segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Aldravia N.75





surpresa
a
primeira
florada
do
nó-de-porco


Foto: AVianna, set 2018, jardim.
Nikon D7200, lente AF-S NIKKOR 18-300mm ED.

Gabriela faz 8 anos!







Parabéns, Gabriela!



Fotos: AVianna, set 2018.
Nikon D7200, lente AF-S NIKKOR 18-300mm ED



domingo, 9 de setembro de 2018

Resumo da solidão


Encostou-se no balcão, pediu duas doses duplas de uísque, virou os dois copos, foi-se embora sem dizer palavra.

Benzinho, o óbvio



Quando vou o cinema não desejo ver apenas o óbvio. Preciso de algo mais para sonhar.
            Benzinho, filme dirigido por Gustavo Pizzi (2018), mostra o óbvio, aquilo que estamos acostumados a ver em nosso cotidiano, nada mais do que isso. Uma família brasileira atrapalhada com o filho mais velho que vai jogar handebol na Alemanha.
            Marido, mulher e quatro filhos, os mais novos são gêmeos ainda pequenos, moram numa casa em que a porta da frente não abre e eles precisam entrar pela janela, caricatura barata da miséria em que vive grande parte da sociedade brasileira. Mais uma vez, o óbvio.
            Salva-se alguma coisa? Sim, a magnífica interpretação da protagonista, a mãe que se desdobra para tentar colocar alguma ordem no caos familiar. Trata-se de Karine Teles, natural de Petrópolis, atriz, roteirista, produtora, e que ficou conhecida por sua participação em Que horas ela volta? Seu desempenho é digno de figurar entre os melhores do cinema nacional.
            Registro, para encerrar, o opinião de Mario Sergio Conti – crítico respeitado – sobre o filme para a Folha (8 set 1018): “A novidade é “Benzinho”, de Gustavo Pizzi. É um melodrama convencional e despolitizado. Mas ao menos fala de uma família de classe média que peleja para não afundar junto com o Brasil.”


Karine Teles


sábado, 8 de setembro de 2018

Gata em branco e preto

fotominimalismo




Foto: Cecília Vianna, set 2018.


A visita da velha senhora




A programação cultural do fim de semana em São Paulo foi intensa e brilhante para toda a família.
            Começamos pela Nona Sinfonia de Beethoven, na sala S. Paulo, com a OSESP, um concerto inesquecível! Em seguida, no MASP, a exposição Histórias Afro-Atlânticas, maravilhosa! À noite, no teatro Sérgio Cardoso, vimos a peça A visita da velha senhora, de Friedrich Dürenmatt, sob a direção de Luiz Villaça. O elenco de primeira linha, com destaque para Denise Fraga, Tuca Andrada, Fábio Herford, entre outros.
            Não me considero crítico de coisa alguma, muito menos de teatro, área em que meu conhecimento deixa muito  desejar. O que faço a seguir é um simples registro de minhas ideias depois de assistir a peça.
            Saí do teatro sem saber se tinha visto uma comédia, uma farsa ou uma tragédia mal contada. Que a história era trágica, não havia dúvida. Será que o diretor errou a mão e a história virou uma falsa comédia? Foi o que pensei. A própria escolha de Denise Fraga, uma comediante reconhecidíssima, não teria sido um erro, a reforçar o exagerado tom de humor? 
            São boas perguntas, e só havia uma solução, pensei, era ler o texto original. Encontrei na Estante Virtual um único volume da obra, da Livraria Agir Editora (1963), com tradução de Mário Silva, livrinho em mau estado de conservação, cheirando a mofo.
            Pois não é que o diretor foi fidelíssimo à obra!
            E minha dúvida perdurou; melhor, acentuou-se: tragédia ou comédia?
            Até que cheguei ao Posfácio, escrito pelo próprio Dürenmatt. Reproduzo aqui o trecho final, “bastante esclarecedor”, em meu ponto de vista:

“A visita da velha senhora é uma peça má, mas, justamente por isso, não deve ser representada de modo mau, senão, ao contrário, do modo mais humano possível, com tristeza, não com cólera, mas, também, com certo bom humor, pois nada prejudicaria tanto esta comédia, que acaba tragicamente, quanto uma excessiva seriedade.”

