sábado, 24 de agosto de 2019

Julieta


Logline


Espanhola muito bonita, especialista em literatura grega clássica, busca desesperadamente reaver o contato com a filha que desapareceu após retiro espiritual. 


Em coautoria com Paulo Sergio Viana

Saíra amarela e petrea Aldravia N.86





moldura
de
petrea
enfeita
saíra
amarela


Foto: Mercêdes Fabiana, ago 2019

Bravo bem-te-vi





surge o bem-te-vi
o mais bravo do jardim
agora o silêncio



Foto: Mercêdes Fabiana, ago 2019.


João e Beatriz

Historinha para Gabriela

João é um belo saí-azul, casado com Beatriz.
Beatriz é uma linda saí-azul, mas vestida de verde.
Eles costumam tomar banho na fonte do nosso jardim.
De repente, uma surpresa!
Tudo termina bem.



João toma seu banho



Agora é Beatriz quem banha



Hora de secar ao sol



Eis que surge um intruso,
querendo tomar seu banho!
João e Beatriz botam ele para correr



A paz volta a reinar
João, atento, toma conta da fonte


quinta-feira, 22 de agosto de 2019

Banho infantil



...
– Ai Vô, caiu sabão no meu olho!
– Então pisca.
– Ai Vô, está ardendo.
– Abre o olho que passa.
– Está ardendo, Vô.
– Abre e fecha, abre e fecha o olho.
– Ai ai ai!
– Continua piscando.
– ...
– Está passando?
– Está.
– Não falei pra você piscar!
– Doeu, Vô.
– Já passou, meu amor.
...

quarta-feira, 21 de agosto de 2019

Ámon, em ouro maciço

Minhas esculturas favoritas



Ámon (Amon ou Amun): deus da mitologia egípcia.

“Seu nome significa "O oculto", uma vez que originalmente era a personificação dos ventos. 
Durante o Antigo e o Médio Império Amon existiu como uma divindade extremamente local e pouco importante.  Adorado em Tebas (uma cidade distante dos grandes centros de poder localizados em Mênfis, Heliópolis e Abidos), Amon provavelmente dividia sua mitologia com mais sete deuses locais. 
Com a fundação da XVIII dinastia e o despontar do Novo Império, Amon muda completamente de status. De origem tebana, os faraós da XVIII dinastia deslocaram definitivamente o eixo do poder para o Alto Egito, fazendo de Tebas sua capital. Magicamente, Amon converte-se no deus do Império, propiciador da vitória nas batalhas e pai de todos os demais deuses do panteão. Como que para legitimar esta mudança de funções divinas, Amon é relacionado a Rá, o mais antigo dentre os deuses que um dia foram adorados como criador da vida e pai de todos os deuses. Sob o nome de Amon-Rá, Amon passa a ser reverenciado sob aspectos criadores e solares. Embora seu nome continue significando O Oculto ou O Escondido, escasseiam as referências de Amon como personificação dos ventos.”

terça-feira, 20 de agosto de 2019

Ofir lê o jornal

Galeria de Família



Precioso registro de uma atividade sagrada de nosso pai, sempre cercada de rigoroso ritual.
Para ele, ler o jornal (O Estado de S. Paulo; ele não gostava do Globo, o preferido de Ondina) era coisa séria. Pra começar, ninguém podia TOCAR no jornal antes dele. Tirar um caderno interno, hoje denominado Caderno 2, para espiar a manchete, isso era crime inafiançável! Seu Ofir ficava uma fera.
Sentava-se à mesa, lia página por página dobrando cuidadosamente cada caderno, e ao final da leitura parece que o jornal nunca havia sido manuseado!
A foto mostra a sala do apartamento de Cabo Frio. Na mesa, ainda o velho bule de café, saco de pão, e o troco da padaria! Na pequena mesa à direita, uma garrafa de Velho Barreiro...
Saudade.

130 anos de Cora Coralina



Sombras


Tudo em mim vai se apagando.
Cede minha força de mulher de luta em dizer:
estou cansada.
A claridade se faz em névoa e bruma.
O livro amado: o negro das letras se embaralham,
entortam as linhas paralelas.
Dançam as palavras,
a distância se faz em quebra‑luz.
Deixo de reconhecer rostos amigos, familiares.
Um véu tênue vai se incorporando no campo da retina.
Passam lentamente como ovelhas mansas os vultos conhecidos
que já não reconheço.
É a catarata amortalhando a visão que se faz sombra.
Sinto que cede meu valor de mulher de luta,
e eu me confesso:
estou cansada.

domingo, 18 de agosto de 2019

3 microcontos caninos




– Lila, não vê que este abacate está podre?
– É por isso que estou comendo.


– Lila, não beba desta água suja.
– Está deliciosa!


– Lila, cuidado, tem um rato morto ali na frente!
– Onde, onde, onde?

***

Observação interessante:

A  ideia de juntar três microcontos em uma única postagem, todos versando sobre um tema comum, foi de meu irmão Paulo, tempos atrás. Gostei.
            O leitor tanto pode lê-los como contos independentes, ou juntá-los numa única história, contada em três minicapítulos. A intensão do autor, esta pertence tão somente ao autor.
            No caso dos 3 microcontos caninos, depreende-se que Lila é um cadelinha levada e cheira e come tudo que encontra pela frente. De resto, alguém já viu um cão parar para cheirar uma rosa? Muito menos para comê-la. Já um rato morto...

Quem é o rei?


...

– Hoje, 42 anos da morte do Rei!

– Ray Charles?

– NÃO, Elvis!

– Ah...

– Pelo menos não pensou no Roberto.

– Pensei...

– Desisto.

...