domingo, 7 de julho de 2019

flor da palmeira




livre do casulo
abre-se a flor da palmeira
na manhã de inverno


Foto: AVianna, jul 2019, jardim
IPhone8

sexta-feira, 5 de julho de 2019

Ofir e Xodó

Em certa época, morávamos em um apartamento funcional do Banco do Brasil, em Guaratinguetá, SP. A sala era ampla e lá Seu Ofir tinha o hábito de ler jornal. Ai de quem tocasse no jornal antes que ele o fizesse! A fotografia não é de boa qualidade, mas exprime bem a atitude de nosso pai.
            No mesmo sofá, deitava ainda o nosso cãozinho, um vira-lata de nome Xodó, bravo, enfezado, e que atacava estranhos com mordidas na canela.
            Eu era o aprendiz de fotógrafo. Que horror!




terça-feira, 2 de julho de 2019

Cecília fotógrafa

Cecília fotógrafa documenta com arte a viagem a Fernando de Noronha, paraíso de banhistas, mergulhadores e fotógrafos.
Parabéns, Ciça.





Expressão facial dos cães



Buldogue francês mostra o olhar que os cientistas chamam 
de “AU101: sobrancelhas levantadas”. 
Foto: May Altaffer/Associated Press


A reportagem de James Gorman, para The New York Times (2 jul 2019), chegou sob encomenda para este blog. O título é sugestivo: Não resiste ao olhar de um cãozinho? Agradeça à evolução.
Os donos de cães conhecem bem a expressão de seu animal de estimação, “dizendo alguma coisa”, ou pedindo comida ou carinho. Expressão humana, costumamos dizer!
Os cientistas lhe atribuíram um rótulo sério: "AU101: sobrancelhas erguidas". “Equipe de psicólogos e especialistas em anatomia da evolução publicou na revista Proceedings of The National Academy of Sciences que os cachorros assumem esta expressão mais frequentemente e de maneira mais intensa do que os lobos. Na realidade, ao contrário dos lobos, os cachorros têm um músculo específico, chamado levator anguli oculi medialis, que ajuda a erguer as sobrancelhas.” 
Anne Burrows, especialista em anatomia da Duquesne University de Pittsburgh, Pensilvânia, e outros pesquisadores, como Juliane Kaminski, psicóloga da evolução da Universidade de Portsmouth, Inglaterra, analisaram as expressões e a musculatura facial dos animais domésticos. Começaram com cavalos e gatos, e afirmaram que os cavalos têm movimentos faciais semelhantes aos dos cachorros, mas os gatos não.  
Os cachorros foram objeto de inúmeros estudos. Há evidências de que os cães de abrigos que usam mais a expressão "AU101: sobrancelhas levantadas", têm maior probabilidade de serem adotados.  



As sobrancelhas de Lila
 Foto: A.Vianna

Comportamento de cachorros e lobos foram gravados em vídeos. “Conforme esperado, os cachorros levantavam as sobrancelhas mais frequentemente e de maneira mais intensa do que os lobos. Os pesquisadores dissecaram as cabeças de quatro lobos e seis cachorros, todos adquiridos depois da morte. Toda a musculatura era exatamente igual, com a exceção do músculo levator, que nenhum dos lobos tinha. Outro músculo, que variava nos lobos e nos cachorros, também estava relacionado ao movimento dos olhos."
 “Os cientistas levantaram a hipótese de que os seres humanos favoreceram inconscientemente os cachorros que levantavam as sobrancelhas durante a evolução seletiva, relativamente recente. Segundo Anne Burrows, uma indicação tentadora que poderia levar a estudos futuros foi que um dos cachorros, um husky siberiano, parecia-se mais com os lobos e não tinha o levator anguli oculi medialis. Os huskies estão mais relacionados aos lobos do que outras raças, e pode ser também que seu talento para puxar trenós tenha sido mais importante do que um rosto expressivo no desenvolvimento da raça.”
Juliane Kaminski explicou que gostaria de saber se o modo como um cachorro é criado interfere neste comportamento. 
Os donos de cachorros não precisam de pesquisas para saber que o modo como são criados interferem diretamente no comportamento de seus animais.


segunda-feira, 1 de julho de 2019

Tradição e Ética



Foto: Paula Vianna


“Japão retoma caça comercial de baleias após mais de 30 anos”, é a manchete da reportagem assinada por Harumi Ozawa para a Folha de S.Paulo de hoje (1º.jul.2019).
“Nesta segunda, navios japoneses caçaram com arpão duas baleias em águas japonesas, inaugurando a retomada da caça comercial desse animal que estava interrompida há mais de três décadas.”
"É uma pequena indústria, mas estou orgulhoso da caça às baleias. A prática existe há mais de 400 anos na minha cidade", disse Yoshifumi Kai, presidente de uma associação de baleeiros, animado em voltar ao mar. "Acreditamos que as baleias são recursos marinhos como os peixes e que podem ser usadas de acordo com critérios científicos", explicou à AFP um funcionário do Ministério da Agricultura, Silvicultura e Pesca. "Determinamos cotas para não prejudicar as espécies", disse.
Alguns desejam preservar uma tradição, especialmente os idosos, que lembram que a baleia era sua única fonte importante de proteína no período pós-guerra. Para algumas cidades, “a caça à baleia representa uma razão de ser, se não econômica, pelo menos cultural e moral”.
Progressivamente o Japão está abandonando a caça às baleias em alto mar, não é uma interrupção completa, mas é um grande passo para o fim", afirmou  Patrick Ramage, diretor do programa de conservação marinha do Fundo Internacional para o Bem-Estar Animal (IFAW). A indústria baleeira, que conta com de 250 pescadores, "afundará rapidamente", prevê.
"Recebíamos [carne de baleia] na cantina quando eu era pequena, mas acho que não vou comê-la de novo. Acho que o Japão deveria tomar suas decisões levando em conta o resto do mundo, que diz que isso não está certo", declarou em Tóquio uma japonesa de 30 anos que pediu anonimato. 

Em uma notícia despretensiosa como esta, encontramos um grande embate de ideias: tradição centenária versus ética.
Interessante esta última informação: o Japão contra o mundo em defesa de uma tradição. (Parece que o mesmo se dá com relação às touradas em Espanha.) O argumento da tradição precisa ser levado em conta; são os costumes de um povo que estão em jogo, sua cultura, independentemente do dilema certo/errado.
No entanto, o que era ético há 400 anos, hoje pode não ser mais, e os povos têm o dever de rever costumes e tradições. É o que diz a japonesa anônima: hoje ela não come mais carne de baleia, levando em conta o que pensa o resto do mundo.
Quando o homem pode pensar, ele é capaz de mudar um costume de séculos. Se não pode pensar, costumes bárbaros, e outros não tão bárbaros como os rituais religiosos, precisam ser mantidos. 
De fato, não é fácil pensar.



domingo, 30 de junho de 2019

Questão de conhecimento


Aos 4 anos, entregou ao pai uma folha de papel escrita de cima a baixo.
– Lindo, meu filho, leia para mim!
– Sei escrever, não sei ler.