sexta-feira, 3 de maio de 2019

Ondina lava roupa Foto n.9




Desconheço o local desta cena: Ondina lavando roupa. Não sei se é do tempo de solteira, em Floriano. Ou se já está morando em Taubaté, onde nasceu o segundo filho, de nome Paulo (dizia ela que a casa era muito pobre, e a água de poço). Não sei.
Ela está em frente ao que parece um tanque rústico e lava a roupa em uma enorme bacia. O quintalzinho é minúsculo, ladeado por uma cerca de bambu, o chão recoberto por material indefinido, talvez folhas secas ou cascalho. O lugar parece precário, pobríssimo mesmo.
            A qualidade da fotografia não é boa, entretanto o sorriso de Ondina é comovente! Parece uma pessoa feliz.

quinta-feira, 2 de maio de 2019

La portugala tradukis

 
Poucos minutos antes da hora do almoço alguém toca a campainha. É o carteiro, diz Belarmina. O carteiro, hora dessas? interrogo. Será uma multa de trânsito?
Era o carteiro, e trazia com ele uma pequena encomenda, um embrulho caprichosamente feito à mão, de papelão, recoberto por papel branco, amarrado com fino barbante amarelo. Em letra manuscrita estavam meu nome, endereço completo com CEP e tudo, o carimbo da postagem de 24 de abril de 2019, e o bilhete Registrado dos Correios. Uma obra prima de embrulho! Tão bonito que tive a ideia de fotografá-lo, antes de abrir. O remetente, meu irmão Paulo Sergio.


Tomado por certa agitação – os dois ovos fritos quase queimaram na frigideira, não fosse Belarmina acudi-los – abri com uma faquinha o esmerado embrulho. O que encontrei ainda era mais precioso: uma caixinha medindo exatamente 7,5 x 5,0 x 3,8 cm, de cartão revestido de papel branco, lombada verde, com o título Dom Casmurro, de Machado de Assis. Ela continha um pequeno livro, uma verdadeira miniatura, pouco menor que as citadas dimensões, com as mesmas inscrições da caixa.


Ao abri-lo, depois da folha de guarda, na segunda folha, os dizeres:

DOM CASMURRO

el la portugala tradukis
Paulo Sergio Viana

Sanpaulo
2019



Há momentos que valem por uma vida inteira, e este foi um momento de felicidade plena. O significado do presente estava desde logo expresso no capricho do embrulho. 
            Paulo traduziu para o Esperanto a obra prima de Machado de Assis, agora publicado na delicada forma de uma miniatura, mas perfeitamente legível.
            Minha mulher perguntou, E você vai ler? ao que respondi, Além de ter o livro, ainda preciso lê-lo? Confesso, com certo constrangimento, não leio ou falo Esperanto. O constrangimento deve-se ao fato de que meu irmão é um ícone do Esperanto nacional, mundialmente conhecido. Já traduziu para o Esperanto até mesmo José Saramago, além de outros romances de Machado. Eu, rematado ignorante.
            Adorei o presente!

Machado era negro




(Clique na foto para ver melhor)


Machado de Assis era negro, informa Tiago Rogero para O Globo (1 mai 2019).
Muita gente não sabe disso, e as fotografias do escritor, como eram em preto e branco, foram sendo retocadas com o passar do tempo, foram embranquecendo.
Afirma Rogero: “Para reparar essa “injustiça histórica”, a Faculdade Zumbi dos Palmares e a agência Grey lançaram a campanha “Machado de Assis Real”. A partir desta imagem clássica à esquerda, que “muda a cor da sua pele, distorce seus traços e rejeita sua verdadeira origem”, a equipe da campanha criou a foto da direita, respeitando o tom de pele e os fenótipos negros do autor de, entre outros, “Dom Casmurro” (1899).”  
“A ideia é que cada um entre no site, imprima a foto nova e cole sobre a antiga em seus livros. Há também um abaixo-assinado para que as editoras e livrarias “deixem de imprimir, publicar e comercializar livros em que o escritor aparece embranquecido”. 
Informa a campanha: “Trata-se de uma “errata histórica feita para impedir que o racismo na literatura seja perpetuado e para encorajar novos escritores negros”.  
O leitor faça seu julgamento a respeito do assunto.


