quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Unha-de-gato


A unha-de-gato (Dolichandra unguis-cati), pertencente à família Bignoniaceae, floresce no mês de outubro na região central do Brasil, em geral no alto da copa das árvores, e tem coloração amarelo forte. É popularmente conhecida como unha-de-gato, cipó-de-gato, cipó-de-morcego ou cipó-ouro. 
Pode ser usada como planta ornamental, principalmente na decoração e cobertura de muros e paredes externas, semelhante ao uso da hera (Hedera helix). 
A unha de gato (D. unguis-cati) é utilizada na medicina tradicional, para tratamento de doenças venéreas, como anti-inflamatório e antimalárico. “Suas propriedades anti-inflamatórias são atribuídas à presença de lapachol, um composto que também está presente em outras Bignoniáceas, como nas cascas do Ipê-roxo (Handronathus impetiginosus). A espécie é rica em flavonoides e também em ácido quinóvico, um composto que pode ser utilizado como antidoto nos acidentes com cobras venenosas. O caule ainda pode ser fonte de tanino, utilizado em curtumes e corante para tinturaria.” 
O crescimento da planta pode levar vários anos, sem florescimento, o que só vai acontecer com a ramagem madura, quando forma vistosa cascata de flores amarelas.
Há vários anos observamos na matinha que enfeita nosso quintal uma certa árvore que ficava amarela nessa época do ano, ao final da seca. Seriam flores ou folhas amarelecidas pela seca? Até que nesse ano desvendou-se o mistério, com a explosão de flores nas copas de várias árvores, uma lindeza mesmo, que tentei registrar nas fotos abaixo. É a unha-de-gato!









Fotos: AVianna, out 2018
Nikon D7200, lente Nikkor 18-300 mm

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

Historinha do Sabiá Valente


Para minha querida Gabriela


Historinha do Sabiá Valente




Na tarde quente de outubro 
sabiá observa o jardim
camuflado entre galhos secos.



Olha para baixo, atento
encontra a vasilha de água
dos cães que guardam a casa.



Desce, e apoiado na borda 
debruça-se sobre a vasilha
em busca da água fresca.



Afunda mais a cabecinha
ignorando o risco de vida
o perigo de um ataque canino.



Termina de beber sua água
a salvo dos cachorros bravos
olhinhos brilhando de alegria.



Então voa, busca lugar seguro
na árvore mais próxima
dentre tantas em seu jardim.


                       FIM





Suiriri-cavaleiro de peito amarelo


                    sol quente do meio-dia
            o suiriri-cavaleiro de peito amarelo
            espreita o jardim
            observa a água da piscina
            resolve dar um mergulho
            prepara o voo
            dispara
            espirra água delicadamente
            sai refrescado
            canta de alegria










Fotos: AVianna, out 2018, jardim.
Nikon D7200, lente Nikkor 300 mm

Clique nas fotos para ver melhor.

terça-feira, 2 de outubro de 2018

Aldravia N. 76




Flora
Emílio
Olívia
num
domingo
feliz


Foto: Paulo S. Vianna, set 2018, Lorena.

