quarta-feira, 2 de setembro de 2015

um haicai do mestre Bashô


quatro horas soaram
levantei-me nove vezes
para ver a lua

Tábua de salvação


O catastrófico noticiário político-econômico-social domina de tal modo a cena brasileira que fica difícil pensar em outra coisa.

Vazio de ideias, o Louco recorre à poesia, na tentativa (quase) vã de neutralizar tanta podridão.

Não sendo poeta (que poeta é meu irmão!), lança mão de Manuel Bandeira, em:

Lenda brasileira

“A moita buliu. Bentinho Jararaca levou a arma à cara: o que saiu do mato foi o Veado Branco! Bentinho ficou pregado no chão. Quis puxar o gatilho e não pôde.
            – Deus me perdoe!
            Mas o Cussaruim veio vindo, veio vindo, parou junto do caçador e começou a comer devagarinho o cano da espingarda.”


O prazer do poema
Uma antologia pessoal
Ferreira Gullar

(Edições de Janeiro)

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Milagre no Palmeiras!

A foto do dia!


Gabriel Jesus, 18 anos, ídolo da torcida palmeirense!

Foto: Marcello Zambrana, Folhapress.

Pelados e bípedes




Parente dos humanos, gorila carrega filhote 
agarrado nos pelos das costas

O bipedismo ainda carece de explicação convincente pela biologia evolutiva. São inúmeras as teorias apresentadas até agora, às quais junta-se a ideia de Lia Amaral, docente aposentada do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP). Segundo a cientista, que a despeito de uma carreira brilhante na Física tem se dedicado ao estudo da evolução das espécies, a perda dos pelos nos ancestrais dos humanos provocou uma pressão seletiva, levando ao bipedalismo.

Afirma Lia Amaral: “Tornar-se bípede é um esforço evolutivo imenso, que só pode ocorrer por forte pressão seletiva. Quando os ancestrais dos humanos perderam os pelos, os bebês não tinham mais onde se agarrar em suas mães, o que os forçou a abandonar o andar quadrúpede.”

Ela completa: “Não há bípede peludo, não há quadrúpede pelado. Para uma física, é evidente que há correlação necessária entre nudez e bipedalismo.”

Lia aplicou conhecimentos da Física para amparar sua hipótese, tais como a análise do equilíbrio na locomoção quadrúpede dos gorilas e concluiu que, para que o filhote não escorregue, o ângulo formado pela parte superior do seu corpo durante a locomoção tem de ser, no máximo, de 30 graus.

Par e passo, entre erros e acertos, longe da verdade definitiva, a Evolução das Espécies vai sendo lindamente decifrada.



Filme bom

Anna Muylaert

Filme bom é aquele sobre o qual a gente tem o que conversar depois que acaba.

Frase mais tosca, impossível. Mantenho-a mesmo assim, pois a tal conversa sobre o filme deve ser a mais livre e descontraída possível, regada de preferência com um bom vinho, num ambiente onde se possa conversar, é claro. Quanto mais rende o papo, melhor o filme!

Eis, portanto, o meu método de classificar os filmes:

★ O casal cabisbaixo deixa o cinema em profundo silêncio.

★★ Um olha para o outro, o ar interrogativo, Gostou? Fim de papo.

★★★ Saem até animados, Eu gostei, e você? Não sei não... Mas conversam por 1 ou 2 horas.

★★★★ Ainda nos créditos, Gostei muito! Eu também. Vamos comer uma pizza? Só se tiver vinho... A conversa dura até o fim da noite.

★★★★★ Animação total, euforia mesmo, ótimo jantar, vinho melhor ainda, e a conversa se estende por vários dias, às vezes por meses; a lembrança, pra sempre.

Tosca como a primeira frase desta crônica, esta classificação tem um único objetivo: comparar dois filmes recentíssimos, ambos apresentados com destaque pela mídia: Que horas ela volta? e Homem irracional, o primeiro, de Anna Muylaert, o segundo de Woody Allen.

Difícil comentar um filme sem revelar o enredo, o que deve ser evitado a todo custo. (Os psicanalistas sempre ficam sabendo da história antes de ver o filme...)

Regina Casé revela-se uma grande atriz, para figurar entre as melhores. A protagonista do Homem irracional salva-se apenas no final do filme quando, num ataque histérico, começa a falar (ou gaguejar) como o Woody Allen.


Que horas ela volta? ★★★★★

Homem irracional ★★

Dor da perda

Na hora de sacrificar o cão com doença terminal o dono pondera:

– Mas ele ainda abana o rabo pra mim...

casal brigado



de nome engraçado
mais uma orquídea floresce
a "casal brigado"

Foto: A.Vianna, jardim, ago 2015.

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Gabriela vai às compras

Em poucos dias Gabriela fará 5 anos, mas desde já orgulha-se muito deste assombroso feito, ao mostrar os cinco dedinhos da mão direita às pessoas que perguntam pela idade dela no supermercado, onde fomos às compras na última sexta-feira.
Ao sair do mercado fomos cercados, como de hábito, por uma legião de vendedores avulsos, oferecendo vassouras, rodos, espanadores, camarão graúdo, laranja pera e poncã, morango, abacaxi, coco, água de coco, pamonha, alho, marmitas prontas para o almoço, panos de prato, sacos de lixo, paninhos bordados para enfeite de cozinha, cada um se virando como pode...
Descarregamos as compras e entramos no carro, Gabriela no banco de trás, como manda a lei. Preparava-me para dar a partida quando chegou mais um vendedor.
Antes que ele abrisse a boca, com indisfarçável impaciência, rechacei-o:
– Não, muito obrigado!
Ao que Gabriela observou, de imediato:
– Ô vô, você nem deixou ele falar...

Permaneci mudo por algum tempo, sem saber o que dizer. Dei uma desculpa qualquer e partimos.

A culpa do outro

Charge do dia


A culpa é sempre do outro...