segunda-feira, 26 de agosto de 2019

O que é logline?


Log Lines (Linhas de Registo, em tradução livre) originalmente eram longas cordas em um carretel, com nós em determinados espaçamentos, que os marinheiros desenrolavam na água para medir a velocidade da embarcação. (Daí a origem do nó náutico.)
Modernamente, as loglines surgiram em Hollywood, um artifício para facilitar a venda de um roteiro, e permitiam que os produtores (leia-se financiadores) compreendessem a história sem precisar ler o roteiro, e despertar neles o interesse pela obra.
Uma logline ou storyline é o resumo de um filme ou livro, enfim, de uma história, de preferência em uma única frase, e contem  necessariamente um protagonista, seu objetivo e uma força antagônica ou obstáculo.
Eis algumas regras básicas para elaborar uma logline:

1. Não utilize nome do personagem pois é uma palavra inútil; escreva sobre alguma característica do personagem, sua profissão, caráter; utilize um ou mais adjetivos que ajudem a defini-lo, de modo a revelar algo que aumente o interesse pela história.
             2. Apresente o principal objetivo do protagonista, o que irá impulsionar a história e, consequentemente, conduzir a logline também. 
            3. Descreva a força antagônica, um obstáculo ao objetivo principal,
algo que impeça o protagonista de conseguir seu objetivo facilmente.
            4. Inclua riscos, para adicionar um caráter de urgência e trabalhar emocionalmente a história. 
            5. Algumas histórias necessitam de uma breve ambientação, como nas histórias de ficção científica, terror etc. Às vezes o protagonista tem história pessoal crucial para a história e isso precisa ser explicado. 
            6. O título é fundamental na construção da logline.

            Exemplos:

            Jaqueline de Sousa escreveu:

O Poderoso Chefão:

“O relutante  filho de um chefão da máfia precisa assumir o controle do império clandestino de seu pai para proteger sua família. “

(a) “O relutante  filho de um chefão da máfia” = protagonista.
(b) “precisa assumir o controle do império clandestino de seu pai”= objetivo.
(c) “para proteger sua família” = força antagônica.


João Nunes escreveu:

O Fugitivo

“Um médico falsamente acusado da morte da mulher (o protagonista) luta contra o relógio para encontrar o verdadeiro culpado (o objetivo) antes de ser capturado pelo polícia incansável que o persegue (o obstáculo).’

O Padrinho

“Para garantir a sobrevivência da sua família (o objetivo) o filho mais novo de um mafioso (o protagonista) tem de abandonar os seus sonhos de uma vida honesta (o obstáculo).”

Ainda Nunes: “Uma logline pode ser escrita antes, durante ou depois de se escrever o guião. Por vezes é uma primeira etapa da criação, que nos ajuda a recordar o essencial da estória, e nos serve de bússola de cada vez que nos sentimos perdidos durante a escrita. Outras vezes só a escrevemos no fim, como um resumo (para contar aos amigos ou colocar numa carta de apresentação do nosso guião, por exemplo).


Logline vencedora da competição de Loglines LA Screenwriter. A vencedora Chidi Ezeibieli escreveu:

Extremity: 

“Quando terroristas nigerianos sequestram sua filha paraplégica, uma pobre expatriada americana sem ninguém para recorrer, se disfarça de extremista para se infiltrar no grupo e encontrar sua filha.”

(a) “Quando terroristas nigerianos sequestram sua filha paraplégica” = Incidente inicial.
(b) “uma pobre expatriada americana sem ninguém para recorrer” = Protagonista.
(c) “se disfarça de extremista para se infiltrar no grupo e encontrar sua filha.” = objetivo.



            Há quem diga que logline não é literatura, particularmente pelo uso excessivo de adjetivos. Tenho minhas dúvidas sobre isso. Se a logline for construída apenas para contar uma história, sem qualquer outra pretensão, ela pode ser escrita com arte, bom gosto, de modo a agradar o leitor e suscitar nele ideias novas sobre o texto. Poderá então ser considerada literatura?

