libertadores

 

Angustiado, poucas horas antes da decisão, ele atinou: 

– Por quê  tanto sofrimento?

Então foi ao cinema.

Ingredientes

Charge do dia 



Alexandra Moraes para a Folha de S.Paulo


Xuxa

Fotografia


 Xuxa mais bonita do que nunca

Bachiana brasileira n. 1 para 8 cellos

 

Ao final da vida são tantas as coisas para as quais não tenho competência que só me resta lamentar. E de que serve lamentar?

            Uma delas é não tocar um instrumento. Ouço música erudita desde a infância, por influência materna. Meu pai estudou piano; a mãe tocava harmônica – sanfona mesmo. Os filhos não receberam qualquer estímulo para aprender a tocar um instrumento. Talvez não tivessem vocação musical, porque por determinação própria nenhum deles tomou esta iniciativa. Aos 40 anos tentei aprender flauta transversal, achei difícil, desisti. Resta a frustração.

            Ao menos eu poderia escrever sobre música, que continuo ouvindo diariamente. Nem para isso tenho competência. Porém, vez por outra bate a vontade de escrever sobre a Bachiana Brasileira n. 1 para oito violoncelos, de Heitor Villa-Lobos, com o único intuito de convencer o eventual leitor a ouvir esta obra prima.

            A peça é composta de três movimentos. O primeiro, a Introdução (Animato), tem início com os violoncelos apresentando tema complexo, como se estivéssemos ouvindo uma orquestra inteira; seguem melodias fáceis, muito lindas, conjunto que o compositor denominou Embolada. Penso (sinto) que se trata apenas de preparação para o segundo movimento, os cellos terminando em graves profundos.

            Segue-se o Prelúdio (Andante), com o nome de Modinha. A música então se eleva aos céus, é triste, quase ingênua, melancólica mesmo, sublime porque faz aflorar sentimentos de paz, de amor por toda a humanidade. Este segundo movimento contém a essência do que são as Bachianas Brasileiras, com o estilo muito expressivo chamado de “escada”, agudos e graves se alternando continuamente, quando Villa mais se aproxima de Bach. Música grandiosa. (Fica claríssima aqui minha insuficiência literária para descrever tanto a música quanto a emoção por ela despertada.)

            O terceiro movimento (Fuga: Un poco animato) recebe o nome de Conversa. São os cellos alegres, efusivos, vibrantes, alternando agudos e graves, a tal conversa de instrumentos, penso que com a sensação do dever cumprido, após terem tocado o Prelúdio. O final é majestoso!

            A gravação de que disponho é a do The Pleeth Cello Octet, da Hyperíon, de 1987. Me parece magnífica.

            Se porventura esta pobre crônica chegar a algum eventual leitor, espero que ele não deixe de ouvir a Bachiana Brasileira n.1 para oito violoncelos de Villa-Lobos. Que ouça pela vida toda.

            

            

sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

Um dia chegarei a Sagres: outra crítica


 

Miguel Sanches Neto escreve a resenha do Um dia chegarei a Sagres, de Nélida Piñon, para a Edição 249 (jan 2021) de O Rascunho. Destaco pequeno trecho, que comento em seguida.

 

“Narrado em primeira pessoa masculina, o romance se constrói a partir de retomadas constantes de fatos da infância do narrador e da História, que se misturam. O recurso de uma espécie de estribilho narrativo marca toda a obra, que se afasta dos meios da prosa para se aproximar dos meios da poesia. É em uma língua portuguesa excessivamente literária, que se quer maior do que os fatos, em uma épica contemporânea, sem deixar de cair no caricaturesco, que Nélida explora a identidade portuguesa enquanto idioma. A preferência pelos pronomes em posição de ênclise, o uso desbragado de metáforas e o tom heroico das frases buscam dar ao livro uma monumentalidade para evocar o valor textual da tradição camoniana. Assim, os capítulos se sucedem com um pequeno avanço do conflito, preso a passagens já narradas, que retornam constantemente. Com isso, percebemos que a viagem de ida é uma viagem de volta pela memória, e o que se afasta é também aproximação.”

 

            Confesso que ainda estou com o livro de Nélida na cabeça, um mês depois de terminada a leitura. Há coisas boas e coisas não tão boas no livro, penso; ao mesmo tem não me julgo capaz de uma crítica bem fundamentada. Por isso busco opiniões diversas, como esta que aqui apresento.

