domingo, 8 de outubro de 2017

Blade Runner 2049



            O primeiro Blade Runner é ótimo, para quem aprecia o gênero. O segundo não deve nada ao primeiro, se não é ainda melhor.
            Dentre tantos aspectos a comentar (a ambientação/paisagem é espetacular, bem como as mulheres), intrigou-me o uso de uma certa palavra, num filme futurologista: a palavra milagre.
            O vocábulo vem do latim miraculum, do verbo mirare, que significa maravilhar-se. Como não há ordinariamente explicação científica para o milagre, a palavra ganhou foro religioso, exaustivamente utilizada desde os tempos de Moisés, que abriu o mar, de Jesus, que andou sobre o mar, de N.S. Aparecida, que não foi encontrada no mar mas nas águas do Rio Paraíba do Sul. (Coincidência ou não, já no final do filme, há uma cena de vida ou morte sob as fortes ondas do mar, simplesmente maravilhosa!)
            Para os que creem, milagre é obra divina.
            Eis que em nosso filme, de repente surge a palavra milagre! Então, o roteirista, o diretor ou seja lá quem for, eles acreditam que em 2049 ainda haverá milagre e consequentemente um deus, ou vários deles, nunca se sabe.
            A depender do sucesso de bilheteria haverá um Blade Runner 3. É possível então que o tal milagre seja desvendado, e deixe de ser milagre. Ou não.
Quem viver, verá.

sábado, 7 de outubro de 2017

Entrevista com Suzete


Não há dúvida de que a pessoa de Suzete tem despertado interesse e certa curiosidade desde a publicação do Folhetim, tanto em livro (O mito do vaso partido e outros escritos – ExLibris editora, 2010), como no blog.  https://loucoporcachorros.blogspot.com.br/search/label/Folhetim
Os que acompanham nossa correspondência me pedem mais detalhes sobre a vida desta cabelereira que aprecia a boa Literatura. Depois de tanto tempo trocando cartas com ela, resolvi entrevistá-la, e o fiz pelo telefone, às 19 h de ontem (4 out 2017), depois que o salão fechou suas portas.
            Eis sobre o que conversamos:

A: Olá, Suzete, como vai? É um prazer entrevistá-la para o blog, e agradeço por isso.

Suzete: A honra é minha, André. Ou devo chamá-lo de Louco, como muitos fazem no blog?

A: Você escolhe.

Suzete: Vou bem, André, como sempre cortando cabelo de homem, lendo, (infelizmente os livros estão muito caros), escrevendo, para espanto geral e inveja de minhas colegas de salão.

A: E o melhor é que você ama tudo o que faz, não é verdade?

Suzete: Verdade! Podem dizer o que for, doutor T. andou tentando diminuir meu trabalho, o resultado você já sabe, escrevi na última cartinha.

A: Alguma novidade no salão?

Suzete: Ih! rapaz, você nem sabe. Outro dia entrou uma mulher com jeito de homem, meio bruta, camisa xadrez e calça jeans, tênis Nike masculino preto, foi logo perguntando Tem alguma Suzete aí?
O salão estava cheio, olhamos todas espantadas, inclusive as freguesas que estavam sendo atendidas e as que aguardavam.
            Tem sim, a gerente respondeu, É essa aí, apontando para mim, Mas ela só corta cabelo de homem.
            O silêncio então foi de morte e durou a eternidade! Depois que falou, Marly, a gerente, percebeu o fora que havia dado.
A mulher não se fez de rogada: É com ela mesmo que eu quero cortar.
Apontei minha cadeira de trabalho, ela sentou-se, Como é seu nome, perguntei, Rodrigo, respondeu firme, voz grossa, sem margem para qualquer dúvida.   
            O corte já ia adiantado quando resolvi lhe perguntar de onde me conhecia, pois havia entrado no salão falando meu nome. A resposta foi um susto para mim e será um susto maior ainda para você, André: Eu sigo o Louco por cachorros, foi lá que fiquei sabendo do seu gosto por cortar cabelo de homem.
            Veja você, o Louco está ficando conhecido, e eu com clientes novos.

A: Que história, Suzete! O desfecho muito me apraz.

Suzete: Mas o desfecho vem agora. Rodrigo conferiu o corte, passou a mão sobre a cabeça, disse que gostou, levantou-se da cadeira, ajeitou a camisa, pagou-me... e pediu meu telefone!

A: E você?

Suzete: Dei o telefone, ora essa, que não sou pessoa de preconceitos. Pode surgir daí uma amizade interessante, mas não haverá de passar de amizade. Fique tranquilo.

A: E as leituras, como estão?

Suzete: Você sabe que sigo quase sempre as dicas do Louco. Estou lendo Mais de uma luz, do Amós Oz, e gostando muito. O Homem é fera, pena que tenham dado o Nobel para um japa, em vez do Oz. No ano passado foi pior, deram o prêmio para o tocador de viola americano, uma vergonha.
            Ah, comprei no sebo um livrinho muito bonito de haicais, da Adriana Calcanhoto, e estou gostando. Ela não segue as mesmas regras que você, mas acho que isso não tem importância. Vou ler um:

no brasil floriu
entre os ipês
o haicai japonês

            Outro que amei:

o pato, menina,
é um animal
com buzina

            Pode parecer meio ingênuo, mas para uma cabeleireira...

A: Cabeleireira de muito bom gosto! Além das cartas que publico no blog, você tem escrito mais alguma coisa?

Suzete: Estou juntando crônicas para um volume intitulado Memórias de uma cabeleireira. O que você acha?

A: O título está ótimo! Vamos ver as crônicas. O caso do Rodrigo precisa entrar. Se concordar, faço a capa do livro para você.

Suzete: Que ótimo! Qualquer dia mando uma para você criticar, que você é bom nisso...

A: Vamos ficando por aqui, Suzete. Em outro momento esta entrevista haverá de prosseguir. Muitíssimo obrigado.

Suzete: O prazer foi meu. Grande abraço.



Ciça em Trieste






Fotos: Cecília Vianna, out 2017, Trieste, Itália, com celular.

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Ainda Paris Versailes


Parabéns, Mercêdes Fabiana!





Fotoabstração N.19





Kazuo Ishiguro, Nobel de Literatura



O escritor nipo-britânico Kazuo Ishiguro é o ganhador do prêmio Nobel de literatura deste ano.
            O autor tem publicados no Brasil livros como "O Gigante Enterrado", "Não me Abandone Jamais" e "Vestígios do Dia", pela Companhia das Letras.    
Nascido em Nagasaki, no Japão, aos 5 anos sua família mudou-se para o Reino Unido (sua obra é escrita em inglês).


Foto: Sarah Lee / Guardian


Assim escreveu Mario Vargas Llosa sobre a premiação:


“É, sem dúvida, um prêmio melhor do que o dado no ano passado a Bob Dylan e valoriza um romancista de primeira linha na tarefa de renovação da literatura em língua inglesa, e sobretudo a britânica, abordada por excelentes narradores destas últimas décadas aos quais ele pertence em primeira linha.”