terça-feira, 27 de agosto de 2019

Omair e Maria Helena, Ruth e Glaucinha


Galeria de Família



Este é o único registro de que disponho de nosso querido tio Omair, irmão do nosso pai, casado com tia Ruth, ambos engenheiros químicos. A foto foi tirada no Sítio do Vô Breno, pequena propriedade rural no caminho das Pedrinhas, ao sopé da Mantiqueira, em pleno vale do Paraíba.
            Ao lado dele está nossa irmã Maria Helena, compenetrada, bem agasalhada, linda menina que olha para a câmera, ambos ela e o tio acariciando algum bezerro. À direita, um empregado da fazendinha tira leite, mas a vaca também não aparece.
            Curiosa fotografia.
            Para quem não sabe, nosso avô Breno possuía gosto peculiar para dar nome aos filhos: Glaura, Gláucia, Ofir e Omair.

             E aqui está tia Ruth, no colo a menina Gláucia, conhecida por Glaucinha, filha de tio Toi e tia Glaura, nossa prima portanto. Já naquele tempo Ruth era mulher moderna, independente, cabelo curto, ideias avançadas para os interioranos de Guaratinguetá.



Enfim, uma bela foto!


Ternura em Tarantino




(Quem ainda não viu, não leia. Vá ao cinema!)

Quentin Jerome Tarantino (1963-), de Cães de AluguelEra uma vez em Hollywood, desenvolve raro percurso na história do cinema, de modo a colocá-lo na posição dos maiores gênios da sétima arte. 
            Em Cães, ele é implacável: violência é violência mesmo, com humor que se parece mais com sadismo. Não há um pingo de ternura. Os diálogos já são muito bons, sempre duros, a prender a atenção do expectador, que espera por mais violência. O cenário é pobre, um grande galpão vazio, onde os personagens traçam seus planos inviáveis. Ninguém sai incólume do cinema, na certeza de que ali está um grande diretor.
            Há ternura de sobra em Era uma vez! Tanto, que Rick Dalton (na atuação magistral de Leonardo DiCaprio) chora sem parar; mas ele se comove mesmo quando, ao contracenar com uma pequena menina, ouve dela que aquela foi sua melhor atuação no cinema. E ganha um beijo. (Aquilo se parece com o velho Tarantino?)
            A amizade entre Rick Dalton e Cliff Booth (Brad Pitt, com ótima atuação, cheia de delicadezas, porém discreta, como pedia o roteiro) também deve ser vista como manifestação de afetividade incomum nos filmes do diretor. Os dois protagonistas de Django livre, o homem branco e o homem negro, desenvolvem relação de alguma intimidade ao passarem lado a lado grande parte do filme, mas não se pode chamar aquilo de amizade. 
            Em Bastardos inglórios Tarantino é mais duro do que nunca; o tema assim o exige: pau nos chucrutes! A exagerada violência é mais humor que violência; a plateia delira quando um nazista recebe tatuada a suástica na testa! A ternura surge com o amor entre a mulher branca (dona do cinema) e o homem negro (técnico de cinema). São cenas curtas, há um único beijo, o diretor economiza na ternura, e pau nos chucrutes.
            O mesmo se repete na maioria dos filmes do diretor; traços de ternura em meio à violência que não passa de paródia. Não é isso que vemos em Era uma vez: agora esta relação se inverte, a merecida violência fica guardada para o final, enquanto que durante todo o filme há manifestações de afeto. O modo como Cliff Booth trata a prostituta adolescente em cena que se passa dentro de seu Cadillac chega a emocionar; bem verdade que Tarantino talvez tenha se inspirado em antigo e reprovável comportamento do também diretor Roman Polanski, e mostrado como se deve fazer...
            (Explícita também é a surra que o mesmo Cliff aplica em rapaz que mora na tal comunidade hippie e que furou o pneu de seu carro com uma faca. Tarantino não aprova aquele comportamento dos vagabundos da família Manson.)
            O que impressionou mesmo este blogueiro foi o modo como o diretor tratou a trágica morte de Sharon Tate, ou seja, como conseguiu resolver – com máxima ternura – o fecho do filme. Entrei no cinema esperando uma carnificina e nada disso ocorreu. O que seria a morte de Tate foi substituída pela severa punição de três paus-mandados de Manson, ou do demônio, agora sim, com a violência cheia de humor de Tarantino, para igual delírio da plateia. O desempenho da cadela de Cliff foi sensacional. (Queria uma daquela para mim!) E o filme termina com Rick Dalton sendo recebido na casa de Sharon Tate, tarde da noite, em paz e com muito amor. Linda cena, cheia de ternura.
            Esse Tarantino deve ter um coração mole como o diabo!

segunda-feira, 26 de agosto de 2019

O que é logline?