Fonte

Em período de seca extrema, os sedentos passarinhos procuram a fonte, mesmo temerosos dos possíveis ataques dos cachorros. 

Vamos ler mais sobre o assunto, e escrever loglines, um bom exercício mental.

domingo, 25 de agosto de 2019

Fonte


Logline

Em período de seca extrema, os sedentos passarinhos procuram a fonte, mesmo temerosos dos possíveis ataques dos cachorros. 

Taxi em Teerã

Logline

Premiadíssimo diretor de cinema iraniano, em seu filme Taxi, denuncia os problemas da cidade de Teerã e seus habitantes, mesmo perseguido pelo regime e proibido de filmar por 20 anos.

To dust


Logline

Judeu chassídico, em luto profundo e perturbador pela morte da esposa, desenvolve verdadeira obsessão pelo processo de decomposição do cadáver, a despeito da dificuldade até mesmo da ciência em responder seus questionamentos.

sábado, 24 de agosto de 2019

Julieta


Logline


Espanhola muito bonita, especialista em literatura grega clássica, busca desesperadamente reaver o contato com a filha que desapareceu após retiro espiritual. 


Em coautoria com Paulo Sergio Viana

Saíra amarela e petrea Aldravia N.86





moldura
de
petrea
enfeita
saíra
amarela


Foto: Mercêdes Fabiana, ago 2019

Bravo bem-te-vi





surge o bem-te-vi
o mais bravo do jardim
agora o silêncio



Foto: Mercêdes Fabiana, ago 2019.


João e Beatriz

Historinha para Gabriela

João é um belo saí-azul, casado com Beatriz.
Beatriz é uma linda saí-azul, mas vestida de verde.
Eles costumam tomar banho na fonte do nosso jardim.
De repente, uma surpresa!
Tudo termina bem.



João toma seu banho



Agora é Beatriz quem banha



Hora de secar ao sol



Eis que surge um intruso,
querendo tomar seu banho!
João e Beatriz botam ele para correr



A paz volta a reinar
João, atento, toma conta da fonte


quinta-feira, 22 de agosto de 2019

Banho infantil



...
– Ai Vô, caiu sabão no meu olho!
– Então pisca.
– Ai Vô, está ardendo.
– Abre o olho que passa.
– Está ardendo, Vô.
– Abre e fecha, abre e fecha o olho.
– Ai ai ai!
– Continua piscando.
– ...
– Está passando?
– Está.
– Não falei pra você piscar!
– Doeu, Vô.
– Já passou, meu amor.
...

quarta-feira, 21 de agosto de 2019

Ámon, em ouro maciço

Minhas esculturas favoritas



Ámon (Amon ou Amun): deus da mitologia egípcia.

“Seu nome significa "O oculto", uma vez que originalmente era a personificação dos ventos. 
Durante o Antigo e o Médio Império Amon existiu como uma divindade extremamente local e pouco importante.  Adorado em Tebas (uma cidade distante dos grandes centros de poder localizados em Mênfis, Heliópolis e Abidos), Amon provavelmente dividia sua mitologia com mais sete deuses locais. 
Com a fundação da XVIII dinastia e o despontar do Novo Império, Amon muda completamente de status. De origem tebana, os faraós da XVIII dinastia deslocaram definitivamente o eixo do poder para o Alto Egito, fazendo de Tebas sua capital. Magicamente, Amon converte-se no deus do Império, propiciador da vitória nas batalhas e pai de todos os demais deuses do panteão. Como que para legitimar esta mudança de funções divinas, Amon é relacionado a Rá, o mais antigo dentre os deuses que um dia foram adorados como criador da vida e pai de todos os deuses. Sob o nome de Amon-Rá, Amon passa a ser reverenciado sob aspectos criadores e solares. Embora seu nome continue significando O Oculto ou O Escondido, escasseiam as referências de Amon como personificação dos ventos.”