Veja o leitor! Uma comédia que acaba tragicamente! Penso então que “não entendi” perfeitamente a tal visita... 

            

Nenhum mistério



Lançamento do sétimo livro de poemas de Paulo Henriques Britto:   
NENHUM MISTÉRIO
(Editora: Companhia das Letras ). 

            Dois poemas:

1.

Aprender enfim
a cruel lição:
a que só se aprende
por subtração:  
  
a que não saber
não é desvantagem
(pois nem sempre é ganho
um aprendizagem 
  
(o que vai de encontro
ao que muitos pensam),
e sim uma sorte,
uma vera benção:  
  
a que não é arte
nem tampouco ciência:
pois não há teoria –
só práxis – da ausência. 
  
(Mas dizer-lhe o nome
já é exorcizá-la:
quem a vivencia
cala.) 

2.

Não há nenhum mistério nesta história
em que o culpado se anuncia
ainda na primeira hora,  
  
e são tão copiosas as pistas
quanto inúteis, e o final
– que, é claro, já se sabia 
  
desde o início – é banal,
melancólico, besta
e isento de moral. 
  
Mesmo assim, esta
é a história lida
até por quem detesta  
  
toda a inútil narrativa,
até por não haver alternativa. 


quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Quartetos dissonantes

Mais 47 cenas de um romance familiar

O pai dizia pau, a mãe falava pedra, o pai vinho, a mãe água. Em tudo e por tudo defendiam com veemência pontos de vista opostos. Aprendi a abotoar a camisa de baixo para cima, segundo instruções de minha mãe, e de cima para baixo, de acordo com meu pai.
            Muitas vezes, apenas por pirraça. Ou cizânia azedume agastamento arranca-rabo malquerença chaça porfia quizila implicância cisma rusga testilha arenga paliota peguilha rebordosa querela. O motivo não importava.
            Certa vez, entretanto, o pomo da discórdia – maçã oferecida pela deusa Discórdia à mais bela – assumiu grande sofisticação, acompanhada de alguma graça e humor, o que justifica ser acrescida à Mais 47 cenas
A mãe apreciava a música erudita (o pai nem tanto, preferia o tango). Gostava dos clássicos, Bach, Mozart, Brahms, Chopin, mas Beethoven era um deus, acima de tudo e de todos. E era bastante razoável o senso crítico desenvolvido por ela, às vezes surpreendente:
     – A obra para piano de Chopin é magistral, mas os dois concertos para piano pecam pela fraca orquestração.
            Era peculiar a crítica que ela fazia a Villa-Lobos: adorava as Bachianas, não suportava sua música de câmera. Chamava de “barulhentos” os quartetos para cordas do ilustre brasileiro.
            Até que um dia, para espanto geral, o pai saiu-se com esta:
            – Fulano (não me recordo do nome) afirmou que os quartetos para cordas de Villa-Lobos estão acima de até mesmo dos quartetos de Beethoven.
            Não posso imaginar de onde o pai tirou tal ideia, já que não costumava interessar-se pelo assunto, mas a afirmação caiu como uma bomba, pois ao mesmo tempo que enaltecia os quartetos de Villa-Lobos, depreciava Beethoven, o que era realmente ofensivo.
            Cizânias.
            

