segunda-feira, 3 de junho de 2019

Eternidade


"Quantas horas serão?"
Luiz Ruffato
In O Verão tardio


Quantas horas serão? É sempre assim. Acordo no meio da noite. Madrugada besta. Eu sem noção das horas. A escuridão é total. O silêncio absoluto. O tempo parou? Pensei. Serei eterno nesse instante? Melhor não voltar a dormir. Aproveitar a eternidade. Sinto-me estranho, imortal. Eterno! Imóvel, apenas posso pensar. Por quanto tempo aguento permanecer imóvel? Tenho medo de dormir. Medo de interromper esta eternidade. Permaneço acordado, faço força. Um super-homem. Super-homem que não pode agir. Só pode pensar, imóvel. Terei então respostas às perguntas fundamentais? Quem sou? De onde vim? Para onde vou? Faço silêncio (interior). ...Por quanto tempo permaneço em silêncio? Pensei. Difícil responder, o tempo parou. E as respostas não veem. Apenas o silêncio e a escuridão. O super-homem não sabe responder? Ninguém sabe responder? Sinto necessidade de respostas. Tenho a eternidade para descobrir. Pensei. E resolvi mudar meus pensamentos. Tenho todo o tempo do mundo. O último livro que li? O filme de ontem na tv? O resultado do futebol? Os números da loteria? Besteirinhas para distrair as ideias. Preciso limpar a cabeça. Não é pesadelo porque estou acordado. Mas parece. Que nada, não adianta. Retornam as perguntas fundamentais. Que tormento! Será pesadelo? Quem sou eu? De onde vim? Para onde vou? As perguntas martelam martelam martelam. Principalmente para onde vou. Será que vou ficar aqui? Preso no tempo que parou, imóvel. Imobilizado nessa madrugada besta. Que super-homem é esse? Merda de super-homem. Um ignorante. Os pensamentos remoendo. Minha cabeça dói. Eternamente? Pensei. Que eternidade é essa? Monótona cansativa enfadonha inútil estúpida. Não desejo esta eternidade para mim. Tenho medo de dormir. Acordo assustado, encharcado de suor. Ainda é madrugada.

domingo, 2 de junho de 2019

Benção



Nina Simone, minha Yorkshire de 15 anos está completamente surda.
– Que benção! ela me confessou.

Natureza morta

A foto do dia


Um retrato de Lênin em meio aos escombros de uma creche
Foto: David McMillan / Steidl


Há 25 anos David McMillan, o fotógrafo que captura a passagem do tempo na abandonada Chernobil, retrata a área da catástrofe nuclear e reinventa o conceito de natureza morta.

“As onipresentes referências a Lênin na cidade-fantasma continuam perenes em edifícios já deteriorados. Mas a natureza foi invadindo o espaço abandonado depois da explosão nuclear, como se vê nas fotos mais recentes de McMillan. Ao longo destas décadas, o canadense foi testemunha de como o ciclo da vida segue seu curso de uma forma muito particular.”

https://brasil.elpais.com/brasil/2019/05/29/cultura/1559120597_204230.html

Descaso


Ele não se importava com a morte. Talvez por isso tenha vivido 100 anos.

insignificância





a pequena orquídea – 
da insignificância
surge a beleza







Fotos: AVianna, mai 2019, jardim.

sábado, 1 de junho de 2019

Estação Saint-Lazare

Meus quadros favoritos


Claude Monet

Ciça aprendendo




Cecília e colegas participam do Congresso Latinoamericano de Ginecologia Infanto Juvenil, em Assunção, Paraguai. 
Parabéns, Ciça!

Beethoven sempre



Theatro Municipal apresenta ciclo dedicado a Beethoven
Foto: Fabiana Stig


As nove sinfonias de Beethoven serão apresentadas na sequência, em três dias, no Theatro Municipal de São Paulo, com a Orquestra Sinfônica Municipal sob regência de Roberto Minczuk. É o que informa João Luiz Sampaio, para O Estado de S. Paulo 
(31 mai 2019). 
            Desejo destacar as opiniões do maestro – que é quem entende do assunto –  sobre a importância do evento e das obras a serem apresentadas.
            “Elas [as sinfonias] representam, diz o maestro Roberto Minczuk, “o apogeu da música ocidental”. “Se Bach instituiu os pilares da música ocidental, é Beethoven que cria a noção de música moderna, que define os parâmetros da orquestra sinfônica. É ali que a orquestra começa de fato a se desenvolver. Ninguém havia feito nada parecido.” 
“As sinfonias não são raras na temporada de concertos no Brasil, mas a interpretação das nove, em sequência, em três dias, é menos frequente. E é a isso que se propõe a Orquestra Sinfônica Municipal, sob regência de Minczuk, a partir desta sexta, 31, com a participação do Coro Lírico, do Coral Paulistano, da soprano Lina Mendes, da mezzo-soprano Keila de Moraes, do tenor Fernando Portari e do baixo Sávio Sperandio.”
“As sinfonias foram escritas por Beethoven ao longo de um período de 24 anos, entre 1800 e 1824. Ocupam, portanto, um espaço de tempo que vai de meados da carreira aos anos finais do compositor, quando ele já estava surdo. “É notável a evolução de Beethoven ao longo das obras, como o é também quando consideramos o ciclo das 32 sonatas para piano”, diz Minczuk. “Mas é importante lembrar que, desde o começo da sinfonia n.º 1, já há algo novo: ela não começa de forma pomposa, mas sim de maneira misteriosa, algo completamente sem precedentes.”  
“Para Minczuk, a importância que as peças ganharam vai além de questões técnicas, como a utilização de novos instrumentos na orquestra ou a presença de um coro e de solistas, como na Sinfonia n.º 9. Para ele, há nelas uma simbologia e um significado que precisam ser contemplados tanto por quem toca como por quem ouve.”
“Beethoven foi evoluindo em termos de grandeza, sonoridade, de extremos, foi rompendo com paradigmas, escandalizando o público. A força e a violência do início das sinfonias n.º 3 e 5, por exemplo, mostram um autor frustrado com a própria surdez, com a dificuldade da vida em sociedade, com os próprios traumas. Essas sinfonias expõem claramente sua revolta. Mas, ao mesmo tempo, Beethoven é sempre positivo: os dramas e traumas convivem com a esperança, com a ideia de que a vida, com todas as suas dificuldades, vale a pena ser vivida”, diz o maestro.”
“Ele ressalta, no entanto, que as obras são muito contrastantes entre si. “Não há nada parecido entre elas, os movimentos são sempre diferentes em caráter, você não consegue identificar um padrão se repetindo. Na Sinfonia n.º 3, você tem o impacto de um compositor que levanta as bandeiras da Revolução Francesa, que fala de ideais, liberdade, igualdade, que fala da ruptura com a monarquia e a aristocracia. Já na Sinfonia n.º 6, o que ouvimos é a importância do contato com a natureza, o canto dos pássaros, o barulho dos riachos, o fascínio pela vida no campo. E se a 9.ª traz todo o aparato coral para o universo das sinfonias, a 7.ª é símbolo da simplicidade, a simplicidade que apenas um gênio é capaz de atingir.” 

