terça-feira, 20 de janeiro de 2015

É direitos pra cá, é direitos pra lá...


                  É com pesar que este blog encerra a publicação de “A charge do dia”, embora nem a tenha iniciado propriamente.
            Após consulta ao Charge Online, sobre a possibilidade do Louco por cachorros reproduzir algumas charges por eles exibidas, vejam a resposta que obtive (http://www.chargeonline.com.br/):

“Prezado André:

Temos charges que são publicadas originalmente em diversos jornais e charges feitas com exclusividade para o site. Entre as primeiras, há as dos grandes jornais, cujos direitos são, por contrato, de propriedade do veículo, e algumas, de jornais menores, cujo autor detem integralmente os direitos sobre a obra. As charges produzidas exclusivamente para o site, têm seus direitos autorais vinculados aos autores das mesmas. Em ambos os casos, não temos competência para autorizar republicações. AS AUTORIZAÇÕES DEVEM SER OBTIDAS DIRETAMENTE COM OS AUTORES.
Atenciosamente,
                      Equipe Chargeonline”

            Este mundo está ficando mesmo muito difícil. É direitos pra cá, é direitos pra lá... (E não me venham dizer que há erros de concordância aqui, porque não há!) Tudo ou quase tudo proibido. Feliz do Monteiro Lobato que não viveu a era do politicamente correto, e ele nem sabia o que isso queria dizer. Ele viu, não gostou, e pronto, desceu o pau na Anita Malfati! (Vivo, Monteiro Lobato seria contratado pelo Charlie Hebdo...)
            Voltemos às charges. Não podem ser reproduzidas. Uma pena. Perdemos todos nós, pois é impossível acessar todos os sites especializados. O Louco só queria selecionar uma ou outra, que julgasse apropriada para a ocasião (que, aliás, faz o ladrão) e reproduzir no blog. Não pode.
            Este mundo está ficando mesmo muito difícil. E ainda por cima me vem o Papa dizendo que se lhe xingarem a mãe ele revida com um murro na cara. (Depois ele desdisse, que não foi bem isso que ele queria dizer, mas aí já estava dito.) Francisco, dai a Cesar o que é de Cesar. Ou, em boca fechada não entra mosca. Ou, falar é prata, calar é ouro. Ou, tantas vezes vai o pote à fonte que um dia ele se quebra.
            O Louco por cachorros enlouqueceu, dirão os parcos leitores. Mas, lembrem-se, quem é louco já não pode enlouquecer.


O importuno, de Almeida Júnior


José Ferraz de Almeida Júnior (1850 -1899): O importuno, exposto na Pinacoteca do Estado de São Paulo.

http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Almeida_Júnior_-_O_Importuno,_1898.JPG

Serra da Mantiqueira

A foto do dia


Serra da Mantiqueira, vista do Vale do Paraíba.

Foto: Miledi Marotta, jan. 2015.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

presente de aniversário


a nova escultura
menina em pelo a cavalo
enfeita a esmoleira

Escultura: Vasco Prado (Uruguaiana, 1914 - Porto Alegre, 1998)

Foto: A. Vianna, jan.2015.

Outono


As agulhas da chuva fina
tecem um lívida mantilha
sob a qual me refugio
das inclemências do espírito.
É outono. As folhas tingem
de sépia as bordas do caminho.
Ando a esmo, absorto e sombrio,
a alma entre os dentes, a vida
por um fio. Onde finda
esse inóspito labirinto,
antes povoado de ninfas
e faunos do sol a pino?
Haverá alguma saída
para o tormento metafísico?
Ou temos que voltar ao início
como há séculos faz Sísifo?

                                    Ivan Junqueira
                                    Essa música (Rocco, 2014)

Assim caminha a humanidade

A charge do dia!


Charge de Lotti, publicada hoje no ZH.

Di Cavalcanti

A foto do dia.


