sexta-feira, 7 de junho de 2019

Ilustre visitante



Apresento-lhes o ilustre visitante que apareceu ontem por aqui, macaco prego de cara preta, grande,  pelagem bonita. Passou um bom tempo comendo o galho de uma sapucaia. Quando eu assobiava para ele, ele respondia. Não posso dizer que é da Família, mas será sempre bem-vindo. Da próxima vez ofereço-lhe uma banana.








Fotos: AVianna, jun 2019, jardim.
Nikon D7200, lente AF-S Nikkor 18-300 mm

quarta-feira, 5 de junho de 2019

Eutanásia aos 17 anos




“Adolescente de 17 anos, traumatizada por múltiplos estupros, morre após pedir eutanásia na Holanda.” Esta a manchete publicada hoje por El País, na reportagem de Isabel Ferrer, (Haya, 5 jun 2019).  Ainda não foi confirmado se ela recebeu ajuda médica para pôr fim à vida.
Noa Pothoven, adolescente holandesa de 17 anos vítima de transtorno de estresse pós-traumático, anorexia e depressão, morreu no último domingo em sua casa, em Arnhem, Holanda. 
Informa Ferrer: “A primeira agressão sexual contra Noa ocorreu quando ela tinha 11 anos, em uma festa escolar. Até então, tinha sido uma menina alegre e com boas notas na escola. Um ano depois, voltou a acontecer, desta vez em uma festa de adolescentes. Quando completou 14, foi estuprada por dois homens em um beco da sua cidade. Na época não contou a ninguém. Só depois denunciou, e sua mãe, Lisette, explicou que reviver o ataque foi demais para sua filha. Desde então, ela sofria de anorexia, e sua vida virou um entra-e-sai de hospitais e centros especializados. Ao comprovar seu estado emocional, os juízes a internaram à força em uma instituição durante seis meses: lá foi imobilizada e isolada para que não se lesionasse. “Nunca, nunca mais voltarei para um lugar assim. É desumano”, disse Noa, tempos depois.”
Ao sair dessa clínica, a anorexia piorou. Sua família denunciou a falta de lugares apropriados na Holanda para casos como o de sua filha, que acabou hospitalizada e com uma sonda nasogástrica.” 
Em 2018 ela publicou um livro, intitulado Ganhar ou Aprender, em que contava sua história. O livro ganhou um prêmio em março passado, e Noa, na época, comentou: “Não sei se continuarei escrevendo”.


 
Capa do livro de Noa Pothoven

“Noa solicitou a eutanásia porque não aguentava mais seu sofrimento. “Serei direta: dentro de dez dias terei morrido. Estou exausta após anos de luta, e parei de comer e beber. Depois de muitas conversas e de uma análise da minha situação, decidiram me deixar ir embora, porque minha dor é insuportável”. "Não vivo há muito tempo, sobrevivo, e nem isso", contou na sua mensagem final. “O amor é deixar ir embora. Neste caso é assim”, acrescentou, aproveitando seus últimos dias para se despedir da família e amigos.”

A eutanásia é legal na Holanda desde 2002, e maiores de 12 anos podem solicitá-la se sofrerem de enfermidades sem cura e padecimentos insuportáveis. Até os 16 anos, é necessária a autorização dos pais. Na Holanda a eutanásia não costuma ser solicitada por adolescentes ou jovens com dores psíquicas, como é o caso aqui relatado. 



terça-feira, 4 de junho de 2019

Ebola na República Democrática do Congo



Ebola: 1.346 mortes em dez meses de epidemia
(Baz Ratner/Reuters)


AFP informa (4 jun 2019) que mais de 2.000 pessoas contraíram o vírus do ebola no leste da República Democrática do Congo.
1.346 delas faleceram desde o início da epidemia há 190 meses.
539 pessoas foram curadas.

       E o mundo mais adiantado economicamente, mais rico portanto, presta pouca ou nenhuma atenção a esta tragédia. Não é difícil imaginar o escândalo, com enorme repercussão na mídia internacional, se apenas uma pessoa morresse de ebola em Nova Iorque ou Paris.



