quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Banksy 3


Deu no Estadão de hoje (18 out 2018):

“O artista de rua Banksy revelou que sua obra Girl With Balloon (Menina com Balão), leiloada no dia 5 de outubro na casa Sotheby's e imediatamente autodestruída de forma parcial, deveria ter sido cortada em pedaços totalmente, mas o sistema instalado na moldura do quadro falhou.”

O artista diz ter se inspirado numa frase de Pablo Picasso: "A necessidade de destruir é também uma necessidade criativa".

O leitor tire as suas conclusões.



quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Data da erupção do Vesúvio

A foto do dia



Foto: Ciro Fusco / EFE

Novas escavações em Pompéia revelam lindos afrescos. Numa das paredes foi encontrada a data da erupção do Vesúvio: 24 de outubro, e não 24 de agosto, como se pensava, por causa da carta escrita por Plínio, o Jovem, a Tácito.


Wildlife Photographer of the Year 2018





Imagem vencedora deste ano: dois macacos-de-nariz-arrebitado, ameaçados de extinção, são fotografados sentados sobre as pedras, olhando fixamente na mesma direção. 
(Reportagem de Jonathan Amos, para a BBC News, 17/10/2018).
Os vencedores da premiação foram anunciados na noite de terça-feira em um jantar de gala no Museu de História Natural de Londres, na Inglaterra. 
A foto campeã foi tirada pelo fotógrafo holandês Marsel van Oosten nas montanhas chinesas de Qinling. 



terça-feira, 16 de outubro de 2018

Haja estômago!




"Ex-médico Roger Abdelmassih é condenado a 181 anos de prisão por estupros e inspira minissérie."
            Esta a manchete estampada na página do G1 de hoje (16 out 2018); ontem teve início, na TV aberta (Globo), a minissérie Assédio, estrelada por atores de peso. 
De fato, são duas manchetes em uma: a condenação do criminoso e a criação da minissérie. Subliminarmente, a primeira é chamariz para a segunda: Senhores, vejam na tv a história do criminoso condenado a 181 anos de prisão.
            A arte imita a vida? Ficção inspirada na realidade? Seja lá o que for, ao ver o magnífico Antonio Calloni representar o papel do médico psicopata, no primeiro capítulo da série, minha vontade era de vomitar. Os olhares lascivos e doentios do personagem, além da cena de estupro, deixaram-me perguntando sobre as razões para a criação de minissérie como esta.
            Sensacionalismo barato e de mau gosto? Exploração da curiosidade mórbida do telespectador? Interesse financeiro apenas? E o que pensarão as 39 mulheres, vítimas de 52 estupros, ao verem – talvez reviverem – as cenas de tamanho realismo e crueldade? 
            Porque se trata de assunto doméstico e ainda presente nas páginas dos jornais e na Internet, a impressão que se tem é de realidade pura, e não de ficção. Minha impressão subjetiva era a de que estava assistindo a um documentário.
            O tema violência contra a mulher está na ordem do dia, com muita propriedade. Será esta, a apresentação de uma série de tv, a melhor forma de tratar do assunto estupro? Se for, haja estômago.
            Meu sábio irmão certamente diria: Qual a necessidade?
            




Banksy volta à cena



Seriam vítimas de uma nova armadilha? É o que os curiosos que se amontoavam na calçada da New Bond Street, de Londres, no último sábado, se perguntavam. 
            A razão do espanto? A Sotheby’s anunciara que, durante este fim de semana, o público poderia ver exposta a obra de arte que provocou tanto alvoroço: Menina Com Balão, do grafiteiro Banksy. 
Aliás, o artista rebatizou sua criação, que passou a chamar-se Love Is In the Bin (O Amor Está no Lixo), depois que foi triturada no leilão. 
Mas o que este blogueiro deseja destacar é a mais recente avaliação  da compradora da obra.  A mulher (anônima) que adquiriu a tela por mais de um milhão de euros (4,37 milhões de reais) manteve a decisão de ficar com ela, apesar de semi-destruída.
Afirmou ela: “Depois do susto inicial, comecei a perceber aos poucos que tinha nas mãos uma peça da história da arte”.
            Esta foi a opinião deste blogueiro, expressa no dia seguinte ao leilão: A pintura picotada ainda vai parar em um grande museu do mundo, tal qual o urinol de Marcel Duchamp! Ela representa um momento único na História da Arte. (https://loucoporcachorros.blogspot.com/2018/10/o-espetaculo-de-banksy.html)
            Para onde vai este mundo de deus?



domingo, 14 de outubro de 2018

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Filósofo em meditação

Meus quadros favoritos


"Filósofo em meditação"

