Meus quadros favoritos
Aquarela, autor desconhecido
Pós-expressionismo alemão
Ao poeta Paulo Sergio Viana
Marco Luchesi / Gustavo Stephen
Por Marco Lucchesi, escritor, presidente da ABL:
“Não fosse a poesia, seria impossível respirar na quadra atual. Um tempo inimigo dos poetas. Não é pequena coisa rebelar-se. Imaginar o avesso do presente. E emprestar ao sonho cidadania. Um estatuto de emancipação. Caminho solidário. A poesia é núcleo de inquietação e liberdade. Comunhão de vida e pensamento, pedra e nuvem: o que podia ter sido e o que será. A poesia reclama o direito de sonhar. Traduz a forma de saber que estamos vivos, se já não desistimos do futuro. A poesia é máquina do tempo: de Homero ao poeta de 2080. A poesia é irmã gêmea do saber. E sonda o que não sabe. Generosa e ecumênica. Ignora as leis de mercado. Altiva e mercurial. Passam os bárbaros. Morrem os impérios. Mas a poesia não perde sua antiga juventude.”
Sossego é o nome do vinho, estampado em chamativo rótulo, produzido pela Herdade do Peso, no Alentejo.
A surpresa vem quando leio o contrarrótulo, em busca de mais informações sobre a bebida:
“Haja sossego, que se vai abrir um segredo alentejano. Haja calma, tempo e quietude para apreciar à mesa o corpo e a alma da Vidigueira. Haja sossego alentejano para criar espaço na agitação do dia-a-dia e sentir a singularidade das planícies onduladas da Herdade do Peso, esse lugar único onde nasce este vinho. Oiça-o, respire-o, saboreie-o sem pressa. O nome diz tudo.”
Então não é uma poesia?! Trata-se, com diz o texto, de vinho para o dia a dia, observação franca, honesta e verdadeira.
Esses portugueses...
Meus quadros preferidos
Chegou-se à mesa de salgados, contou 10 miniquibes no pratinho de papelão. Comeu 9 e se foi, feliz da vida, rindo à toa.
1.
Prolífico microcontista, lhe pediram 200 microcontos para compor um livro. Ele perdeu a inspiração.
2.
Prolífico microcontista, lhe pediram 200 microcontos para compor um livro. Ele virou dia-e-noite e cumpriu o trato.
Comentário:
O microconto, porque expõe a síntese de uma ideia, também serve para o contraditório, além de poder manifestar as mais diversas opiniões. É o que se pode ver também em postagem anterior, nos Microcontos da Solidão.
http://loucoporcachorros.blogspot.com/2020/10/microcontos-da-solidao.html
O papel fundamental da imprensa é informar, dizem. Porém, vez ou outra a regra de ouro é quebrada, para o bem ou para o mal, segundo os diferentes julgadores.
Evita-se dar notícia de suicídio para não proporcionar a repercussão de algo tão nefasto. O torcedor de futebol que invade o campo não aparece na telinha, pelo mesmo motivo. Informações sobre atos terroristas padecem do mesmo tipo de “censura”. Digamos, as intenções são boas.
Agora surge fato de aparente gravidade: o Presidente Trump discursava sobre as apurações de votos da atual eleição nos Estados Unidos quando a transmissão foi subitamente interrompida por pelo menos três grandes emissoras de TV americanas. Em seguida, um jornalista importante de cada um desses órgãos informava ao telespectador que a fala do Presidente fora interrompida porque ele prestava “falsas informações”. Pelo menos uma emissora continuava transmitindo o discurso até seu final, para em seguida condená-lo, como fizeram as demais.
São duas atitudes opostas e discutíveis. A segunda cumpre a regra de ouro: informar antes de tudo; emite depois a opinião da emissora. As que interromperam a transmissão descumpriram a missão precípua da imprensa, e o fizeram por uma razão puramente política. O ineditismo do fato causou grande repercussão, ou seja, foi eficaz a intervenção política.
Pouco ou nada entendo do assunto, do que seria ético ou não, considerando-se o papel fundamental da imprensa. Ao primeiro olhar, fico com a TV que manteve a transmissão até seu final. Eu gostaria de saber o que tem a dizer o Presidente diante da situação crítica, que afeta até mesmo os mercados financeiros de todo o mundo. (Aqui, o dólar caiu...) Se concluo que ele mente, esta é uma opinião que me cabe escolher; não desejo que a imprensa decida por mim.
Porém, não consigo condenar as emissoras que atuaram politicamente, em protesto diante de mentiroso sabidamente contumaz. O homem mente mente mente. Exigir então imparcialidade, mesmo diante de jogo sujo? Seguir cumprindo a regra, quando o outro descumpre todas as regras determinadas pela civilização? Permitir que o expectador seja enganado, descaradamente? Aqueles que apreciam o consequencialismo não podem aprovar tal posição e concordam com a intervenção política das emissoras de TV: cale-se o mitômano!
O que pensa meu caro leitor?
O texto é do grande Fernando Reinach, para O Estado de S.Paulo
(7 nov 2020), sob o título Fósseis de mulheres caçadoras sugerem que divisão de tarefas por gênero é recente na história humana.
A ideia de que mulheres criam os filhos enquanto os homens sustentam a família, vigente até tempos recentes, também foi observada em sociedades primitivas, a ponto de se pensar que esse arranjo sempre existiu entre os Homo sapiens.
A caça de grandes mamíferos sempre foi pensada como uma atividade coletiva, principalmente quando feita com lanças de madeira e pontas de pedra. Afirma Reinach: “É a colaboração entre um grande número de indivíduos que permite perseguir, cercar, imobilizar e matar a presa. O fato de nossos ancestrais viverem em pequenos grupos e se movimentarem constantemente dá suporte a essa ideia.”
Em 2013, no Peru, a 3.925 m acima do nível do mar, foram encontrados grande quantidade de artefatos humanos e vários esqueletos, entre estes o de uma mulher de 17 anos que havia morrido 8 mil anos atrás. Ao lado dela foram achados artefatos que “deviam estar em uma bolsa que se decompôs com o tempo” (pontas de lança, pedras na forma de facas usadas para retirar o couro do animal, facas de pedra para retirar a carne e pedras usadas para limpar o couro), usados na caça de grandes animais.
Concluem os arqueólogos: “Essa mulher de 17 anos muito provavelmente era uma caçadora que vivia no altiplano se alimentando da caça e de partes de plantas. E, como era comum nessa cultura, foi enterrada junto com seus objetos pessoais.”
Novas pesquisas revelaram dezenas de esqueletos espalhados desde a América do Norte até o sul do Chile, e “aproximadamente um terço das pessoas enterradas com utensílios de caça eram mulheres”.
“A conclusão é de que existe a possibilidade de que nossos ancestrais, que viviam como coletadores e caçadores, praticavam a caça em grupos e nessa atividade mulheres e homens compartilhavam as tarefas. Se isso for verdade, é muito provável que a nossa espécie tenha passado a maior parte de sua existência no planeta em uma organização familiar em que homens e mulheres dividiam a atividade da caça.”
A divisão das tarefas entre os sexos, portanto, vem sofrendo modificações em seu arranjo familiar há milênios, fato que se pode observar nos dias de hoje: mulheres saem para trabalhar enquanto homens cuidam da casa e dos filhos. E em tempos de peste, os homens aprendem a cozinhar...