As sinfonias, por Minczuk:

“Sinfonia nº 3: é a sinfonia que, simplesmente, mudou a história da música. 
 Sinfonia nº 4:  a introdução é quase misteriosa e, de repente, a música se transforma. 
 Sinfonia nº 5: a força, a contundência: é a primeira música de rock da história.
 Sinfonia nº 7: há algo de luminoso, de dança, mistério. Uma obra fascinante. 
 Sinfonia nº 9: ela nos lembra que é preciso reconhecer a bênção que é viver.” 

            Com humildade, este blogueiro nada tem a acrescentar, além de que há muitos anos vem ouvindo Beethoven.



sexta-feira, 31 de maio de 2019

Genograma da Gabriela


Gabriela, minha neta de 8 anos e meio, recebeu como dever de casa a construção de um genograma (acho que não usaram este termo na escola), contendo três gerações. E ficou muito bonitinho!



            Eu nunca tinha ouvido falar na palavra Genograma, de modo que fui ao Google e encontrei um texto muito bom, que reproduzo aqui resumidamente. (Naturalmente só eu não sabia o que é um genograma.)


GENOGRAMA (Idealizado por Murray Bowen em 1954) é um Instrumento de coleta de dados familiares.
O genograma é a representação gráfica da família. Nele são representados os diferentes membros da família, o padrão de relacionamento entre eles e as suas principais morbidades. 
Podem ser acrescentados dados como ocupação, hábitos, grau de escolaridade e dados relevantes da família, entre outros, de acordo com o objetivo do profissional.
        A demonstração gráfica da situação permite que o indivíduo pare e reflita sobre a dinâmica familiar, os problemas mais comuns que a afligem e o enfrentamento do problema pelos membros da família.  
O genograma possui dois elementos fundamentais: 

 1  . Os elementos estruturais trazem as informações relativas a composição familiar, data de nascimento, grau de escolaridade, ocupação, hábitos, patologias, mortes e separações. 
2  . Os elementos funcionais mostram a dinâmica funcional da família, como a família se relaciona, como reagem frente a dificuldades e stress por exemplo. 

Situações indicadas para utilização do genograma: 

Sintomas inespecíficos  
Utilização excessive dos serviços de saúde 
Doença crônica 
Isolamento 
Problemas emocionais graves 
Situações de risco familiar
Mudanças de ciclo de vida 
Resistência ao tratamento ou dificuldades de aceitar o diagnóstico 
Alterações nos papeis familiares por eventos agudos 

Qual a contribuição do genograma? 

1  . Permite que a equipe de saúde conheça o indivíduo em seu contexto familiar e a influência da família em sua vida. 
2  . Conhecer as doenças mais frequentes na família e o padrão de repetição das mesmas, possibilitando ações efetivas de promoção de saúde nos seus descendentes. 
3  . Conhecer e explorar junto a familiares as suas crenças e padrões de comportamento. 
4  . Tem valor diagnóstico e terapêutico. 

Observação: o texto acima foi encontrado no endereço abaixo, e está apócrifo. Mesmo assim, pareceu-me bom.

Segunda observação: o avô de Gabriela por parte materna deve ser doente mental, e isso é importante na avaliação do genograma!



quarta-feira, 29 de maio de 2019

Míledi e Jussara


Para nossa honra e alegria, fazem parte da Família Míledi Brasil Marotta e sua esposa Jussara Capucho Uchoas Marotta, e agora se fazem presentes nesta Galeria.
          Não conheço muito Jussara, embora já tenha estado em sua casa em São Paulo, onde fui regiamente recebido. Pela escolha que fez para marido, só pode ser uma boa pessoa.
          Míledi, estou seguro, é uma pessoa extraordinária! Sofre de cardiomegalia, ou seja, tem coração grande demais. Vivi com ele experiência muito difícil, e sei do que estou falando. Além do que sua alegria é contagiante. 
          O casal gosta de viajar e tirar fotografia.
          Paulo, meu irmão, pode confirmar todas essas minhas impressões.