quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Luisa Dörr só usa o Iphone


Luisa Dörr fotografa a embaixadora americana nas Nações Unidas, Nikky Haley, com um Iphone 7 Plus (Reprodução/Instagram)


Com o surpreendente título A fotógrafa brasileira que levou um iPhone à capa da ‘Time’, a reportagem de María Martín para El País (17 SET 2017) revela que a gaúcha Luisa Dörr retratou as mulheres mais influentes dos Estados Unidos com um celular.
Quando as mulheres que seriam retratadas viam chegar Luisa Dörr, perguntavam-se: “Mas onde está a câmera?” E a gaúcha carregava apenas um iPhone.
A ideia da revista Time era a de retratar as 46 mulheres norte-americanas mais importantes. Afirma Martín: “Mulheres acostumadas a grandes câmeras, lentes, flashes, produtores, maquiadores, uma tropa de assessores e cenários e que, desta vez, seriam submetidas à praticidade e ao silencioso clique de um celular, como qualquer simples mortal.”
Dörr ficou conhecida por seu trabalho no Instagram, com cerca de 66.000 seguidores. “A foto de Maysa ganhou fama, uma jovem negra da periferia de São Paulo cuja trajetória Dörr segue desde 2014, quando a menina, então com 11 anos, concorreu e ganhou uma espécie de Miss São Paulo, mas apenas para jovens negras.
Os retratos começaram com um iPhone 5s, mas a maioria foi tirada com um iPhone 7plus.
“Fotografar com um iPhone não significa que seja mais fácil. É preciso pensar na foto da mesma maneira, pensar na composição e trabalhar com a luz disponível. Luz natural, qualquer que seja”, alerta Dörr para responder à pergunta se seu trabalho pode ser considerado menos profissional que o executado com uma câmera. “Este projeto vai além do uso do telefone. O celular foi escolhido pela estética, mas a ideia e a criatividade de cada foto não são pensadas pelo iPhone, eu as penso.”
E agora, o que faço com minha Nikon D7200 equipada com lente AF-S Nikkor 18-300mm ED DX VR ?


Em tempo, no link abaixo é possível ver algumas das fotos de Dörr, inclusive a de Maysa, espetacular! 

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Amantes

Meus quadros favoritos


Pablo Picasso

Liberdade de expressão sempre


A Origem do Mundo, de Gustave Courbet (1866)


Não visitei o Queermuseu em Porto Alegre e só por isso relutei em tratar do assunto no blogue. Desde que as obras lá expostas quase que se tornaram de domínio público através da mídia, arrisco aqui meu palpite, em defesa de um certo ponto de vista.
Reações violentas de pessoas conhecidas minhas (para não dizer iguais a mim) e que eu julgava possuírem a mente mais aberta, igualmente motivaram esta minha manifestação.
Repito (incansavelmente) meu bordão: Tudo Na Vida É Uma Questão De Educação.
Informa o IBGE: 92% dos brasileiros nunca visitaram um museu e 93% nunca foram a uma exposição de arte. Daí a primeira conclusão: a exposição Queermuseum (qualquer exposição?) não passou de pérolas atiradas aos porcos. O povo completamente deseducado em matéria de Arte não poderia mesmo presenciar – e tolerar – tamanha provocação.
Eles jamais viram Picasso, Dalí, Klimt, Daumier, Egon Shiele, aos quais chamariam de obscenos, imorais, pervertedores de crianças. Jamais se depararam com A Origem do Mundo, de Gustave Courbet, exposta no Museu d’Orsay, em Paris. (As crianças visitam aquele museu livremente.).
São todas provocações, cada qual em sua época, e o que antes escandalizava, tempos depois já não escandaliza mais. Tal evolução faz parte de um processo civilizatório, no qual a Educação desempenha papel primordial. Intolerância e obscurantismo, muitas vezes exacerbados pelo fundamentalismo religioso, travam o processo civilizatório, buscando manter o homem dentro da caverna, coberto por uma burca.
Obscurantismo e intolerância não vencerão. Uma exposição se fecha, abrem-se cem outras mundo afora. Porque a Arte é necessária, ela alimenta o espírito, desde o tempo das cavernas.
Bem verdade que perdura – provavelmente desde a pintura rupestre – a interminável discussão sobre o que é Arte, e o que não é Arte. Para aqueles que protestaram em Porto Alegre (alguns continuam protestando!), aquilo que viram não era Arte, e eles têm todo o direito a esta opinião: basta que virem as costas e deixem o prédio da exposição. Ou nem lá apareçam. (Se algum deles tiver um blogue, que proteste no blogue!)
Fechar a exposição, NUNCA!
(A primeira apresentação do balé A Sagração da Primavera, de Igor Stravinski, quase não chegou ao final, tantos os apupos, vaias, gritos histéricos, o protesto de uma plateia furiosa e indignada diante de algo novo, muito novo, desconhecido, desconcertante, impossível de ser assimilado e por isso rejeitado a priori. No dia seguinte houve uma segunda apresentação do balé, agora ovacionada pela mesma plateia, recuperada do susto e capaz de enxergar e sentir aquela magnífica obra de arte.)
Estes que protestam diante do Queermuseu, do que é que têm tanto medo? De reconhecer em si mesmos algo que imaginam ver numa pintura ou escultura? A Psicanálise tratou e trata do assunto exaustivamente. Esta é a base do que chamamos Moralismo. Daí para a histeria, é um pulo.
Alguns poucos haveriam de se educar com a exposição Queermuseu – ou com qualquer exposição. Educar-se é penoso processo individual. Você pára diante de um quadro, de uma escultura, ou qualquer outro tipo de manifestação artística, olha, vê, analisa, pensa sobre o que está vendo, permite que fluam os sentidos, resta então uma impressão. Algo permanece impresso na alma. Você pode dizer Gostei! Ou Detestei. Não importa. A impressão está lá, e estará lá para sempre. O conjunto dessas impressões, constantemente acrescido de novas experiências, vai compondo nossa personalidade, nossa compreensão do que significa Arte, ao mesmo tempo que se desenvolve em nós sensibilidade, tolerância e menos preconceito. Vamos nos educando.
E tudo é mesmo uma questão de educação. Para tanto, a liberdade de expressão é fundamental. Cada vez que ela é cerceada, como ocorreu em Porto Alegre, precisamos protestar, em nome da Educação e do Processo Civilizatório.