Log Lines (Linhas de Registo, em tradução livre) originalmente eram longas cordas em um carretel, com nós em determinados espaçamentos, que os marinheiros desenrolavam na água para medir a velocidade da embarcação. (Daí a origem do nó náutico.)
Modernamente, as loglines surgiram em Hollywood, um artifício para facilitar a venda de um roteiro, e permitiam que os produtores (leia-se financiadores) compreendessem a história sem precisar ler o roteiro, e despertar neles o interesse pela obra.
Uma logline ou storyline é o resumo de um filme ou livro, enfim, de uma história, de preferência em uma única frase, e contem  necessariamente um protagonista, seu objetivo e uma força antagônica ou obstáculo.
Eis algumas regras básicas para elaborar uma logline:

1. Não utilize nome do personagem pois é uma palavra inútil; escreva sobre alguma característica do personagem, sua profissão, caráter; utilize um ou mais adjetivos que ajudem a defini-lo, de modo a revelar algo que aumente o interesse pela história.
             2. Apresente o principal objetivo do protagonista, o que irá impulsionar a história e, consequentemente, conduzir a logline também. 
            3. Descreva a força antagônica, um obstáculo ao objetivo principal,
algo que impeça o protagonista de conseguir seu objetivo facilmente.
            4. Inclua riscos, para adicionar um caráter de urgência e trabalhar emocionalmente a história. 
            5. Algumas histórias necessitam de uma breve ambientação, como nas histórias de ficção científica, terror etc. Às vezes o protagonista tem história pessoal crucial para a história e isso precisa ser explicado. 
            6. O título é fundamental na construção da logline.

            Exemplos:

            Jaqueline de Sousa escreveu:

O Poderoso Chefão:

“O relutante  filho de um chefão da máfia precisa assumir o controle do império clandestino de seu pai para proteger sua família. “

(a) “O relutante  filho de um chefão da máfia” = protagonista.
(b) “precisa assumir o controle do império clandestino de seu pai”= objetivo.
(c) “para proteger sua família” = força antagônica.


João Nunes escreveu:

O Fugitivo

“Um médico falsamente acusado da morte da mulher (o protagonista) luta contra o relógio para encontrar o verdadeiro culpado (o objetivo) antes de ser capturado pelo polícia incansável que o persegue (o obstáculo).’

O Padrinho

“Para garantir a sobrevivência da sua família (o objetivo) o filho mais novo de um mafioso (o protagonista) tem de abandonar os seus sonhos de uma vida honesta (o obstáculo).”

Ainda Nunes: “Uma logline pode ser escrita antes, durante ou depois de se escrever o guião. Por vezes é uma primeira etapa da criação, que nos ajuda a recordar o essencial da estória, e nos serve de bússola de cada vez que nos sentimos perdidos durante a escrita. Outras vezes só a escrevemos no fim, como um resumo (para contar aos amigos ou colocar numa carta de apresentação do nosso guião, por exemplo).


Logline vencedora da competição de Loglines LA Screenwriter. A vencedora Chidi Ezeibieli escreveu:

Extremity: 

“Quando terroristas nigerianos sequestram sua filha paraplégica, uma pobre expatriada americana sem ninguém para recorrer, se disfarça de extremista para se infiltrar no grupo e encontrar sua filha.”

(a) “Quando terroristas nigerianos sequestram sua filha paraplégica” = Incidente inicial.
(b) “uma pobre expatriada americana sem ninguém para recorrer” = Protagonista.
(c) “se disfarça de extremista para se infiltrar no grupo e encontrar sua filha.” = objetivo.



            Há quem diga que logline não é literatura, particularmente pelo uso excessivo de adjetivos. Tenho minhas dúvidas sobre isso. Se a logline for construída apenas para contar uma história, sem qualquer outra pretensão, ela pode ser escrita com arte, bom gosto, de modo a agradar o leitor e suscitar nele ideias novas sobre o texto. Poderá então ser considerada literatura?

Fonte

Em período de seca extrema, os sedentos passarinhos procuram a fonte, mesmo temerosos dos possíveis ataques dos cachorros. 

Vamos ler mais sobre o assunto, e escrever loglines, um bom exercício mental.

domingo, 25 de agosto de 2019

Fonte


Logline

Em período de seca extrema, os sedentos passarinhos procuram a fonte, mesmo temerosos dos possíveis ataques dos cachorros. 

Taxi em Teerã

Logline

Premiadíssimo diretor de cinema iraniano, em seu filme Taxi, denuncia os problemas da cidade de Teerã e seus habitantes, mesmo perseguido pelo regime e proibido de filmar por 20 anos.

To dust


Logline

Judeu chassídico, em luto profundo e perturbador pela morte da esposa, desenvolve verdadeira obsessão pelo processo de decomposição do cadáver, a despeito da dificuldade até mesmo da ciência em responder seus questionamentos.

sábado, 24 de agosto de 2019

Julieta


Logline


Espanhola muito bonita, especialista em literatura grega clássica, busca desesperadamente reaver o contato com a filha que desapareceu após retiro espiritual. 


Em coautoria com Paulo Sergio Viana

Saíra amarela e petrea Aldravia N.86





moldura
de
petrea
enfeita
saíra
amarela


Foto: Mercêdes Fabiana, ago 2019

Bravo bem-te-vi





surge o bem-te-vi
o mais bravo do jardim
agora o silêncio



Foto: Mercêdes Fabiana, ago 2019.