quarta-feira, 13 de julho de 2016

Juno fotografa

A foto do dia


Juno envia sua primeira imagem de Júpiter após manobra de inserção orbital, agora já presa à gravidade do planeta.
A imagem recém-divulgada pela agência espacial americana foi feita a cerca de 4,3 milhões de km, o que equivale a cerca de 11 vezes a distância Terra-Lua.
A sonda está inserida numa órbita bastante alongada de 53 dias, de modo que imagens de alta resolução, feitas durante a máxima aproximação, são esperadas somente para o dia 27 de agosto. Mas a espera valerá a pena.”



O grande dia




Hoje, o grande dia! Dia de festa. Dia de casamento.
Viemos de longe, viagem cansativa, quase uma aventura, em nome da celebração de uma vida.
            Acordo animado. Após o banho revigorante, dirijo-me para o belo salão do café-da-manhã, localizado numa casa de fazenda muito bem preservada, decorada com esmero e estilo.
            Ao entrar no salão, à direita, uma imagem belíssima. Grande janela, contendo no parapeito alguns vasos de flores. A begônia vermelha chama minha atenção, vista na contraluz.
            Antes mesmo de sentar-me à mesa para o generoso café, tomo da máquina fotográfica e dirijo-me à janela. Começo a fotografar, busco o melhor ângulo, experimento o flash para quebrar a contraluz, quero incorporar na foto o fundo com árvores frondosas, teremos uma bela foto, penso, e, de repente, piso em falso, perco o chão...
Despenco numa escada escura que me passou despercebida, rolo por vários metros, até perder a consciência. Acordo num leito de hospital, três dias depois da queda, completamente imobilizado, com inúmeras fraturas, completamente desorientado. Custo a relembrar o ocorrido, encontro na memória apenas um vaso de flores vermelhas, mais nada. Pergunto sobre o casamento e sou informado de que, de fato, aconteceu; fico imaginando em que clima de desolação. Permaneço internado, semanas após o acidente.
Antes mesmo de sentar-me à mesa para o generoso café, tomo da máquina fotográfica e dirijo-me à janela. Começo a fotografar, busco o melhor ângulo, experimento o flash para quebrar a contraluz, quero incorporar na foto o fundo com árvores frondosas, teremos uma bela foto, penso, e, de repente, piso em falso, perco o chão...
            Despenco numa escada escura que me passou despercebida, rolo por vários metros, mas não chego a perder a consciência. Não consigo me mover, a dor é insuportável. De imediato, percebo o braço esquerdo fraturado, e ao tentar mover a perna direita, vejo o pé desviado para fora: fratura de fêmur. Em pouco tempo que me parece a eternidade chega a ambulância. Sou imobilizado pelos profissionais e levado ao hospital. Para mim, nada de casamento. Nunca mais soube da minha máquina fotográfica.
Antes mesmo de sentar-me à mesa para o generoso café, tomo da máquina fotográfica e dirijo-me à janela. Começo a fotografar, busco o melhor ângulo, experimento o flash para quebrar a contraluz, quero incorporar na foto o fundo com árvores frondosas, teremos uma bela foto, penso, e, de repente, piso em falso, perco o chão...
Despenco numa escada escura que me passou despercebida, rolo por vários metros, mas não chego a perder a consciência. O corpo todo dói, mas parece não haver nada de grave comigo. Levanto-me com ajuda de um garçom, subo a escada com certa dificuldade, sento-me para o café da manhã. A máquina fotográfica seriamente danificada.
Antes mesmo de sentar-me à mesa para o generoso café, tomo da máquina fotográfica e dirijo-me à janela. Começo a fotografar, busco o melhor ângulo, experimento o flash para quebrar a contraluz, quero incorporar na foto o fundo com árvores frondosas, teremos uma bela foto, penso, e, de repente, piso em falso, perco o chão...
Desço a escada escura de costas, desajeitadamente, os olhos esbugalhados, na mão direita a preciosa máquina fotográfica, último modelo, a mão esquerda no ar buscando inutilmente algo em que me agarrar, desço quatro degraus, de costas, de uma escada escura que me passou despercebida, mas não chego a cair. Foi só um susto. Tomo o meu café e me preparo para o grande dia.
Fico pensando no que poderia ter sido e não foi. A Roda da Fortuna  - diria Shakespeare - girou a meu favor no Grande Dia.


terça-feira, 12 de julho de 2016

sempreflores



pequenas, humildes
há quem as trate por mato
que importa? – são flores

Foto: A.Vianna, jul 2016, jardim.

Conforto

A foto do dia


“A cena é real, parte de uma rotina da casa, afirmou a mãe da criança e dona do cão, Elizabeth Spence. A família mora no Canadá. Além de três filhos – de 8 meses, 4 anos e 6 anos –, a dona de casa também cuida de seis animais resgatados – 3 gatos, de 9 anos – e 3 cães – Drake, 14, que pouco aparece nas imagens, Remington e Nora, da raça pointer inglês, 7 e 8 anos, respectivamente.”


segunda-feira, 11 de julho de 2016

Vermeer lindíssimo

Meus quadros favoritos



Vermeer

Julieta de Almodóvar



             Três aspectos se destacam em Julieta, o novo filme de Almodóvar: a complexidade da trama, inspirada (ou adaptada) em três contos de Alice Munro; a beleza plástica das cenas; e o esmero com que o filme foi produzido.
            A história, que não poderia deixar de ser dramática, sendo de Almodóvar, prende o expectador do início até o último segundo. Os acontecimentos se sucedem vertiginosamente, mal há tempo para respirar. Os temas centrais do filme são o sofrimento e a culpa. (Até mesmo o suicídio pode ser fonte de culpa.) As relações sempre conflituosas entre pais e filhos constituem outro polo importante da história. Ao final há uma mensagem que classifico de “religiosa”: só o sofrimento redime. Embora dramático, o filme é contido. Nada daquele Almodóvar espalhafatoso dos primeiros filmes. Há sofrimento, mas o expectador não precisa chorar.
            Poucas vezes vi um filme de tanta beleza plástica! Cada cena combina com perfeição os objetos e as cores, mais uma vez nada exagerado, tudo em seu lugar, de extremo bom gosto. A corrida de um alce sobre a neve, acompanhando um trem em movimento, compõe cena antológica, a entrar para a história do cinema. Arte pura!
            A trilha sonora, embora de boa qualidade, não consegue acompanhar a beleza das imagens (o diretor bem que podia ter pedido ajuda ao Tarantino).
            O cuidado com a produção e edição é notável, e pode ser visto em cada cena (Julieta é para ser visto várias vezes). Cada ator foi escolhido a dedo para o respectivo papel. O destaque vai para as duas Julietas; a mais nova, Adriana Ugarte, é de uma beleza inebriante, tão linda que dá raiva, costuma dizer um amigo psicanalista, e quando ela sai de cena, o expectador tem vontade de ir com ela; a Julieta mais velha, Emma Suárez, também lindíssima, tem atuação  brilhante, decisiva para o bom desenvolvimento da trama.
            Filme maravilhoso, em minha opinião o melhor que já criou o grande Pedro Almodóvar!