Parabéns, Ciça.
terça-feira, 2 de julho de 2019
Cecília fotógrafa
Cecília fotógrafa documenta com arte a viagem a Fernando de Noronha, paraíso de banhistas, mergulhadores e fotógrafos.
Parabéns, Ciça.
Parabéns, Ciça.
Expressão facial dos cães
Buldogue francês mostra o olhar que os cientistas chamam
de “AU101: sobrancelhas levantadas”.
Foto: May Altaffer/Associated Press
de “AU101: sobrancelhas levantadas”.
Foto: May Altaffer/Associated Press
A reportagem de James Gorman, para The New York Times (2 jul 2019), chegou sob encomenda para este blog. O título é sugestivo: Não resiste ao olhar de um cãozinho? Agradeça à evolução.
Os donos de cães conhecem bem a expressão de seu animal de estimação, “dizendo alguma coisa”, ou pedindo comida ou carinho. Expressão humana, costumamos dizer!
Os cientistas lhe atribuíram um rótulo sério: "AU101: sobrancelhas erguidas". “Equipe de psicólogos e especialistas em anatomia da evolução publicou na revista Proceedings of The National Academy of Sciences que os cachorros assumem esta expressão mais frequentemente e de maneira mais intensa do que os lobos. Na realidade, ao contrário dos lobos, os cachorros têm um músculo específico, chamado levator anguli oculi medialis, que ajuda a erguer as sobrancelhas.”
Anne Burrows, especialista em anatomia da Duquesne University de Pittsburgh, Pensilvânia, e outros pesquisadores, como Juliane Kaminski, psicóloga da evolução da Universidade de Portsmouth, Inglaterra, analisaram as expressões e a musculatura facial dos animais domésticos. Começaram com cavalos e gatos, e afirmaram que os cavalos têm movimentos faciais semelhantes aos dos cachorros, mas os gatos não.
Os cachorros foram objeto de inúmeros estudos. Há evidências de que os cães de abrigos que usam mais a expressão "AU101: sobrancelhas levantadas", têm maior probabilidade de serem adotados.
As sobrancelhas de Lila
Foto: A.Vianna
Comportamento de cachorros e lobos foram gravados em vídeos. “Conforme esperado, os cachorros levantavam as sobrancelhas mais frequentemente e de maneira mais intensa do que os lobos. Os pesquisadores dissecaram as cabeças de quatro lobos e seis cachorros, todos adquiridos depois da morte. Toda a musculatura era exatamente igual, com a exceção do músculo levator, que nenhum dos lobos tinha. Outro músculo, que variava nos lobos e nos cachorros, também estava relacionado ao movimento dos olhos."
“Os cientistas levantaram a hipótese de que os seres humanos favoreceram inconscientemente os cachorros que levantavam as sobrancelhas durante a evolução seletiva, relativamente recente. Segundo Anne Burrows, uma indicação tentadora que poderia levar a estudos futuros foi que um dos cachorros, um husky siberiano, parecia-se mais com os lobos e não tinha o levator anguli oculi medialis. Os huskies estão mais relacionados aos lobos do que outras raças, e pode ser também que seu talento para puxar trenós tenha sido mais importante do que um rosto expressivo no desenvolvimento da raça.”
Juliane Kaminski explicou que gostaria de saber se o modo como um cachorro é criado interfere neste comportamento.
Os donos de cachorros não precisam de pesquisas para saber que o modo como são criados interferem diretamente no comportamento de seus animais.
segunda-feira, 1 de julho de 2019
Tradição e Ética
Foto: Paula Vianna
“Japão retoma caça comercial de baleias após mais de 30 anos”, é a manchete da reportagem assinada por Harumi Ozawa para a Folha de S.Paulo de hoje (1º.jul.2019).
“Nesta segunda, navios japoneses caçaram com arpão duas baleias em águas japonesas, inaugurando a retomada da caça comercial desse animal que estava interrompida há mais de três décadas.”
"É uma pequena indústria, mas estou orgulhoso da caça às baleias. A prática existe há mais de 400 anos na minha cidade", disse Yoshifumi Kai, presidente de uma associação de baleeiros, animado em voltar ao mar. "Acreditamos que as baleias são recursos marinhos como os peixes e que podem ser usadas de acordo com critérios científicos", explicou à AFP um funcionário do Ministério da Agricultura, Silvicultura e Pesca. "Determinamos cotas para não prejudicar as espécies", disse.
