quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Poema sem palavras

Por quatro vezes este blogueiro esteve às voltas com a elaboração de capas de livros, em três vezes com livros de própria autoria e uma vez com a capa do excelente “Fica Limpo! – quase heresias”, de Paulo Sergio Viana. (O tema já foi motivo de postagem neste blog, com o título Capa de livro. http://loucoporcachorros.blogspot.com.br/2014/12/capa-de-livro.html)
O número é ínfimo, é verdade, perto da experiência dos profissionais do ramo, os chamados capistas, mas foi suficiente para que ele constatasse quão difícil é a arte da construção de uma boa capa, perfeitamente casada com a obra.
A partir de então, ao visitar uma livraria, antes de mais nada ele observa as capas dos livros com olhar crítico, e encontra de tudo, desde capas horrorosas até verdadeiras obras primas.
Esta postagem é bem simples: tem como objetivo apenas compartilhar com meus raros e queridos leitores uma dessas preciosidades, recém publicada pela Ateliê Editorial (2015).
O título do livro: Antologia da poesia erótica brasileira, organização de Eliane Robert Moraes. Eis a capa:



As quatro estrofes do poema sem palavras compõem um soneto, com respectivamente 4, 4, 3 e 3 versos. A ideia gráfica, em sua espantosa simplicidade – 14 traços negros, grossos, feitos à mão com uma dessas canetas de marcação de texto, sobre um fundo vermelho – tem a função de provocar a curiosidade do leitor, ao sugerir a censura prévia dos versos.
Pura arte! O autor: Gustavo Piqueira (Casa Rex).
Caso o leitor se interesse pelo conteúdo...



Duas amigas

Em memória de minha mãe.

– O Rio de Janeiro está muito perigoso!
– Mas é tão bom parar num boteco e tomar um chope no balcão...


Laerte

Charge do dia!



quarta-feira, 2 de setembro de 2015

um haicai do mestre Bashô


quatro horas soaram
levantei-me nove vezes
para ver a lua

Tábua de salvação


O catastrófico noticiário político-econômico-social domina de tal modo a cena brasileira que fica difícil pensar em outra coisa.

Vazio de ideias, o Louco recorre à poesia, na tentativa (quase) vã de neutralizar tanta podridão.

Não sendo poeta (que poeta é meu irmão!), lança mão de Manuel Bandeira, em:

Lenda brasileira

“A moita buliu. Bentinho Jararaca levou a arma à cara: o que saiu do mato foi o Veado Branco! Bentinho ficou pregado no chão. Quis puxar o gatilho e não pôde.
            – Deus me perdoe!
            Mas o Cussaruim veio vindo, veio vindo, parou junto do caçador e começou a comer devagarinho o cano da espingarda.”


O prazer do poema
Uma antologia pessoal
Ferreira Gullar

(Edições de Janeiro)

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Milagre no Palmeiras!

A foto do dia!


Gabriel Jesus, 18 anos, ídolo da torcida palmeirense!

Foto: Marcello Zambrana, Folhapress.

Pelados e bípedes




Parente dos humanos, gorila carrega filhote 
agarrado nos pelos das costas

O bipedismo ainda carece de explicação convincente pela biologia evolutiva. São inúmeras as teorias apresentadas até agora, às quais junta-se a ideia de Lia Amaral, docente aposentada do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP). Segundo a cientista, que a despeito de uma carreira brilhante na Física tem se dedicado ao estudo da evolução das espécies, a perda dos pelos nos ancestrais dos humanos provocou uma pressão seletiva, levando ao bipedalismo.

Afirma Lia Amaral: “Tornar-se bípede é um esforço evolutivo imenso, que só pode ocorrer por forte pressão seletiva. Quando os ancestrais dos humanos perderam os pelos, os bebês não tinham mais onde se agarrar em suas mães, o que os forçou a abandonar o andar quadrúpede.”

Ela completa: “Não há bípede peludo, não há quadrúpede pelado. Para uma física, é evidente que há correlação necessária entre nudez e bipedalismo.”

Lia aplicou conhecimentos da Física para amparar sua hipótese, tais como a análise do equilíbrio na locomoção quadrúpede dos gorilas e concluiu que, para que o filhote não escorregue, o ângulo formado pela parte superior do seu corpo durante a locomoção tem de ser, no máximo, de 30 graus.

Par e passo, entre erros e acertos, longe da verdade definitiva, a Evolução das Espécies vai sendo lindamente decifrada.



Filme bom

Anna Muylaert

Filme bom é aquele sobre o qual a gente tem o que conversar depois que acaba.

Frase mais tosca, impossível. Mantenho-a mesmo assim, pois a tal conversa sobre o filme deve ser a mais livre e descontraída possível, regada de preferência com um bom vinho, num ambiente onde se possa conversar, é claro. Quanto mais rende o papo, melhor o filme!

Eis, portanto, o meu método de classificar os filmes:

★ O casal cabisbaixo deixa o cinema em profundo silêncio.

★★ Um olha para o outro, o ar interrogativo, Gostou? Fim de papo.

★★★ Saem até animados, Eu gostei, e você? Não sei não... Mas conversam por 1 ou 2 horas.

★★★★ Ainda nos créditos, Gostei muito! Eu também. Vamos comer uma pizza? Só se tiver vinho... A conversa dura até o fim da noite.

★★★★★ Animação total, euforia mesmo, ótimo jantar, vinho melhor ainda, e a conversa se estende por vários dias, às vezes por meses; a lembrança, pra sempre.

Tosca como a primeira frase desta crônica, esta classificação tem um único objetivo: comparar dois filmes recentíssimos, ambos apresentados com destaque pela mídia: Que horas ela volta? e Homem irracional, o primeiro, de Anna Muylaert, o segundo de Woody Allen.

Difícil comentar um filme sem revelar o enredo, o que deve ser evitado a todo custo. (Os psicanalistas sempre ficam sabendo da história antes de ver o filme...)

Regina Casé revela-se uma grande atriz, para figurar entre as melhores. A protagonista do Homem irracional salva-se apenas no final do filme quando, num ataque histérico, começa a falar (ou gaguejar) como o Woody Allen.


Que horas ela volta? ★★★★★

Homem irracional ★★