Uma da 15 telas apreendidas pela operação lava-jato, expostas em museu em Curitiba.


http://www1.folha.uol.com.br/poder/2015/01/1576913-obras-de-arte-apreendidas-pela-lava-jato-levam-curiosos-a-museu-do-pr.shtml

sábado, 17 de janeiro de 2015

Natal de 2014




          Queda na venda de vinhos caros neste fim de ano, informa o dono da adega: – Todo mundo está preso! 


sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Abuso


Baseado em fatos reais.

Padre, professor de francês, andava de batina suja, bafo de cachaça. Ao entrar na sala, um gaiato pediu a benção. Foi expulso imediatamente.

A importância da Redação


Não escondo minha admiração pelo articulista Hélio Schwartsman, que publica suas crônicas no Estadão; chego a afirmar que ele representa o que de melhor podemos encontrar na Imprensa nacional atualmente. Hoje, no entanto, humildemente, peço permissão para discordar, ele que escreveu “Abaixo a redação”.
Diz ele: “Dados divulgados esta semana mostraram que 529 mil dos 6,19 milhões de estudantes que fizeram a prova (8,55%) tiraram nota zero na dissertação. A maioria deles (53%) nem se deu ao trabalho de tentar escrever o texto, entregando a folha em branco. O restante foi mal mesmo, sendo a fuga ao tema a principal dificuldade relatada pelos corretores.”
E justifica: “Em teoria, não há nada melhor do que uma redação para avaliar o estudante. [Grifo meu]. Ela permite, de uma vez só, averiguar o nível de conhecimentos do candidato, sua capacidade de articular ideias bem como seu domínio sobre a linguagem escrita.
Há, porém, um preço a pagar: é impossível corrigir mais de 5 milhões de dissertações de modo objetivo.”
            Ao finalizar o texto, Schwartsman afirma: “Vale ainda frisar que uma eventual retirada da redação do Enem não significaria a morte da escrita. Esse exame é apenas um instante da vida escolar de um aluno, que oferece inúmeras e melhores oportunidades para provas dissertativas.”
            Pois é aí que discordo frontalmente do homem. O que importa, de fato, não é a redação do dia do exame, este sim, apenas um instante fugaz na vida do estudante. Depois que a redação foi introduzida (ou reintroduzida?) nas provas, tanto nas escolas tradicionais, públicas e privadas, como nos chamados cursinhos, além dos cursos preparatórios específicos para redação, grande parte dos estudantes passou a praticar a escrita, não por amor à arte, infelizmente, mas como preparação para o exame. Não importa. Importa que o aluno passou a escrever, e este exercício não pode ser desprezado. (A única forma de aprender a escrever é escrevendo.)
            Não se pode descartar a hipótese de que um certo número destes que começaram a escrever por obrigação, tomarão gosto pela coisa e passarão a fazê-lo por prazer, podendo vir a despontar como os escritores de amanhã. De resto, não é isso que acontece muitas vezes com o hábito da leitura?
            Claro que estou falando de minorias. Porém, os escritores serão sempre uma minoria.
            Neste ano, a maioria dos que tiraram zero na redação entregou a folha em branco, como ressalta Schwartsman, o que pode significar também dificuldade para a interpretação de um texto. Só a leitura pode sanar tal deficiência. Então os professores em todo o país haverão de gritar em sala de aula, Se você quer escrever, você tem que ler! Eis aqui outra boa razão para se manter a redação como processo de avaliação do estudante. Alguns começarão a ler por obrigação; depois, lerão por puro prazer.
            Um último argumento a favor da redação nos exames: está criada uma nova profissão no Brasil, o Corretor de redação! Nada de corretor eletrônico, o que acontece também com a tradução; trata-se de corretor humano mesmo, manual, digamos assim, a dar emprego para muita gente, uma renda a mais para os sofridos professores de português.
            Viva a redação!


Http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/204154-abaixo-a-redacao.shtml