Chegou em casa sério, de terno e gravata, às 2 da matina. Ao
tirar o paletó, surgiu o aventalzinho dos jogadores de sinuca. O tempo fechou.
sexta-feira, 2 de setembro de 2016
quinta-feira, 1 de setembro de 2016
Canivete suíço
– Por que
não comprou o livrinho? Tão lindo!
– Não ia ler
mesmo...
– Mas além de comprar, precisa ler?
– Mas além de comprar, precisa ler?
Aldravias de Pedro Cardoso
De uma conversa com meu
amigo Pedro Cardoso (de Brasília), sobre literatura, poesia e aldravias, ele
elaborou o belo e interessantíssimo texto que agora publico no Louco. Obrigado,
Pedro!
Aldravias concretas, é possível?
Sempre gostei dos
desafios, principalmente os poéticos. Na poesia a palavra ganha novos sentidos,
novas dimensões e por que não dizer, novos e irreverentes significados?
Pensando nisto foi que me veio a ideia de construir Aldravias no formato dos
poemas concretos. Sei que muitos haverão de achar estranho esta nova vertente,
mas ela não deixa de ser uma outra forma de deliciar-se com os ditos poemas.
Um dos grandes segredos
da poesia é que ela nos leva a imaginar coisas, fenômenos, acontecimentos, que,
de certo modo, vão além do significado puro e simples da escrita. Este
vislumbre pode ter vários significados e várias interpretações, isto, a meu
ver, é o que faz dos poemas algo sempre atual e desafiador.
Esta construção que ora
proponho confere ao autor a possibilidade do desenvolvimento de uma arte visual
e intelectual ao mesmo tempo, sem que haja prejuízo algum para o texto. Por
outro lado, poderá oferecer ao leitor mais atento uma configuração singular,
uma vez que a figura proposta nem sempre trará, em seu bojo, algo transparente
ao primeiro olhar.
A imagem deverá ser
“lida” independentemente do poema. Para que isto aconteça terá que estar, no
mínimo, subliminarmente contida no contexto. Por exemplo:
avião
comissão
de
frente
turbinas
recauchutadas
A figura, retratada,
não pode ser vista como uma fotografia. Terá, obrigatoriamente, que nos levar a
percebê-la. Neste caso, seriam os seios de uma mulher desnuda, dada a
disposição em que os vocábulos foram milimetricamente expostos.
A leitura precisa ser
feita como se descêssemos os degraus de uma escada, aos trancos. Isto mesmo,
tem que ser: palavra por palavra como elas foram expostas. Para que a imagem
criativa se torne uma realidade concreta em nosso cérebro. É importante
ressaltar que neste caso o poeta Aldravista se torna um Artista Plástico por
excelência.
Veja que não há, de
forma alguma, prejuízo para a Aldravia. Muito pelo contrário, a concretude do
poema oferece algo novo, diferente, apenas mais elaborado. Isto não implica
dizer que teremos um esforço extremo para sua elaboração.
Outro exemplo de Aldravia concreta:
ipê
ipê
branco
amarelo
neve
ouro
em
em
pleno pleno
cerrado semiárido
André Viana e Pedro Cardoso
Aqui temos uma Aldravia
composta, feita por dois autores. Uma completa a outra, o que não deve ser uma
obrigação. Podem perfeitamente ser opostas que não mudará nada.
Mesmo sendo dois
autores distintos, acredito que não seja necessário a autorização prévia do
primeiro, porque os créditos estão literalmente consignados. É imperioso dizer
que as parcerias criam vínculos poéticos duradouros. Aqui é possível imaginar
que o ipê-branco nasce no cerrado e que o amarelo, o de grande porte, floresce
nos pés de serra.
Outro ponto que
gostaria de abordar nesta minha proposta é o fato de que as Aldravias
deveriam ser tituladas. Por exemplo:
Maria Fulô
saia
justa
atributos
relevantes
mulata
assanhada
Veja que nesta
composição acrescentei propositalmente o título: Maria Fulô. No meu entender
este detalhe nada mais é do que o registro cabal do nascimento de um poema
oriundo de seis palavras aleatórias. Este fato confere a ele vida própria e
longa.
O título deve servir
como um norte para o leitor. É ele que indica o assunto da obra na sua
essência. Além disto, facilita sua identificação no contexto histórico. No pior
das hipóteses, individualiza a obra.
Para ilustrar meu
raciocínio, exemplifico com um fato bíblico e histórico: quando me refiro a um
dos sonetos de Camões que foi escrito há centenas de anos, tenho que me
reportar a ele através dos seus personagens, Labão, Lia e Raquel. Sem estes
dados sua identificação fica, no mínimo, comprometida. Se ele fosse
individualizado, sua identificação certamente seria muito mais tranquila e
fácil.
Para finalizar minhas conjecturas apresento mais dois exemplos que julgo
relevantes:
1º - Espelho
pétalas
pétalas
perfumadas
perfumadas
alhures
alhures
vasos
vasos
de
de
flores
2º - Vaso de flores
ipê
ipê
branco
amarelo
neve
ouro
em
riqueza
pleno do
cerrado
André Viana e Pedro Cardoso
A palavra CERRADO
serviu aos dois poemas sem que um se sobressaísse ao outro e viva a poesia
concreta!!!
Pedro Cardoso
terça-feira, 30 de agosto de 2016
além da palavra
presença afetiva do médico
empatia no olhar
mão que afaga
ouvir atento
silêncio que apoia
atitudes além das palavras
sentidas pelo paciente
afetos que guarda
e permanecem vivos
finda a consulta
encontro verdadeiro
entre duas pessoas
segunda-feira, 29 de agosto de 2016
quarta-feira, 24 de agosto de 2016
Amatrice
A foto do dia.
Vista aérea de Amatrice, região central da Itália, após terremoto.
Foto: Gregorio Borgia / AP
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