Um olhar

Galeria de Família





A escola – o famoso Instituto de Educação “Conselheiro Rodrigues Alves” – tirou uma manhã para fotografar os alunos. Deve ter contratado um fotógrafo profissional.
            Os alunos sentavam em frente a uma pequena mesa, pegavam da caneta, fingiam escrever alguma coisa num caderno aberto sobre a mesa, os olhos pregados na câmera, e ao fundo a Bandeira Nacional, salve salve o pendão da esperança!
            Paulo Sergio foi assim fotografado ainda no curso primário, penso eu, usando suspensórios, o cabelo bem cortado, a mão esquerda fechada a sugerir alguma tensão, e o olhar mais doce do mundo! 

Duas meninas

Meus quadros favoritos


Egon Schiele

MEC Poppins

A charge do dia






segunda-feira, 3 de junho de 2019

Eternidade


"Quantas horas serão?"
Luiz Ruffato
In O Verão tardio


Quantas horas serão? É sempre assim. Acordo no meio da noite. Madrugada besta. Eu sem noção das horas. A escuridão é total. O silêncio absoluto. O tempo parou? Pensei. Serei eterno nesse instante? Melhor não voltar a dormir. Aproveitar a eternidade. Sinto-me estranho, imortal. Eterno! Imóvel, apenas posso pensar. Por quanto tempo aguento permanecer imóvel? Tenho medo de dormir. Medo de interromper esta eternidade. Permaneço acordado, faço força. Um super-homem. Super-homem que não pode agir. Só pode pensar, imóvel. Terei então respostas às perguntas fundamentais? Quem sou? De onde vim? Para onde vou? Faço silêncio (interior). ...Por quanto tempo permaneço em silêncio? Pensei. Difícil responder, o tempo parou. E as respostas não veem. Apenas o silêncio e a escuridão. O super-homem não sabe responder? Ninguém sabe responder? Sinto necessidade de respostas. Tenho a eternidade para descobrir. Pensei. E resolvi mudar meus pensamentos. Tenho todo o tempo do mundo. O último livro que li? O filme de ontem na tv? O resultado do futebol? Os números da loteria? Besteirinhas para distrair as ideias. Preciso limpar a cabeça. Não é pesadelo porque estou acordado. Mas parece. Que nada, não adianta. Retornam as perguntas fundamentais. Que tormento! Será pesadelo? Quem sou eu? De onde vim? Para onde vou? As perguntas martelam martelam martelam. Principalmente para onde vou. Será que vou ficar aqui? Preso no tempo que parou, imóvel. Imobilizado nessa madrugada besta. Que super-homem é esse? Merda de super-homem. Um ignorante. Os pensamentos remoendo. Minha cabeça dói. Eternamente? Pensei. Que eternidade é essa? Monótona cansativa enfadonha inútil estúpida. Não desejo esta eternidade para mim. Tenho medo de dormir. Acordo assustado, encharcado de suor. Ainda é madrugada.

domingo, 2 de junho de 2019

Benção



Nina Simone, minha Yorkshire de 15 anos está completamente surda.
– Que benção! ela me confessou.

Natureza morta

A foto do dia


Um retrato de Lênin em meio aos escombros de uma creche
Foto: David McMillan / Steidl


Há 25 anos David McMillan, o fotógrafo que captura a passagem do tempo na abandonada Chernobil, retrata a área da catástrofe nuclear e reinventa o conceito de natureza morta.

“As onipresentes referências a Lênin na cidade-fantasma continuam perenes em edifícios já deteriorados. Mas a natureza foi invadindo o espaço abandonado depois da explosão nuclear, como se vê nas fotos mais recentes de McMillan. Ao longo destas décadas, o canadense foi testemunha de como o ciclo da vida segue seu curso de uma forma muito particular.”

https://brasil.elpais.com/brasil/2019/05/29/cultura/1559120597_204230.html

Descaso


Ele não se importava com a morte. Talvez por isso tenha vivido 100 anos.