Ainda sobre o hífen



REFORMA ORTOGRÁFICA: Hífen - prefixação
O caso dos prefixos e falsos prefixos
Márcia Lígia Guidin*
Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação
COM PREFIXOS OU FALSOS PREFIXOS
PREFIXOS
OU FALSOS
PREFIXOS
REGRAS
EXEMPLOS
OBSERVAÇÕES;
SAIBA MAIS 
Vogais iguais
1. Usa-se o hífen quando o prefixo e o segundo elemento juntam-se com amesma vogal.
anti-ibérico,
auto-organização,
contra-almirante,
infra-axilar,
micro-ondas,
neo-ortodoxo,
sobre-elevação,
anti-inflamatório.
Mas os prefixos coproprere se juntam ao segundo elemento, ainda que este inicie pelas vogais o ou ecoocupar, coorganizar, coautor, coirmão, cooperar, preenchimento, preexistir, preestabelecer, proeminente, propor reeducação, reeleição, reescrita
Vogais diferentes
2. Não se usa o hífen quando os elementos se unem com vogais diferentes.
autoescola, autoajuda, autoafirmação, semiaberto, semiárido, semiobscuridade, contraordem, contraindicação, extraoficial, neoexpressionista, intraocular, semiaberto, semiárido.
Consoantes iguais
3. Usa-se o hífen se a consoante do final do prefixo for igual à do início do segundo elemento. 
inter-racial,
super-revista,
hiper-raquítico,
sub-brigadeiro.
Se o segundo elemento começa com sr
4. Não há hífen quando o segundo elemento começa com s ou r; nesse caso, duplicam-se as consoantes. 
antirreligioso, minissaia, ultrassecreto, ultrassom. 
Porém, coforme a regra anterior, com prefixos hiper, inter, super, deve-se manter o hífen:
hiper-realista,
inter-racial,
super-racional,
super-resistente
Se o segundo elemento começa com hmn, ou com vogais
5. Usa-se o hífen: se o primeiro elemento, terminado em m ou n, unir-se com as vogais ou consoantes hm ou n.
circum-murado,
circum-navegação,
pan-hispânico,
pan-africano,
pan-americano.
Ex, sota, soto, vice
6. Usa-se hífen com os prefixos: exsotasotovice
ex-almirante,
ex-presidente,
sota-piloto,
soto-pôr,
vice-almirante,
vice-rei.
Escreva, porém, sobrepor
Pré, pós, pró 
7. Usa-se hífen com os prefixos pré, pós, pró (tônicos e acentuados com autonomia). 
pré-escolar,
pré-nupcial,
pós-graduação,
pós-tônico,
pós-cirúrgico,
pró-reitor,
pró-ativo,
pós-auricular.
Se os prefixos não forem autônomos, não haverá hífen: predeterminado, pressupor, pospor, propor.
O prefixo termina em vogalou r e b e o segundo elemento se inicia com h
8. Usa-se o hífen quando o prefixo termina em rb ou vogais e o segundo elemento começa com h.
anti-herói,
inter-hemisférico,
sub-humano,
anti-hemorrágico,
bio-histórico,
super-homem,
giga-hertz,
poli-hidratação,
geo-história.
A) Mas as grafias consagradas serão mantidas: reidratar, desumano, inábil, reabituar, reabilitar, reaver.
B) Se houver perda do som da vogal final, prefere-se não usar hífen e eliminar o hcloridrato (cloro+hidrato), clorídrico (cloro+hídrico). 
Sufixos de origem tupi
9. Usa-se o hífen com sufixo de origem tupi, quando a pronúncia exige distinção dos elementos.
Anajá-mirim,
Ceará-mirim,
capim-açu,
andá-açu,
amoré-guaçu.
Este quadro está apoiado nas obras:
BECHARA, Evanildo. O que muda com o Novo Acordo Ortográfico. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 2008.
INSTITUTO ANTÔNIO HOUAISS. Escrevendo pela Nova Ortografia. Rio de Janeiro/São Paulo, Houaiss/Publifolha, 2008.
GOMES, Francisco Álvaro. O acordo ortográfico. Porto, Porto Editora, 2008.



Peixe-pedra

fotominimalismo




Foto: Paula Vianna, Austrália, 2017