Paula premiada





Paula premiada em concurso internacional, em duas categorias!Única representante do Brasil. A Família está orgulhosa!

quarta-feira, 1 de maio de 2019

Aldravia N.82



orquídeas
semprebelas
cor
e
forma
esfuziantes


Green book - o guia



Eu não me lembrava, mas fui advertido de que em 1989, recebeu Oscar de Melhor Filme o ótimo Conduzindo Miss Daisy, onde uma senhora branca conservadora tinha como motorista um homem negro, a suscitar discussões sobre racismo e desigualdade social.
Quase trinta anos depois surge o igualmente ótimo Green Book, o guia, agora com papéis invertidos: um negro educado, artista renomado, contrata um sujeito branco, racista, semianalfabeto, bronco ao extremo, para trabalhar como seu motorista e assistente. A direção é de Peter Farrelly. 
Viggo Mortensen revela desempenho espetacular como o motorista Tony Lip (ou Tony Bocudo), apelido perfeito porque ele só fala besteira. Mahershala Ali está no papel de Don Shirley, ou Doutor Shirley, um negro com pós-graduação em música e outros saberes, conceituado pianista, líder do trio que toca um jazz maravilhoso. 
Dr. Shirley e Tony saem por uma turnê de dois meses (o pianista liga para a esposa do motorista para saber se ela autoriza o marido permanecer fora de casa por período tão longo) pelo sul dos Estados Unidos, no início dos anos 60.
O preconceito racial estúpido reinante na época (e não faz tanto tempo assim!) é exposto cruamente, quando o artista precisa se hospedar em hotéis baratos, frequentar restaurantes de baixa categoria, usar banheiros só para negros. O green book indicava os locais permitidos aos negros.
Ao viver essas experiências, Tony torna-se mais tolerante e Shiley aprende com ele. Tudo com bastante humor e toques de delicadeza que chegam a emocionar! (As relações humanas vividas com intensidade sempre acabam por nos ensinar muitas coisas. É a escola da vida.) E o filme faz a gente pensar, o que não é pouco.
O mais interessante, intrigante mesmo, são as razões pelas quais o artista negro resolve apresentar-se à sociedade branca e racista do sul dos Estados Unidos, e submeter-se a tantas humilhações, o que seu motorista branco não consegue entender. Deixo a interrogação para o leitor, que espero veja o filme.
O roteiro é escrito por Nick Vallelonga (filho de Tony Lip na vida real). 
Um ótimo filme!


terça-feira, 30 de abril de 2019

Cachorrada Foto N.8


O amor pelos animais, especialmente por cães e gatos, é característica marcante da nossa família. Em nossa casa, em Brasília, chegamos a ter 7 cachorros e alguns gatos, ao mesmo tempo!
            Na foto, da direita para a esquerda de quem olha, estão Camões, Dora, Berta, Lenda (deitada), Nina Simone e Lola. 




            A fotografia me dá vontade de chorar. Eles estão todos mortos, com exceção de Nina Simone, filha de Camões e Lola, nascida aqui em casa. São perdas sentidas por toda a vida, pessoas da família, e que merecem estar nessa Galeria.

            Camõesinho, Carmoneda, Benito de Paula, Juan de Marco, eram todos apelidos carinhosos, aos quais ele respondia com a cabeça; foi a primeiro a chegar.



Não era mesmo o Benito de Paula?


                Agora temos, além da Nina, as grandes, Falena e Juliete, e as pequenas, Blimunda (ou Branca) e Lila (ou Vermelha).

 




Êta cachorrada!

Sunrise in Hallerbos Forest

Meus quadros favoritos



Vitaliy Shevelev

Pintor ucraniano contemporâneo.

Sabedoria



Tudo pela Educação

Primeira rodada




A primeira rodada do Brasileirão 2019 foi um tremendo sucesso!
            Levando-se em conta as primeiras rodadas da Série A (na era dos pontos corridos), os jogos do fim de semana tiveram a segunda maior média de gols: 3,3 gols por partida, média excelente. Em 2007 a média de gols foi de 3,9.
Palmeiras, Ceará e Athletico-PR foram os times que mais balançaram as redes(típico jargão futebolístico), com 4 gols cada. 
A média de público foi de 20.368 pagantes por partida, um ótimo desempenho. O Grêmio levou 32.318 pagantes para o jogo com o Santos.
A primeira rodada também marcou a estreia do VAR na Série A. Das 10 partidas realizadas, houve consulta ao árbitro em 9 delas, com bons resultados para a arbitragem. O VAR veio para ficar, não há mais o que discutir.
Futebol bom é assim, vontade de jogar e bola na rede. 


 Foto: Marcos Ribolli