domingo, 2 de julho de 2017

Pequenas livrarias revivem





As livrarias independentes, além de não estarem mortas, voltaram com força nos Estados Unidos. Em 2009, havia 1.401 livrarias independentes e neste ano elas já somam 2.321. A notícia é dada por Lúcia Guimarães, em O Estado de S. Paulo (01 Julho 2017).
Afirma Lúcia: “Em cidades como Washington, Boston, São Francisco, Chicago e Nova York, é comum noites com mais de um autor debatendo temas além da literatura, como política de saúde e educação”, nessas pequenas livrarias.
“As grandes cadeias de livrarias estão enfrentando a recente morte dos shoppings onde costumavam se instalar. É o que a mídia chama de “apocalipse do varejo”. Enquanto shoppings vão ficando desertos, a vida de pequenas cidades e subúrbios afluentes se volta ao comércio da rua principal e adjacências. É um estímulo à volta da livraria como ponto de encontro e conversa.”
ASSINARA reportagem traz ainda um dado interessante: apenas 6% dos leitores nos Estados Unidos consomem apenas livros digitais, e os livros impressos continuam a atrair leitores de todas as idades.
Conclui Lucia: “Mas a saúde das livrarias independentes mostra que é possível conviver com o e-livros sem abdicar dos prazeres do papel.”
Concluímos nós: fora da Literatura não há salvação.

Foto: Noel Riley


sábado, 1 de julho de 2017

O último quarteto: dois microcontos

K. já não era bom da cabeça. Depois de ouvir o último quarteto de Beethoven 132 vezes, suicidou-se.



L., depois de ouvir o último quarteto de Beethoven 132 vezes, achou que havia descoberto o sentido da vida.

Maconha em farmácias

A foto do dia



Tem início neste sábado a venda de maconha em farmácias no Uruguai. Sessenta por cento da população estão contra.

Foto: Matilde Campodonico / AP


ipê-rosa



desponta o ipê-rosa
sufocado pela mata
em busca de luz




Fotos: AVianna, jul 2017, matinha.

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Aldravia n.61



ásperas
podas
a
coluna
que
dói


Foto: A.Vianna, jun 2017, jardim.

Logoteca


Interessantíssima a crônica de Sérgio Rodrigues, autor festejado de "Viva a língua brasileira!" (Cia. das Letras), com o título Uma coleção de gulodices para quem tem fome de palavras, para a Folha de S.Paulo (29/06/2017).
Afirma Rodrigues: “A palavra "logoteca" não está nos dicionários. É um neologismo que significa coleção de palavras e que proponho aqui como tradução do inglês "philavery", também um vocábulo inventado. Acredito que "logoteca" seja uma daquelas traduções que melhoram o original. "Philavery", definido como "coleção idiossincrática de palavras raras e divertidas", foi um termo cunhado sem rigor etimológico pela sogra do inglês Christopher Foyle.”
            Rodrigues fala em “cultivar palavras raras como plantas de estufa”. E enumera algumas delas, com a respectiva “tradução” (sinônimos), que omito aqui, para instigar o leitor a aumentar sua própria logoteca: prolegômeno, coruscante, conspícuo, aura hierática, lábil, funâmbulo, pulcritude, logodedália,  campanudo, inconsútil, abispado, atrabiliário, prosápia, morigeração.
            Rodrigues, ao falar de palavras raras, bem que podia ter citado Evandro Affonso Ferreira, autor de “araã!”, “Os piores dias de minha vida foram todos”, “O mendigo que sabia de cor os adágios de Erasmo de Rotterdam”, dentre outros, escritor premiadíssimo, dono de uma logoteca imensa. Vai aqui minha dica para quem está interessado no assunto. (Além de mim e meu irmão, haverá mais alguém?)
            Confesso que sinto inveja de quem é capaz de criar uma palavra. Em seu ostentoso De amor e trevas, Amós Oz faz referência a um certo Tio Yossef, homem de grande saber linguístico, que inventou palavras para representar coisas simples de uso cotidiano como revista, lápis, geleira, camisa, estufa, rosquinhas, carga, monótono, rinoceronte etc, com o intuito de ampliar o vocabulário da língua hebraica.
            Sobre isso, Oz escreve (com emoção) texto que aqui reproduzo:

“Quem consegue criar uma nova palavra e injetá-la na corrente sanguínea de uma língua me parece que por muito pouco não conseguiria criar as trevas e a luz: se você escrever um livro, talvez com alguma sorte, as pessoas o lerão e apreciarão por um tempo, até livros novos e melhores aparecerem e tomarem o lugar do seu nas prateleiras. Mas aquele que criar uma nova palavra, este tocará a própria eternidade.”

            Amós Oz também tem fome de palavras! Talvez tenha o desejo de imortalidade, manifesto através da criação de palavras.