sábado, 21 de outubro de 2017


Luiz Munhoz / Folhapress


Volto ao amor pelos dicionários.
            Depois da postagem Amor ao dicionário, (http://loucoporcachorros.blogspot.com.br/2017/10/amor-ao-dicionario.html)
encontro na Folha de S. Paulo (21/10/2017) declaração de Elizabeth Roudinesco, 73, que não posso deixar de registrar.
            A reportagem é de Betty Milan, que entrevista a psicanalista, historiadora e escritora francesa a propósito do lançamento do Dicionário Amoroso de Psicanálise (sem previsão de lançamento no Brasil).
            O "dicionário amoroso" trata de diferentes temas, “para mostrar como a psicanálise se nutriu de literatura, cinema, teatro, viagem e mitologia para se tornar uma cultura universal”. Roudinesco se debruçou sobre livros e textos como A Consciência de Zeno (um dos melhores livros que já li), O Segundo Sexo; sobre figuras como Sherlock Holmes e Marilyn Monroe; sobre cidades e a relação com a psicanálise, como Nova York, Buenos Aires, Rio.
            A entrevistadora pergunta:

Folha - É seu segundo dicionário. A sra. parece gostar deles.

Elisabeth Roudinesco - Gosto muito da forma do dicionário, das listas. Minha primeira leitura foi o dicionário porque meu pai era um devorador de dicionários. Há diferentes tipos de dicionário, os da língua, as enciclopédias. Também gosto muito da internet.

            Aqueles que apontaram minha neurose pela tara por dicionários na citada postagem, agora devem incluir Roudinesco no mesmo saco.
            Interessante que a grande intelectual francesa cita ainda sua predileção pelas listas. A literatura está repleta delas, as listas, incluindo autores como Umberto Eco. O tema já esteve presente neste blog. (http://loucoporcachorros.blogspot.com.br/search/label/Listas)
            Parece que para essas pessoas há uma necessidade de ordenamento; ordem, não no sentido moral (a Ordem e Progresso da bandeira), mas no sentido de sequência, da continuidade, não sei se posso afirmar no sentido matemático: 1, 2, 3... Não tenho opinião formada sobre o assunto.
            Talvez listar coisas ou palavras transmita alguma tranquilidade, alguma paz. Como as listas geralmente são formuladas por escrito, eu as incluo no rol da Escrita Terapêutica.
            Listar acalma!

Peixes de água doce:

Tucunaré
Dourado
Surubim
Abotoado
Acará
Barbado
Bicudo
Dourada
Lambari
Mandi
Matrinxã
Pacu
Pintado
...

            Enfim, cada doido com sua mania: Eco, Roudinesco, Sérgio Rodrigues, eu e tantos outros, adeptos da Escrita Terapêutica, mesmo que não tenham consciência de que, o que fazem ao escrever, é terapia.




quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Fotoabstração N. 25





Amor ao Dicionário



           Falíveis e pesadões, dicionários são muito úteis, mas a língua é maior.” Com esta frase Sérgio Rodrigues definiu aquele que também é conhecido como pai-dos-burros, em sua crônica para a Folha de S.Paulo (19/10/2017).
            O cronista confessa, como este blogueiro, sua paixão por dicionários. “Tenho uma prateleira cheia deles”, diz ele; eu tenho cinco!
            Afirma Rodrigues: “Obras monumentais, os dicionários costumam inspirar um sentimento de reverência que frequentemente descamba para o fervor religioso. Muita gente supõe que todas as dúvidas sobre a língua possam ser esmagadas como moscas sob o peso de suas páginas.”
            Penso que já tive este sentimento de fervor religioso pelos dicionários, desde quando herdei de meu avô o Grande e Novíssimo Dicionário da Língua Portuguesa, de Laudelino Freire, em cinco volumes, encadernação de couro, editado pela José Olympio, 2a edição, 1954. (Pena que a capa do segundo volume esteja danificada, a exigir restauração.) Outra preciosidade (que nunca consultei): Dicionário Latino-Português, de Francisco Torrinha, Edições Maranus, Portugal, 1945. Dicionários de palavrões, tenho vários. De Gramática então nem se fala.
            Hoje consulto o deus Google.
  (Porém, o Dicionário Analógico da Língua Portuguesa, de Francisco Ferreira dos Santos Azevedo (Lexikon, 2010), continua em pleno uso, é obra fundamental para quem escreve ficção.)
            Continua Rodrigues: “Se a língua que usamos para dar conta do mundo é ágil, vertiginosa, dicionários são pesados e conservadores por definição. Isso é bom. Caso corressem para registrar todos os neologismos e gírias da moda, teriam que promover expurgos periódicos para se livrar de bobagens precocemente esquecidas.”
Porém, os dicionários de vez em quando comem mosca e omitem o que já é de domínio público. E o cronista nos oferece um ótimo exemplo: “Faz mais de meio século que "poeta" está consagrado entre falantes cultos como substantivo de dois gêneros, tanto no Brasil quanto em Portugal. ... Para a maioria dos lexicógrafos, "poeta" é vocábulo masculino e pronto. Até o "Houaiss", o melhor dicionário da língua portuguesa, nega-lhe o documento unissex que ele merece faz tempo.”
De fato, chamar Hilda Hilst de poetisa é mais que uma ofensa, é diminuir-lhe a obra.
Sério Rodrigues vai discorrendo sobre dicionários com a leveza e brilhantismo de sempre, até que chega ao surpreendente último parágrafo, que nada tem a ver (ou passa raspando) com o tema da crônica, mas não deixa de ser oportuno:

“O ex-procurador Marcelo Miller declarou à Polícia Federal que fez apenas reparos "linguísticos e gramaticais" a um esboço de delação da JBS. Achei frágil a defesa. A julgar pelo português de Joesley Batista, deve ter reescrito o documento inteiro.”

            Rodrigues perde a coerência mas não perde a piada, no país da piada pronta!




Nudibrânquios



“Os nudibrânquios constituem subordem de moluscos gastrópodes marinhos pertencentes à ordem dos opistobrânquios, na qual se encontram, por exemplo, as lesmas-do-mar.
Tais animais possuem as brânquias desprotegidas, fato que legitima seu nome. Sua variedade é enorme e chega a atingir 3000 espécies diferentes. Uma característica destes animais é a riqueza da paleta de cores que cobre o seu corpo e que lhes permite uma camuflagem eficaz nos recifes de coral que constituem o seu habitat.
Algumas espécies comem anêmonas e aproveitam os seus arpões urticantes integralmente transferindo-os funcionais para o seu próprio corpo. O mais interessante é que algumas espécies, por não conseguirem nadar com muita velocidade para fugir de predadores, secretam ácido sulfúrico para se protegerem.”



Foto: Paula Vianna.


Mais amigos da Paula










Fotos: Paula Vianna, out 2017, Grande barreira de corais, Austrália

Em tempo, estes fantásticos nudibrânquios têm no máximo 5 cm de comprimento. Parabéns à fotógrafa, pela habilidade em fotografá-los!

Paz cada vez mais distante


Base militar israelense em Hebron, onde 31 novos assentamentos
vão ser construídos. Hazem Bader / AFP


Israel acelera a expansão dos assentamentos na Cisjordânia. É o que informa a reportagem de Juan Carlos Sanz, diretamente de Jerusalém para El País (19 OUT 2017).
O governo israelense, que administra o território ocupado há 50 anos, aprovou nas últimas 48 horas a construção de 2.646 casas, segundo a ONG Paz Agora, organização pacifista fundada pelo escritor Amos Oz: "O avanço dos assentamentos nos distancia, a cada dia, da solução dos dois Estados".
A União Europeia exigiu esclarecimentos de Israel e pediu que reconsidere uma decisão "que vai em detrimento das iniciativas em andamento por negociações de paz".
Afirma Sanz que “O governo de Benjamín Netanyahu, considerado o mais conservador da história de Israel, está batendo recordes na construções de habitações em território ocupado palestino. Com as 1.292 aprovadas na terça-feira, e as 1.323 nesta quarta, a Paz Agora afirma que a expansão colonial chega a 6.742 casas em 2017, em diferentes fases de desenvolvimento urbanístico. As autoridades têm planos para construir até 12.000 casas este ano, segundo a France Presse, o que seria quatro vezes o registro de 2016 (2.629 habitações), seis vezes o de 2015 (1.982) e quase o dobro de 2014 (6.293).
A presença no Governo de coalizão (conservadores, nacionalistas religiosos, ultra-ortodoxos e extrema direita) de partidos que representam os interesses dos mais de 600.000 colonos na Cisjordânia e Jerusalém Leste contribuiu para impulsionar a ampliação dos assentamentos.”
A chegada de Donald Trump à Casa Branca acelerou esta expansão e Trump não considera que os assentamentos constituam obstáculo para a paz.
"O Governo perdeu as inibições e promove a expansão em ritmo recorde", afirma a Paz Agora. "Está claro que Netanyahu está dando prioridade a seu eleitorado, contra o Estado de direito e as perspectivas de paz".
            Portanto, cada vez mais distante a paz entre israelenses e palestinos, diante da passividade das demais nações.