Alguns desejam preservar uma tradição, especialmente os idosos, que lembram que a baleia era sua única fonte importante de proteína no período pós-guerra. Para algumas cidades, “a caça à baleia representa uma razão de ser, se não econômica, pelo menos cultural e moral”.
Progressivamente o Japão está abandonando a caça às baleias em alto mar, não é uma interrupção completa, mas é um grande passo para o fim", afirmou Patrick Ramage, diretor do programa de conservação marinha do Fundo Internacional para o Bem-Estar Animal (IFAW). A indústria baleeira, que conta com de 250 pescadores, "afundará rapidamente", prevê.
"Recebíamos [carne de baleia] na cantina quando eu era pequena, mas acho que não vou comê-la de novo. Acho que o Japão deveria tomar suas decisões levando em conta o resto do mundo, que diz que isso não está certo", declarou em Tóquio uma japonesa de 30 anos que pediu anonimato.
Em uma notícia despretensiosa como esta, encontramos um grande embate de ideias: tradição centenária versus ética.
Interessante esta última informação: o Japão contra o mundo em defesa de uma tradição. (Parece que o mesmo se dá com relação às touradas em Espanha.) O argumento da tradição precisa ser levado em conta; são os costumes de um povo que estão em jogo, sua cultura, independentemente do dilema certo/errado.
No entanto, o que era ético há 400 anos, hoje pode não ser mais, e os povos têm o dever de rever costumes e tradições. É o que diz a japonesa anônima: hoje ela não come mais carne de baleia, levando em conta o que pensa o resto do mundo.
Quando o homem pode pensar, ele é capaz de mudar um costume de séculos. Se não pode pensar, costumes bárbaros, e outros não tão bárbaros como os rituais religiosos, precisam ser mantidos.
De fato, não é fácil pensar.
domingo, 30 de junho de 2019
Questão de conhecimento
Aos 4 anos, entregou ao pai uma folha de papel escrita de cima a baixo.
– Lindo, meu filho, leia para mim!
– Sei escrever, não sei ler.
imensa cordilheira
a imagem da cordilheira
imensa
majestosa
cheia de mistério
impregnou a retina do viajante
ele revê fotografias
compulsivamente
na esperança de reencontrar o sentimento
provocado pela experiência
de vê-la de perto
imensa cordilheira
cheia de mistério
Foto: AVianna, jun 2019, Mendoza
IPhone8
sábado, 29 de junho de 2019
João é um menino esperto
Aos amigos Paulo e Flávia
João é um menino esperto de 4 anos, que por influência paterna torce para o Flamengo.
Com esta idade já escreve seu nome completo com letra caprichada e arrisca copiar uma ou outra palavra que encontra em jornais e revistas. Destaca-se no maternal pela permanente alegria e bom relacionamento com os coleguinhas. João é querido pelas professoras.
Qual não foi a surpresa do pai, quando o filho lhe entrega folha de papel escrita a lápis, de cima a baixo, com alguma coisa legível, outras nem tanto.
– Que lindo, João! Leia para mim o que está escrito.
Ao que o menino responde incontinente:
– Eu sei escrever, não ser ler.
Agora o susto do pai não tem mais tamanho. Como assim? Sabe escrever mas não sabe ler? E João emenda com autoridade:
– Leia para mim, pai.
Definitivamente embasbacado, o pai não sabe o que responder. Não deseja decepcionar o filho, orgulhoso daquela façanha. Mas não pode ler o que está “escrito”, se é que há alguma coisa escrita naquela folha de papel, pensa ele.
Inteligente e sensível, João percebe o embaraço do pai.
– Não tem importância, pai, minha mãe lê para mim.
João entrega a folha para a mãe, que “lê” sem qualquer dificuldade a história escrita pelo filho, para a alegria do menino e desespero do pai, praticamente um analfabeto.
O pior: quando perguntado sobre sua cor preferida, João responde:
– Verde!
Jovens de hoje
A crônica de hoje de Hélio Schwartsman para a Folha de S.Paulo (29 jun 2019), com o título Papo de velho, deve interessar a velhos e jovens, ao menos àqueles que ainda estão interessados em aprender alguma coisa nessa vida.
