quarta-feira, 5 de outubro de 2016

inspiração




de onde vem
a arte abstrata de Rothko?
vem da natureza

Foto: A.Vianna, Ceará, set 2016.
Pintura: Mark Rothko

flor do mato




a imponente vanda
não vale mais
que a pequenina
flor do mato

Foto: A.Vianna, out 2016, jardim.

a cor

Ao  meu irmão Paulo,
mestre em quadras.



 




a mesma planta
a mesma flor
quanta diferença
faz a cor




Fotos: A.Vianna, out 2016, jardim.

Anular o voto!

            Morador de Brasília há mais de 40 anos, nunca escondi um certo constrangimento em confessar que tenho anulado meu voto nas eleições para governador do Distrito Federal. A escolha foi sempre entre o candidato péssimo e o pior ainda (aquele que nem superlativo tem). Resultado: voto nulo, para depois não passar raiva, como se diz por aqui.
            Porém, ouço constantemente dos politicamente corretos que anular o voto não é razoável, significa votar no pior, é deixar de exercer a cidadania, blá blá blá. Daí o constrangimento.
            Até que leio hoje no Estadão a crônica de Hélio Schwartsman intitulada Não votar é bastante lógico, que me lavou a alma! Ele não vê qualquer problema nas abstenções, votos brancos e nulos nas recentes eleições, aliás, sinal de democracia.
            Nos países onde o voto não é obrigatório, a abstenção varia entre 50 e 90 por cento.
            Segundo Schwartsman, “não há nenhum problema moral ou prático em anular o voto ou deixar de comparecer. O pleito vale do mesmo jeito. É preciso ressaltar apenas que, ao não votar, o eleitor também está tomando uma posição política, em geral favorável ao "statu quo". (O que também é discutível, em meu ponto de vista.)
Mas o que intriga mesmo o articulista “é a patrulha em favor do voto consciente, quando se considera que, do ponto de vista puramente racional, a decisão de não votar pode ser a mais sensata. Como em qualquer colégio eleitoral suficientemente grande a chance de cada sufrágio singular determinar o resultado é desprezível, o investimento em deslocar-se até a urna só supera o custo se o cidadão extrair satisfação pessoal do ato de votar. Muitos de fato têm prazer ao definir os rumos da nação, mas esse está longe de ser um sentimento universal.”
Aí está o xis da questão: a satisfação pessoal do ato de votar. Como obter prazer na escolha entre o ruim e o pior? E depois sentir-se culpado por ter eleito um filho da puta!



Resgate no Mediterrâneo

A foto do dia


Resgate no Mediterrâneo

Foto: Estadão.

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Melhora na Redação

A notícia é alvissareira e merece ser comemorada: as notas médias na prova de redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2015 subiram 10%, quando comparadas com o ano anterior.
O tema da redação foi "A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira". Dos 5.631.606 textos corrigidos, 104 obtiveram nota mil. Receberam nota zero 53.032 e as provas foram anuladas.
De acordo com o Inep, foram anuladas as redações que fugiram do tema ou desrespeitaram os direitos humanos.
Reproduzimos aqui uma redação nota mil, liberada pelo Inep.

“A violência contra a mulher no Brasil tem apresentado aumentos significativos nas últimas décadas. De acordo com o Mapa da Violência de 2012, o número de mortes por essa causa aumentou em 230% no período de 1980 a 2010. Além da física, o balanço de 2014 relatou cerca de 48% de outros tipos de violência contra a mulher, dentre esses a psicológica. Nesse âmbito, pode-se analisar que essa problemática persiste por ter raízes históricas e ideológicas.
O Brasil ainda não conseguiu se desprender das amarras da sociedade patriarcal. Isso se dá porque, ainda no século XXI, existe uma espécie de determinismo biológico em relação às mulheres. Contrariando a célebre frase de Simone de Beavouir “Não se nasce mulher, torna-se mulher”, a cultura brasileira, em grande parte, prega que o sexo feminino tem a função social de se submeter ao masculino, independentemente de seu convívio social, capaz de construir um ser como mulher livre. Dessa forma, os comportamentos violentos contra as mulheres são naturalizados, pois estavam dentro da construção social advinda da ditadura do patriarcado. Consequentemente, a punição para este tipo de agressão é dificultada pelos traços culturais existentes, e, assim, a liberdade para o ato é aumentada.
Além disso, já o estigma do machismo na sociedade brasileira. Isso ocorre porque a ideologia da superioridade do gênero masculino em detrimento do feminino reflete no cotidiano dos brasileiros. Nesse viés, as mulheres são objetificadas e vistas apenas como fonte de prazer para o homem, e são ensinadas desde cedo a se submeterem aos mesmos e a serem recatadas. Dessa maneira, constrói-se uma cultura do medo, na qual o sexo feminino tem medo de se expressar por estar sob a constante ameaça de sofrer violência física ou psicológica de seu progenitor ou companheiro. Por conseguinte, o número de casos de violência contra a mulher reportados às autoridades é baixíssimo, inclusive os de reincidência.
Pode-se perceber, portanto, que as raízes históricas e ideológicas brasileiras dificultam a erradicação da violência contra a mulher no país. Para que essa erradicação seja possível, é necessário que as mídias deixem de utilizar sua capacidade de propagação de informação para promover a objetificação da mulher e passe a usá-la para difundir campanhas governamentais para a denúncia de agressão contra o sexo feminino. Ademais, é preciso que o Poder Legislativo crie um projeto de lei para aumentar a punição de agressores, para que seja possível diminuir a reincidência. Quem sabe, assim, o fim da violência contra a mulher deixe de ser uma utopia para o Brasil.”

Infelizmente, o desempenho em ciências da natureza, linguagens e matemática piorou. Mas houve crescimento na prova de ciências humanas.
            Enfim, continuamos patinando em Educação.