vermelho & amarelo




com delicadeza
pousa no galho florido
a visita ilustre


Foto: AVianna, out 2018, jardim.
Nikon D7200, AF-S Nikkor 300 mm

Suzete joga conversa fora


Meu querido André,

preciso desabafar. Não aguento mais notícias de eleições, nos jornais, na tv, no rádio, no celular, a Internet invadindo nossa vida com fatos e fakes, atormentando nossos miolos, tirando o sono, causando pesadelos.
            (Antes de prosseguir com minhas queixas, preciso dizer que fiquei assustada com o modo instantâneo e definitivo com que a palavra fake entrou na língua portuguesa, passando para trás mentira e falso; melhor ficaria notícia falsa, mas não, fake tomou conta do pedaço e não há o que se possa fazer contra isso, ninguém controla a língua, não é mesmo?)
            O que mais me irrita é o Brasil parado, completamente imobilizado pela expectativa de alguma mudança que acho improvável. Ah!, podemos mudar para pior, isso sim.
            Ainda bem que trabalho não me falta, tirante os carecas, todos os homens cortam cabelo. Preciso estar atualizada, sempre na moda, pois cada dia me aparece alguém pedindo um corte mais extravagante que o outro. O mais em voga é o cabelo puxado para trás, com um coque no alto da cabeça, as laterais raspadas, coisa de jogador de futebol. Eles pedem, eu faço.
            Li duas crônicas no seu blog sobre cinema e quero falar sobre isso. Vi Paraiso perdido e adorei! Chorei até! Acho que é o melhor filme brasileiro que já assisti até hoje! Nunca vi tanta delicadeza, mesmo tratando de assuntos difíceis, num ambiente de risco, em meio a relações humanas intensas e conturbadas. E as músicas, meu Deus, que lindezas! Os atores não são cantores, mas interpretam as canções tão bem, que acabam cantando melhor que os próprios cantores. As cores são lindas, o guarda-roupa sensacional, fotografia de primeira. Filmaço!
            Agora, você me desculpe André, mas não concordo com o que escreveu sobre o Benzinho. Não achei nada óbvio. Que bobagem sua. Fiquei com muita pena daquela família, tantos filhos, o homem da casa um paspalhão, a mulher tendo que se virar dia e noite, todos entrando pela janela, ninguém para consertar o raio da porta, mas nunca perderam a ternura, e isso não é óbvio, André querido. Ainda bem que você reconhece o valor da atriz principal, a tal de Karina Teles, muito boa mesmo. Você sabia que os gêmeos do filme são filhos dela de verdade? O pior, continuam naquela mesma vidinha até hoje. Não é um alerta para a vida da gente? Pode ser. Tem gente que passa a vida toda entrando pela janela... (Gostei demais do comentário do Paulo, no blog, sobre o filme. Bem, Inês é morta, e você não pode acertar sempre. Não fique triste nem com ciúme do irmão poeta. Talvez você estivesse num mau dia quando viu o filme, acontece, liga não.) Filmaço!
            Você acredita que a palavra filmaço não consta do VOLP? Mas encontrei ela no Dicionário Informal, que muito aprecio porque dá bem a ideia de língua viva e mutante. Sabe André, cada vez gosto mais das palavras! Qualquer palavra, às vezes uma palavra besta como filmaço, fico pensando nela horas a fio, divagando, não há outra que seja tão expressiva. Foda-se que não conste do VOLP. (Outro dia vi na livraria um livro com o título Foda-se estampado em letras enormes na capa, e achei de mau gosto, porém o autor foi corajoso. Não comprei o livro.)
            Depois de desancar com sua crítica sobre Benzinho, preciso dizer que a coisa ainda pode piorar para o seu lado, André: nunca tive coragem para confessar, mas torço para o Corinthians. Mas devo admitir que o Palmeiras está melhor no momento.
            Nada pode nos separar, não é mesmo?
            Eram essas coisinhas sem importância, ninharias, que desejava escrever para você, pelo simples prazer de lidar com as palavras. Me responda logo, por favor.
Da sempre sua
                                    Suzete.

Caliandra rosa





esponjinha rosa
fogos de artifício
festa no jardim



Foto: Mercêdes Fabiana, set 2018, jardim.

