domingo, 25 de março de 2018

Inigualável!

A foto do dia


Domingo de sol em Ipanema!

Foto: Marcos Serra Lima / G1

Começa a Copa do Mundo



             Inspirado em Gabriel Garcia Marques, ouso dizer que o mundo está dividido entre os que adoram futebol e aqueles que o odeiam. Para alegria dos fãs e tristeza dos que torcem o nariz para o esporte, a Copa da Rússia começou. Começou ontem, com o amistoso entre Brasil e Rússia, no estádio onde os jogos serão abertos e encerrados.
            (Certa vez ouvi de um inglês pernóstico – perdoem-me o pleonasmo – que futebol é jogo da plebe, que jogo mesmo é o golfe. Não é esta a opinião da metade da população do planeta, que espera ansiosamente pelo início de mais uma Copa do Mundo.)
            Que amistoso que nada! Ambos os técnicos afiaram suas armas, colocaram em campo a melhor tática possível, dispostos a vencer o jogo a qualquer custo – a verdadeira abertura da Copa. Não havia grandes estrelas em campo: Neymar no estaleiro, a Rússia com dois craques machucados, indicando que o jogo poderia ser decidido pela estratégia.
            Não deu outra. Os russos colocaram cinco beques em linha, na entrada da grande área. À frente deles, mais três. Os que restaram, deviam voltar para ajudar a defesa. Verdadeiro “ferrolho suíço”, para os que se lembram desta antiga expressão.
            O escrete (outra expressão em completo desuso) enfrentou os russos, corajosamente, com cinco atacantes.
            Primeiro tampo: 0 a 0. Jogo duro, a Rússia chegou a perder um gol feito (interessante expressão: pois se estava feito, como foi perdido?), o que poderia ter mudado a feição do jogo.
            Segundo tempo: 3 a 0. Ninguém joga o tempo todo na defesa sem cansar e acaba por perder o jogo.
            Venceu, pois, a disposição tática. Tite ganhou!
            Torço para que isso se repita durante a Copa, enquanto nosso país se derrete em meio à corrupção desenfreada, incompetência política e desmandos do judiciário.

Foto: Sergei Karpukhin / Reuters

sábado, 24 de março de 2018

Kustelinha, ladrão de livros

A foto do dia



Kustelinha, o cachorro que roubava livros
Foto: Fátima Ferreira/Arquivo pessoal





Celular, um fômite perigoso


Pesquisa realizada por cirurgião da Universidade Federal
de Pernambuco constatou bactérias em 44 celulares
de profissionais que atuam em sala de cirurgia
Foto: Michaela Rehle / Reuters


            O colunista passa um pito nos cirurgiões! Não é de hoje que se fala no assunto dentro e fora dos hospitais, e em particular entre os cirurgiões, os que estão mais diretamente afetados pelo problema, pelo risco de infecção em seus pacientes.
O título do artigo de Hélio Schwartsman é Por favor, lavem as mãos (Folha de S.Paulo, 24 mar 2018). O estudo é de Cristiano Berardo, da UFPE, e revela que 88% dos aparelhos celulares que entraram em salas cirúrgicas (hospital do Recife) estavam contaminados com bactérias potencialmente patogênicas.
O articulista chama a atenção ainda para outros objetos “perigosos”, como o estetoscópio, jalecos, canetas, óculos, teclados, mouses, gravatas. (“Um estudo inglês de 2007 recomendou que médicos deixassem de usá-las. Ao contrário de jalecos, elas quase nunca são lavadas.”)
Schwartsman destaca então a importância da lavagem das mãos, com o objetivo de evitar as infecções. Porém, mesmo em hospitais de países desenvolvidos as regras de boa higiene não passam de 50%. E ele conclui: “É impressionante que, 150 anos depois de o húngaro Ignaz Semmelweis (1818-65) ter demonstrado a importância de os médicos desinfetarem as mãos, grande parte dos profissionais da área não tenha incorporado a prática a suas rotinas. É a prova de que nossos vieses são mais fortes que a informação — e essa certamente não é uma boa notícia.”
            Durante muitos anos, ao exercer atividade docente na Universidade de Brasília, costumava dizer aos alunos que bactérias não têm asas nem pernas, e colocadas num determinado lugar, dalí não saem, a menos que algo ou alguém as remova para outro canto. Para se deslocarem, elas precisam de um fômite. A palavra, originária do plural latino fomites, pavio, é estranha, pouco conhecida, e precisa ser divulgada.
            Fômite é qualquer objeto inanimado capaz de absorver, reter e transportar organismos contagiantes de um indivíduo a outro. Como o celular, do qual ninguém desgruda, nem mesmo no banheiro!
            O ato de lavar as mãos requer técnica adequada. (Observo que minha netinha Gabriela, 7, ao abrir a torneira da pia, passa a brincar com a água que escorre e nem mesmo esfrega a mão direita na esquerda, sabonete nem pensar, apenas mais uma brincadeira.) Há uma técnica para tudo e é bom lembrar que as mãos têm 2 faces, os dedos 4, há muita sujeira debaixo das unhas, tudo precisa ser limpo.
            Mesmo assim, depois de seguidas lavagens, haverá um número ainda maior de bactérias na superfície das mãos, daí a sugestão de que seja empregada solução de gel e álcool para desinfecção.
            O pito do colunista da Folha é portanto exemplar! Uma curiosidade: em crônica anterior ele confessa que traz diversos temas ligados à medicina porque é casado com uma médica. Obrigado, Doutora!