terça-feira, 12 de julho de 2016

sempreflores



pequenas, humildes
há quem as trate por mato
que importa? – são flores

Foto: A.Vianna, jul 2016, jardim.

Conforto

A foto do dia


“A cena é real, parte de uma rotina da casa, afirmou a mãe da criança e dona do cão, Elizabeth Spence. A família mora no Canadá. Além de três filhos – de 8 meses, 4 anos e 6 anos –, a dona de casa também cuida de seis animais resgatados – 3 gatos, de 9 anos – e 3 cães – Drake, 14, que pouco aparece nas imagens, Remington e Nora, da raça pointer inglês, 7 e 8 anos, respectivamente.”


segunda-feira, 11 de julho de 2016

Vermeer lindíssimo

Meus quadros favoritos



Vermeer

Julieta de Almodóvar



             Três aspectos se destacam em Julieta, o novo filme de Almodóvar: a complexidade da trama, inspirada (ou adaptada) em três contos de Alice Munro; a beleza plástica das cenas; e o esmero com que o filme foi produzido.
            A história, que não poderia deixar de ser dramática, sendo de Almodóvar, prende o expectador do início até o último segundo. Os acontecimentos se sucedem vertiginosamente, mal há tempo para respirar. Os temas centrais do filme são o sofrimento e a culpa. (Até mesmo o suicídio pode ser fonte de culpa.) As relações sempre conflituosas entre pais e filhos constituem outro polo importante da história. Ao final há uma mensagem que classifico de “religiosa”: só o sofrimento redime. Embora dramático, o filme é contido. Nada daquele Almodóvar espalhafatoso dos primeiros filmes. Há sofrimento, mas o expectador não precisa chorar.
            Poucas vezes vi um filme de tanta beleza plástica! Cada cena combina com perfeição os objetos e as cores, mais uma vez nada exagerado, tudo em seu lugar, de extremo bom gosto. A corrida de um alce sobre a neve, acompanhando um trem em movimento, compõe cena antológica, a entrar para a história do cinema. Arte pura!
            A trilha sonora, embora de boa qualidade, não consegue acompanhar a beleza das imagens (o diretor bem que podia ter pedido ajuda ao Tarantino).
            O cuidado com a produção e edição é notável, e pode ser visto em cada cena (Julieta é para ser visto várias vezes). Cada ator foi escolhido a dedo para o respectivo papel. O destaque vai para as duas Julietas; a mais nova, Adriana Ugarte, é de uma beleza inebriante, tão linda que dá raiva, costuma dizer um amigo psicanalista, e quando ela sai de cena, o expectador tem vontade de ir com ela; a Julieta mais velha, Emma Suárez, também lindíssima, tem atuação  brilhante, decisiva para o bom desenvolvimento da trama.
            Filme maravilhoso, em minha opinião o melhor que já criou o grande Pedro Almodóvar!



sábado, 9 de julho de 2016

Em teu ventre, J. L. Peixoto


O tema não poderia ser mais explorado, mais batido, já que os acontecimentos – reais ou fictícios, não importa – datam de 1917, ocorridos entre os meses de maio e outubro, em Portugal. Trata-se das aparições de Nossa Senhora a três crianças, no interior do país.
Embora surrada, a história é contada quase sempre sob o ponto de vista das crianças, a pressão que sofrem pelo descrédito da própria família, da Igreja, da vizinhança que se remói de inveja, ao mesmo tempo que passam a ser santificadas pelas mesmas, na expectativa de tirarem proveito, os doentes curados, os cegos recuperarem a visão, os paralíticos voltarem a andar, numa ambivalência que traz angústia e sofrimento a estas pobres crianças. Impossível que um milagre daqueles pudesse ocorrer no interior de Portugal, que Nossa Senhora apareça a três insignificantes crianças.
Tem-se ainda uma boa descrição de Portugal à época, início do século XX, com sua rudeza, conjunto de crenças, ignorâncias.
Portanto, não é pelo assunto que José Luís Peixoto agarra o leitor em seu último livro, que ele chama de novela, Em teu ventre (Ed. Quetzal, Lisboa, 2015). Digo agarra porque, tendo iniciado a leitura, não se pode largar o livro de tão bonito que é! Poesia em forma de prosa. Literatura é isso: forma. Repito.
Se não, vejamos:

“Tão fresca é esta brisa depois de um dia inteiro, tão leve é o seu toque nas cores por fim brandas, desnecessária a urgência por fim. Esta brisa atravessa o ar limpo, faz tremer as folhas prateadas das oliveiras, acende pontos de brilho no granito e passa pelas faces suaves de Lúcia. Está agachada perante uma sombra de terra limpa, quase arrumada ao muro breve do quintal. Há galinhas que se habituaram à presença da menina, aos seus movimentos repetidos. Lúcia joga com pedras. Esses gestos súbitos não perturbam as galinhas, que debicam torrões de terra e se queixam umas às outras com vogais que arredondam na garganta.”

            Em tempo, o livro ainda não foi editado no Brasil.