            Destaco no trecho de Sanches Neto a frase: “É em uma língua portuguesa excessivamente literária, que se quer maior do que os fatos”. Se compreendi bem, concordo plenamente; a escrita é tão importante que parece não necessitar da história, da narrativa do protagonista feita na primeira pessoa.

              Outra observação interessante de Sanches Neto: a escrita “se afasta dos meios da prosa para se aproximar dos meios da poesia”. Em outras palavras: nem prosa, nem poesia. Não há dúvida de que em alguns momentos surge o que se denomina prosa poética, e em grande estilo; em outros momentos, excesso de palavras.

            Mateus sai do norte de Portugal e para em Lisboa, onde nada acontece; apenas a língua “excessivamente literária” permanece. Em Sagres, pouca coisa acontece. No retorno a Lisboa é preciso terminar o livro, já com 500 páginas, e então a narrativa se adensa, ganha corpo, apresenta algo de concreto, mesmo que se trate de sentimentos.   Concordo que a autora abusa dos “pronomes em posição de ênclise”.

Mais não reencontrei na boa resenha de Sanches Neto que valha a pena comentar.

 

 

 

quinta-feira, 28 de janeiro de 2021

Pergunta-se: Bolsonaro é louco?

 

Em crônica de 23/jan/2021 para a Folha de S.Paulo, Hélio Schwartsman interroga: Bolsonaro é louco?

            Penso que todos nós algum dia já fizemos esta pergunta, diante de tantos desvarios, disparates, manifestos em atos e palavras, oriundos do presidente. 

            Segundo grupo de psiquiatras, afirma Schwartsman, ele “apresenta comportamentos compatíveis com critérios de transtornos de personalidade descritos tanto no CID-11 como no DSM-5. O que se destaca são traços de personalidade narcísica e paranoide, evidenciados por falta de empatia, agressividade, desconfianças (com o sistema eleitoral, por exemplo) e alguma desconexão com a realidade.”

            Circula hoje nas redes sociais vídeo de ontem com fala do presidente, com as seguintes palavras: "Vai pra puta que o pariu, porra. Imprensa de merda essa daí. É para enfiar no rabo de vocês aí, vocês não, vocês da imprensa essa lata de leite condensado.”

            Minhas desculpas aos mais sensíveis ao uso do palavrão, mas preciso reproduzir as palavras do presidente, para responder à pergunta que empresta título à crônica de Schwartsman: “Bolsonaro é louco?

            

            Em Hamlet, a fundamental peça de William Shakespeare, Polônio, pai de Ofélia,  desconfiado da sanidade mental de Hamlet, estabelece longo diálogo com o príncipe, que aqui resumo:

 

Hamlet: “Palavras, palavras, palavras.”

Polônio: “Qual a questão, meu senhor?”

Hamlet: “Em quem?”

Polônio: “Quero dizer, a questão sobre que estais lendo, meu senhor.”

Hamlet: “Calúnias, senhor; pois este malandro de satírico diz aqui que os velhos têm barbas grisalhas, faces enrugadas, olhos que excretam âmbar espesso e goma de ameixeira; diz ainda que têm ampla falta de discernimento, a par de fraquíssimos jarretes: embora eu creia nisso tudo vigorosa e intensamente, não me parece bem que esteja assim posto por escrito, pois vós mesmo, senhor, havíeis de chegar à minha idade... se pudésseis retroceder como um caranguejo.”

Polônio (à parte): “É loucura, mas há método nela.”

 

            (Hamlet, Abril Cultural, 1976, tradução de Péricles Eugênio da Silva Ramos.)

            Agora posso responder à questão formulada por Schwartsman: “É loucura, mas há método nela.”

            Todos sabem, Hamlet havia traçado plano para vingar o assassinato do pai, e se fazia de doido para enganar a corte. Hoje, nós somos a corte.

 

 

https://www1.folha.uol.com.br/colunas/helioschwartsman/2021/01/bolsonaro-e-louco.shtml

 

https://www1.folha.uol.com.br/colunas/monicabergamo/2021/01/e-para-enfiar-no-rabo-de-voces-da-imprensa-essa-lata-de-leite-condensado-diz-bolsonaro.shtml