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Celular em sala de aula



Islands, de Pawel Kuczynski (2015)


A ideia de que o uso de celulares em sala de aula é nocivo ao aprendizado tornou-se corrente, porém agora o efeito negativo foi quantificado, o que é fundamental. Pelo menos é o que afirma pesquisa da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo, publicada na Computers & Education, revista especializada britânica. É o que informa Érica Fraga (30.set.2018) para a Folha de S. Paulo. 
A piora na aprendizagem pelo uso intenso de smartphones leva a uma queda significativa dos alunos em um ranking que a FGV elabora para classificá-los —considerando suas notas, mas também fatores como o grau de dificuldade das provas. 
Diz a pesquisa: “Cada cem minutos diários dedicados ao celular fazem com que um estudante recue 6,3 pontos na escala, que vai de 0 a 100. Segundo os pesquisadores Daniel Darghan Felisoni e Alexandra Strommer Godoi, isso pode ser suficiente para tirá-los da lista dos 5% melhores da turma, impedir que alcancem pontuação para cursar determinadas eletivas ou prejudicá-los em avaliação dos critérios para obtenção e manutenção de bolsa de estudos.”
O uso de smartphones no horário das aulas é ainda mais nocivo: faz com que a queda de desempenho quase dobre. 
Entre os 43 alunos acompanhados, o que ficou mais tempo no celular gastou 6,5 horas diárias no aparelho, e a menor marca foi de 38 minutos. 
A hipótese corrente era que, acostumados desde cedo com a tecnologia, os jovens tinham capacidade de realizar tarefas concomitantes sem prejudicar sua capacidade cognitiva. "Percebia que o uso do celular nos deixava momentaneamente ausentes, mas que o conteúdo perdido poderia ser recuperado em seguida com a volta da atenção", diz Daniel.
Não foi o que ele e Alexandra descobriram ao analisar os resultados do experimento, que monitorou 43 alunos de administração de empresas por 14 dias consecutivos, em abril de 2016. O grupo aceitou instalar nos seus celulares aplicativos que medem o tempo gasto trocando mensagens, navegando em redes sociais, fazendo pesquisas e ligações.
Os pesquisadores concluíram que “o uso do celular é capaz de alterar a rota esperada. Sua utilização por cem minutos diários é suficiente para fazer com que um aluno ou aluna que tenha se classificado em 5º lugar no vestibular atinja na faculdade o desempenho esperado daquele que ficou em 100º.”
Faz tempo que este blogueiro bate nessa tecla.



Nobel de Medicina



Os pesquisadores James P. Allison, dos EUA, e Tasuku Honjo, do Japão, foram laureados nesta segunda-feira (1 out 2018), com o prêmio Nobel de Medicina pela descoberta de uma terapia contra câncer por inibição da regulação imunológica negativa. 

domingo, 30 de setembro de 2018

Homenagem ao tradutor



São Jerônimo


Afirma Karnal, para O Estado de S.Paulo (30 Set 2018): “Hoje é dia de São Jerônimo, padroeiro dos tradutores. Homem de cultura erudita e gênio difícil, o chamado “dálmata selvagem” foi assistente do papa Dâmaso no fim do século 4.º. Assim, 30 de setembro também é dia dos secretários e das secretárias. A obra máxima do santo é ter traduzido a Bíblia do grego e do hebraico para o latim. A versão das escrituras feita por Jerônimo, chamada de Vulgata, foi oficial para os católicos pelos séculos seguintes.” 
            Karnal nos oferece uma bela definição do que seja traduzir: 

“Traduzir é arte combinada com conhecimento, técnica e intuição. ...Traduzir é compreender ao máximo dois sistemas e lançar luzes sobre dois continentes separados pela maior fronteira humana: a cultura da língua.” 

            Dedico estas poucas palavras ao meu irmão Paulo Sergio Viana, pessoa dedicada à difusão do Esperanto no Brasil e no mundo, incansável, sempre disposto a ajudar os aprendizes, tradutor de José Saramago (O conto da ilha desconhecida) para o Esperanto (livro que se encontra hoje na Casa dos Bicos, em Lisboa, na Fundação José Saramago).
            O tradutor, antes de tudo, ama as palavras, seja numa língua ou na outra, e escolhe entre tantas, aquelas que mais lhe convém. Graças a ele, ao seu trabalho, lemos as obras primas da literatura universal, com palavras que podemos compreender.
            Salve São Jerônimo!