Schwartsman afirma que “A gente sabe que ficou velho quando começa a se perguntar o que há de errado com os jovens de hoje”. É que ele não consegue entender o comportamento dos estudantes universitários, que, “cada vez mais, advogam por “safe spaces” (espaços seguros), “trigger warnings” (alertas sobre textos potencialmente chocantes) e se metem em protestos exóticos, entre outras esquisitices”.
Ronald S. Sullivan Jr, advogado e professor de direito em Harvard, aceitou advogar para Harvey Weinstein, o produtor de Hollywood acusado de crimes sexuais. Alunos pediram a cabeça do acadêmico e a administração de Harvard anunciou que não renovará o contrato de Sullivan como “dean”, embora ele conserve sua posição como professor.
Informa Schwarttsman: “A primeira maluquice dos estudantes é confundir o advogado com seu cliente. Sullivan não é suspeito de nenhum delito. Talvez mais grave, os alunos estão sugerindo que existem crimes tão graves que as pessoas acusadas de tê-los cometido não devem nem ter direito a um advogado. Aliás, nem precisam passar por um julgamento para ser consideradas culpadas. Lamento dizer, mas isso é a negação dos pilares mais básicos do sistema de Justiça ocidental.”
O articulista diz que se sente estimulado sempre que se depara com “uma ideia que me tira de minha zona de conforto”. E mais: ”Isso é parte inafastável do processo de aprendizagem”. Com os universitários em questão isso não funciona assim. Dificuldade para pensar?
Há muito, vejo que jovens universitários vêm se tornando mais conservadores que seus professores, assumindo muitas vezes posições francamente retrógradas e reacionárias, e esta impressão não é fruto de minha imaginação ou preconceito; advém da longa experiência como professor universitário. Ao final de minha vida acadêmica, tal constatação atingiu seu ápice, colaborando para a decisão de minha aposentadoria. Não desejava mais trabalhar naquele ambiente.
Agora vem o brilhante colunista afirmar que está “oficialmente velho”, por não entender as atitudes dos moços. E conclui com ironia: “Mas isso tudo provavelmente não passa de papo de velho.”
quinta-feira, 27 de junho de 2019
Itamaraty e a ideologia de gênero
Segundo a Folha de S. Paulo, em reportagem de Patrícia Campos Mello (26 jun 19), diplomatas receberam nas últimas semanas instruções oficiais do comando do Itamaraty para que, em negociações em foros multilaterais, reiterem “o entendimento do governo brasileiro de que a palavra gênero significa o sexo biológico: feminino ou masculino”.
Pensava eu que gênero e orientação sexual eram construções sociais, e não apenas determinações biológicas. No entanto, para segmentos da direita, a “ideologia de gênero é um ataque ao conceito tradicional de família”.
“De acordo com fontes do Itamaraty, a instrução foi formalizada porque o Brasil, ao utilizar essa definição, quer evitar ambiguidades. Procurado, o Itamaraty afirmou tratar-se apenas da retomada da definição tradicional de gênero.”
Para Camila Asano, coordenadora da Conectas Direitos Humanos, essa medida pode “comprometer a credibilidade internacional do país”. “Se tal ordem não for imediatamente revertida, o Brasil se unirá a diplomacias que propagam posições retrógradas em espaços internacionais, ignorando avanços nacionais e globais na luta contra desigualdades e preconceitos”, afirma.
Informa ainda Patrícia Mello: “A nova instrução do Itamaraty se alinha a inúmeras declarações do chanceler brasileiro, Ernesto Araújo, e do presidente Jair Bolsonaro. Em discurso em seminário promovido pelo Itamaraty e pela Fundação Alexandre de Gusmão (Funag) no dia 10 de junho, Araújo criticou o globalismo, afirmando que o conceito promove ideias como a "ideologia de gênero", ao lado do “racialismo” — segundo ele, a concepção da sociedade dividida em raças — e do ecologismo, definido pelo ministro das Relações Exteriores como a ecologia transformada em ideologia.
“Se o Itamaraty orienta seus diplomatas dessa forma, o Brasil pode se distanciar de países que acolhem refugiados perseguidos justamente por essas razões. Isso mancha a reputação do país como referência na agenda de proteção a refugiados”.
O tema está sendo tratado aqui veladamente, responsabilizando apenas a chamada “direita”, seja lá o que isso possa significar, pela ideologia de gênero. Por trás disso tudo está o fundamentalismo religioso que assola nosso país. Ninguém se assuste se, de repente, o Itamaraty passe a defender o Criacionismo, ou até mesmo, o Terraplanismo.
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