sábado, 3 de agosto de 2019

Zelo


A dentista, muito zelosa, recomendou-lhe que escovasse os dentes 10 vezes ao dia. 
– E o que faço nos intervalos, doutora?

sexta-feira, 2 de agosto de 2019

Marcada para morrer




Não se pode permanecer indiferente a esta imagem, capa da mais prestigiosa revista mundial.

Foto: The Economist / Divulgação



Peixe trombeta

A foto do dia


Fernando de Noronha


No centro, peixe trombeta. Percebe-se o movimento do cardume ao redor! Magnífica foto. Jul 2019.

Começo de tudo

Galeria de família


(Clique para ampliar)

Esta é o que poderíamos chamar de fotografia antológica! Ou o começo de tudo, pelo menos para nós três, André, Paulo, Maria Helena, e descendentes.
            O registro do casamento (ou foi antes do casamento?) na estação de embarque (ou desembarque?) da estrada de ferro contempla grande parte das famílias, por parte de pai e mãe. Da esquerda para a direita posso identificar Tia Juquinha, Tio Nininho, Vó Cici, Lucília atrás dela, o casal, Tio Jair (!!!), Tio Tói atrás dele (?), Tia Glaura, Vô Breno com Lucila no colo, José na extrema direita, quase despencando na linha do trem. Maria Clara talvez seja a criança maior. Ufa!
            Talvez Paulo possa me corrigir ou completar a identificação.
Fotógrafo desconhecido.
            Enfim, hoje posso dizer que sou grato a meus pais pela vida que me deram.

            

Seria ela?


Acordou com o som do telefone.
– Alô.
...
– Alô.
...
– Dolores?
...
Bip bip bip bip bip

terça-feira, 30 de julho de 2019

O encontro - Parte I


André e Suzete não se viam desde os tempos em que ela frequentava a oficina de escrita coordenada por ele e destinada a um grupo de psicanalistas em formação, ela, cabeleireira, convidada especial. Depois de tantos anos, se encontraram na cidade de ***.
            Para aqueles que não se lembram, eles se conheceram em um salão de beleza, onde André fora cortar cabelo em momento delicado de sua vida. Lá estava Suzete, que só cortava cabelo de homem, embora trabalhasse em salão feminino. O episódio está belamente relatado em Folhetim
http://loucoporcachorros.blogspot.com/search/label/Folhetim.
            Ambos gostam de literatura, adoram escrever cartas, gênero fora de moda, diga-se de passagem; a correspondência entre ambos prosperou, já são perto de 40 cartas, e a amizade também. De repente surgiu o desejo de se encontrarem, de falar um ao outro, de ouvir a voz do outro, de calar e apenas ouvir, de rir, até de chorar se fosse o caso. Daí o tão esperado encontro, tanta coisa para conversar.
            Abraçaram-se longamente na pequena rodoviária da cidade, trocaram palavras de carinho mútuo e saudade, hospedaram-se em modesto hotel na serra da Mantiqueira, em quartos separados. Jantaram no próprio hotel, beberam uma garrafa de vinho tinto de qualidade mediana, conversaram até tarde. 
            – Bom dia, Suzete! Dormiu bem?
            – Como uma santa, André. E você?
            – Acordei apenas uma vez durante a noite, espantado com o que acabava de sonhar. Antes de dormir, peguei a ler o Amós Oz, livrinho gostoso com o título Do que é feita a maçã, uma conversa com a editora Shira Hadad. Vou ler para você o trechinho que me interessou:

“Quando foram publicadas minhas primeiras histórias, há mais de cinquenta anos, fui até a secretaria do kibutz e disse: peço um dia por semana para escrever. Irrompeu ali uma discussão muito grande e muito dura. Não foi uma discussão entre pessoas ruins e pessoas boas, ou entre pessoas esclarecidas e pessoas obtusas. Os que se opuseram ao meu pedido tinham dois argumentos: um, todo mundo pode dizer que é artista. E quem vai ordenhar as vacas? Um vai querer fotografar, outra vai querer dançar, outro mais vai querer esculpir, e outra mais vai querer fazer filmes de cinema, e quem vai ordenhar as vacas?”
            