Rembrandt (1632), Museu do Louvre


            Dois pontos distintos, opostos, contrários, chamam a atenção do observador desde a primeira mirada à pintura de Rembrandt: a luz que vem da janela e a escuridão no alto da escada. Conhecimento e razão opõem-se desde sempre à ignorância e insensatez.
            O filósofo, à luz da razão, permanece quieto; ele pensa, provavelmente. Mas sabe que a poucos passos está a longa e sinuosa escada do aprendizado, espiral sem fim.
            No canto inferior esquerdo da pintura uma mulher aviva o fogo; ela trabalha (enquanto o filósofo medita), e dali também emanam luz e calor.
            Há uma pequena porta atrás do velho sentado, que permanece fechada; talvez represente o conhecimento proibido ao humano.
            Trata-se sem dúvida de uma cena doméstica. A cor marrom do interior – cor de terra – contrapõe-se ao amarelo dourado da luz que penetra na janela. A curvatura da janela tem continuidade com o teto, com a parte inferior da escada e com o piso iluminado, formando um círculo perfeito. Mais uma vez a técnica do claro-escuro.
            Estas são as associações que Rembrandt em mim suscita.
            

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Madrigal


Meu amor é simples, Dora,
Como a água e o pão.

Como o céu refletido
Nas pupilas de um cão.


                             José Paulo Paes
                             Poesia Completa, Cia das Letras, 2018.

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

O espetáculo de Banksy




A obra “Garota com balão”, cópia de desenho de Banksy feito originalmente num muro em Londres em 2002, depois de ser vendida por um lance de 1 milhão de libras esterlinas, foi imediatamente autodestruida por um dispositivo remoto desconhecido.
            Lance espetacular de marqueting!




                   A pintura picotada ainda vai parar em um grande museu do mundo, tal qual o urinol de Marcel Duchamp! Ela representa um momento único na História da Arte.

terça-feira, 9 de outubro de 2018

Oásis na Savana


     
  
Oásis de vegetação na África
Foto: Monica Nobrega/Estadão


O biólogo Fernando Reinach, em artigo para O Estado de S.Paulo (6 out 2018), Oásis na Savana, destaca que há milhares de anos, no período neolítico, o homem conseguiu melhorar o ambiente em que vivia, deixando marcas que podem ser observadas até hoje. 
Afirma Reinach: “As Savanas africanas, onde pastam os grandes herbívoros e vivem os grandes carnívoros, têm um solo extremamente pobre, que sustenta uma vegetação rala. Florestas e campos luxuriantes são raros. Mas se você observar a região com um satélite vai descobrir milhares de círculos de aproximadamente 100 metros de raio onde a vegetação é luxuriante, e pequenas florestas podem ser vistas.”  
Muitos desses círculos têm pequenos vilarejos habitados por criadores de gado e outros herbívoros, contendo um curral onde o gado é recolhido durante a noite. Naturalmente, as fezes do gado tornam o solo mais fértil. Porém, há um número muito maior desses círculos que o esperado pela quantidade de habitantes que existe na área. 
Agora surge o fato mais interessante: os cientistas decidiram escavar exatamente onde estavam esses círculos férteis não ocupados. O resultado foi surpreendente, afirma Reinach: “Em quase todos esses locais, foram descobertas ruínas de povos pastorais da época neolítica (1,5 mil a 3,7 mil anos atrás), o que indicava que talvez esses locais fossem os currais das culturas neolíticas da África. Mais interessante é o fato de que nesses locais não se acharam indícios de ocupação recente, o que indica que essa ilha de fertilidade teria sido criada por seres humanos milhares de anos atrás.” 
A presença de seres humanos do neolítico fertilizou essas ilhas de terra, resultando em aumento da biodiversidade, atraindo mais herbívoros, árvores e pássaros. 
Conclui Reinach: “É boa notícia, que reforça a ideia de que as intervenções humanas não são obrigatoriamente destrutivas. Quem poderia imaginar 2 mil anos atrás que um curral cheio de fezes iria se transformar em um luxuriante oásis?”
            O que chamou a atenção deste blogueiro foi a fantástica ideia dos cientistas de escavar exatamente nos oásis inabitados, em busca de algo que ignoravam completamente. Encontraram vestígios de povos pastorais.
            Lembrei-me de minha experiência no hospital King’s College, em Londres, nos anos 80. Quanto os pesquisadores, médicos e cientistas, sentavam-se para o chá – acompanhado de insípidos biscoitos –, pela manhã e à tarde, a conversa entre eles era quase sempre sobre pesquisa. Surgiam ideias brilhantes, às vezes mirabolantes; eles não estavam preocupados com a viabilidade dos projetos, apenas exerciam a arte de pensar sobre Pesquisa. Muitas ideias eram aproveitadas e desenvolvidas pelos 50 componentes da Unidade de Fígado do hospital, quase todos estrangeiros. A conversa era sempre enriquecedora. Penso que isso faz a diferença.