A dança de Matisse

Meus quadros favoritos


Crianças imitam Matisse no Moma

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Linda capa

           Este blogueiro curte capas de livros e sem qualquer modéstia afirma que já produziu o astronômico número de 4 capas. Por isso reproduz esta nova edição do Evangelho segundo Jesus Cristo, do Saramago, com belíssima capa da Alfaguara. Parabéns Alfaguara. 




Educação no brejo



Deu no Estadão:

“Metade dos brasileiros adultos (entre 25 e 64 anos) não concluiu o ensino médio. O número é mais do que o dobro em relação à média (22%) dos países da Organização para Cooperação do Desenvolvimento Econômico (OCDE), que traz nesta terça-feira, 12, um estudo comparativo sobre índices educacionais entre 41 países, o Education at a Glance. Além disso, 17% não terminaram nem mesmo o ensino fundamental, ante 2% na média da OCDE. Os dados, divulgados nesta terça-feira, 12, se referem ao ano de 2015.”

Este blogueiro não tem mais forças para comentar essas coisas, apenas dá a notícia do jornal.


Manacá




manacá florido
esperança no jardim
em tempo de seca


Foto: A.Vianna, set 2017.

(Clique na foto para ampliar.)

Mabecos em assembleia



         Com o título espetacular Os cachorros selvagens que votam em assembleia, Javier Salas publica interessantíssima reportagem para El País (11 SET 2017).
Os mabecos, que vivem na África, são uma espécie selvagem da família dos cachorros. São animais muito sociáveis e saem em grupo para caçar. Eles contam com líderes que, pela hierarquia, alimentam-se da caça antes dos demais. Mas não há um poder absoluto dos membros dominantes do grupo.
Os mabecos, antes de começarem a se movimentar em grupo ou saírem para caçar, realizam reuniões vibrantes, “altamente ritualizadas”, com enorme importância social, “porque servem para representar a unidade como bando”. Porém, apenas um terço das reuniões terminam com o grupo saindo para caçar, o que intrigava os pesquisadores.
Afirma Salas: “Os cientistas da Botswana Predator Conservation Trust monitoraram exaustivamente 68 desses encontros, em cinco bandos diferentes, para chegar a esses sinais ocultos. E depois de revisar as gravações e cruzar dados com o resultado das reuniões, surgiu uma conclusão que, dizem, lhes pareceu inacreditável. Os mabecos se reúnem em forma de assembleia: votam se estão de acordo com partir ou se preferem ficar mais tempo ali.”

(Fico assombrado com a disciplina e determinação desses cientistas, toda uma vida a estudar o comportamento de cães selvagens na África!!! Graças a eles avança a Ciência.)

Os animais usam uma forte exalação pelo nariz, um tipo de “espirro sonoro”, para manifestar sua posição. Eles correm juntos, grunhem, levantam nuvens de pó, porém apenas “o número de espirros ouvidos em uma reunião era indicativo de seu resultado”. (Coiotes, cães domésticos e chacais, arfam, roncam e bufam para se comunicar.)
Dizem os cientistas políticos que “os mabecos dominantes do bando têm mais poder de barganha, mas esse sistema de votação oferece um contrapeso político para que nem sempre imponham seu critério (falham um quarto das vezes) e para que a classe baixa mabeca possa ter sucesso em suas convocatórias.”
Os gorilas de montanha, a partir de grunhidos, usam um sistema parecido. Os suricatas, as abelhas melíferas e os macacos-prego também votam as saídas coletivas.
Salas propõe que os especialistas em animais se deixem ajudar por sociólogos, porque as semelhanças de comportamento são importantes. É um tipo de Evolução das Espécies ao contrário: o que já sabemos dos humanos pode ser aplicado aos animais.
            Mas estamos aprendendo sempre com nossos irmãos.