            – Suzete, adorei a pergunta “quem vai ordenhar as vacas?”
            – Também gostei, André. Quando uma menina começar a fazer corpo-mole no salão, agora vou logo dizendo, E quem vai ordenhar as vacas?
            A paixão de ambos pela literatura fez com que ela surgisse logo no café da manhã. Começou bem, com Amós Oz.
            – Suzete, você não sabe o mais interessante da história.
            – Me conte.
            – Dormi com o livro do Amós nas mãos, e sonhei com ele. Sonhei que ele estava deitado em uma cama muito simples, dessas de hospital, encostada na parede. Embora doente, mostrava largo sorriso, alegre, amável, gentil para comigo. Ajudei-o a vestir uma blusa de lã vermelha, ele sentado na cama. Acordei feliz, Suzete. Fechei o livro e voltei a dormir.
            – Que sonho lindo, André. A blusa era vermelha!
            – Isso mesmo, havia cor no sonho, havia vida no sonho. Sinto profundo afeto por Amós Oz, e vou lamentar sempre que ele não tivesse ganhado o Nobel.
            Terminado o café da manhã tomaram um taxi e foram conhecer o belo parque no limite da cidade, no alto da serra, com linda vista para todo o Vale do Paraíba. A impressionante cachoeira com o tradicional nome Véu de noiva não podia faltar.
            Suzete contou algumas novidades sobre seu novo salão – agora era proprietária –, falou das dificuldades em lidar com empregados, do aperto financeiro; mantinha, é claro, o hábito de só cortar cabelo de homem. André ouvia tudo com muita atenção. 
Demorou pouco e a conversa recaiu sobre a escrita. Suzete reclamou da dificuldade para melhorar a própria escrita.
– Sabe, André, não posso mais continuar copiando seu estilo, que gosto muito, mas é o seu estilo. Preciso adquirir o meu próprio estilo, e isso é difícil pra caramba. Meu sonho era publicar um livrinho com histórias acontecidas no salão de beleza. O que você acha? Muita pretensão para uma cabeleireira?
– Acho ótima ideia! O fato de ser cabeleireira conta a seu favor, Suzete, as experiências são suas e ninguém melhor para relatar elas. Sossegue, ajudo você na empreitada. Se tem o desejo, é o que basta: escrever é preciso. Faça como o nosso Amós Oz, peça um dia para escrever!

Fim da Parte I

segunda-feira, 29 de julho de 2019

Caryota mitis, flor-borboleta


Nome Científico: Caryota mitis
Sinonímia: Caryota furfuracea, Caryota griffithii, Caryota javanica, Caryota nana, Caryota propinqua, Caryota sobolifera, Caryota speciosa, Drymophloeus zippellii, Thuessinkia speciosa
Nomes Populares: Palmeira-rabo-de-peixe, Cariota-de-touceira , Palmeira-rabo-de-peixe-de-touceira
Família: Arecaceae
Categoria: Árvores, Palmeiras
Clima: Equatorial, Mediterrâneo, Oceânico, Subtropical, Tropical
Origem: Ásia, Birmânia, Bornéu, China, Filipinas, Java, Malásia, Oceania, Sri Lanka, Tailândia, Vietnã


***

No dia 7 de julho iniciamos o registro fotográfico da abertura da flor da nossa cariota. Ela aparece parcialmente envolta pela capa protetora, resistente, e seu desabrochar começa pela parte média; ela permanece fortemente presa nas extremidades. O processo iniciou-se já a alguns dias.



Cinco dias depois, acentua-se o desabrochar. Os pendões estão presos ainda nas extremidades, aparentemente prontos a se desfazerem.



Após 6 dias temos a impressão de que a flor estará livre a qualquer momento.



A foto mostra em detalhe a interessante amarração inferior.



Nove dias depois a flor ainda permanece atada nas extremidades. 



Visão do lado oposto, 18 dias depois do primeiro registro, mostra pequena parte dos pendões já soltos. A amarração prossegue.



Vinte e três dias depois a flor está prestes a se libertar.

 


Após 24 dias – um longo período de tempo – desfaz-se a amarração superior, abre-se a flor, o casulo fibroso ainda pendurado.  



E o processo termina, com um mês de duração. Por que é tão lento? Penso em uma borboleta que sai lentamente de seu casulo. Maturação?



Fotos: AVianna, jul 2019, jardim.
iPhone8, sem qualquer edição.

domingo, 28 de julho de 2019

jade azul




efêmera flor
capricho da natureza
jade deslumbrante



Foto: AVianna, jul 2019, jardim

Realidade e literatura


Ao voltar de reunião familiar, onde fora apaziguar ânimos, a esposa perguntou:
– Como foi lá?
– Nada que Dostoiévski já não tenha descrito.

sábado, 27 de julho de 2019

Exercício cotidiano


Exercício cotidiano e permanente: abro Grande Sertão: Veredas em uma página qualquer, encontro trecho interessantíssimo, sempre, leio com enorme prazer, que desejo repartir neste blog.


(Clique para ampliar) 

            O demônio é motivo de frequentes especulações em todo o livro, desde a primeira página, segundo parágrafo:

“Do demo? Não gloso. Senhor pergunte aos moradores. Em falso receio, desfalam no nome dele – dizem só: o Que-Diga. Vote! não... Quem muito se evita, se convive.”

            No trecho em destaque o narrador começa a reparar no cão; aos poucos; não tira mais a ideia da cabeça; e de repente percebe que o demo era digno de pena e medo. Mas então ele recobra a lucidez: “Do demônio não se pode ter pena”; porque ele chega “manso mansinho”; mas logo vira o que realmente é, “dôido sem cura”, muito perigoso.
            Lembro-me muito bem de uma jovem que certo dia me perguntou, provocadora, O senhor acredita no demônio?, ao que respondi de pronto, peremptório, Não, e ela estremeceu, e perguntou, O senhor não tem medo de dizer isso em voz alta, Não, respondi, Não acredito nele nem nos poderes dele, e ela estremeceu novamente, e calou-se. Anos depois, percebi que o temor pelo demônio havia diminuído nela. Desaparecido, não.
            Abrir o grande sertão aleatoriamente pode tornar-se exercício diário para quem gosta de literatura e de pensar a vida.



Referência: Edição Comemorativa, Ed. Nova Fronteira, 2006, pg. 214.