Queda na venda de
vinhos caros neste fim de ano, informa o dono da adega: – Todo mundo está preso!
sábado, 17 de janeiro de 2015
sexta-feira, 16 de janeiro de 2015
Abuso
Baseado em fatos
reais.
Padre, professor de francês, andava de
batina suja, bafo de cachaça. Ao entrar na sala, um gaiato pediu a benção. Foi
expulso imediatamente.
A importância da Redação
Não escondo
minha admiração pelo articulista Hélio Schwartsman, que publica suas crônicas
no Estadão; chego a afirmar que ele representa o que de melhor podemos
encontrar na Imprensa nacional atualmente. Hoje, no entanto, humildemente, peço
permissão para discordar, ele que escreveu “Abaixo a redação”.
Diz ele: “Dados divulgados esta semana mostraram
que 529 mil dos 6,19 milhões de estudantes que fizeram a prova (8,55%) tiraram
nota zero na dissertação. A maioria deles (53%) nem se deu ao trabalho de
tentar escrever o texto, entregando a folha em branco. O restante foi mal
mesmo, sendo a fuga ao tema a principal dificuldade relatada pelos corretores.”
E justifica: “Em teoria, não há nada melhor do que uma redação para
avaliar o estudante. [Grifo meu]. Ela permite, de uma vez só, averiguar o
nível de conhecimentos do candidato, sua capacidade de articular ideias bem
como seu domínio sobre a linguagem escrita.
Há, porém, um preço a pagar: é impossível corrigir mais de 5
milhões de dissertações de modo objetivo.”
Ao
finalizar o texto, Schwartsman afirma: “Vale ainda frisar que uma eventual
retirada da redação do Enem não significaria a morte da escrita. Esse exame é
apenas um instante da vida escolar de um aluno, que oferece inúmeras e melhores
oportunidades para provas dissertativas.”
Pois é aí
que discordo frontalmente do homem. O que importa, de fato, não é a redação do
dia do exame, este sim, apenas um instante fugaz na vida do estudante. Depois
que a redação foi introduzida (ou reintroduzida?) nas provas, tanto nas escolas
tradicionais, públicas e privadas, como nos chamados cursinhos, além dos cursos
preparatórios específicos para redação, grande parte dos estudantes passou a
praticar a escrita, não por amor à arte, infelizmente, mas como preparação para
o exame. Não importa. Importa que o aluno passou a escrever, e este exercício
não pode ser desprezado. (A única forma de aprender a escrever é escrevendo.)
Não se pode
descartar a hipótese de que um certo número destes que começaram a escrever por
obrigação, tomarão gosto pela coisa e passarão a fazê-lo por prazer, podendo
vir a despontar como os escritores de amanhã. De resto, não é isso que acontece
muitas vezes com o hábito da leitura?
Claro que
estou falando de minorias. Porém, os escritores serão sempre uma minoria.
Neste ano,
a maioria dos que tiraram zero na redação entregou a folha em branco, como
ressalta Schwartsman, o que pode significar também dificuldade para a
interpretação de um texto. Só a leitura pode sanar tal deficiência. Então os
professores em todo o país haverão de gritar em sala de aula, Se você quer escrever, você tem que ler! Eis
aqui outra boa razão para se manter a redação como processo de avaliação do
estudante. Alguns começarão a ler por obrigação; depois, lerão por puro prazer.
Um último
argumento a favor da redação nos exames: está criada uma nova profissão no
Brasil, o Corretor de redação! Nada
de corretor eletrônico, o que acontece também com a tradução; trata-se de
corretor humano mesmo, manual, digamos assim, a dar emprego para muita gente,
uma renda a mais para os sofridos professores de português.
Viva a
redação!
Http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/204154-abaixo-a-redacao.shtml
quinta-feira, 15 de janeiro de 2015
Livro de férias
Da série,
Na praia.
Livro de
férias? Que bobagem é esta?, perguntarão os puristas. Livros, há os bons e os
ruins. Talvez não seja bem assim, posso explicar.
Toda vez que vou sair de férias, viajar
por alguns dias, dedico-me à tarefa de escolher um livro para a ocasião, e a
leitura tem início logo na sala de espera do aeroporto, no dia da partida. Não
pode ser um livro muito pesado, volumoso, difícil de carregar. Não pode ser
muito dispendioso, capa dura, todo ilustrado, pois certamente irá à praia,
receberá respingos de água do mar, sem falar no banho de areia, manchas de
cerveja e gordura. Também não pode conter um texto muito complicado, sério
demais, pesado num segundo sentido, que exija grande esforço para a leitura;
férias são férias, tempo de relaxar. Um policial, daqueles escritos por Luiz
Alfredo Garcia-Roza, é o exemplo de livro ideal para as férias: bem escrito,
linguagem cuidada e moderna, trama bem construída, porém, leitura sem maior
responsabilidade. Como li todos que Garcia-Roza já publicou, dessa vez foi
preciso fazer escolha de outra natureza.
Há um detalhe que preciso antecipar.
Tenho uma amiga que está sempre a me indicar certo tipo de livro, e minha
resposta é invariavelmente a mesma, definitiva, atrevida, mal-educada,
arrogante, pretenciosa, impertinente, insolente mesmo: não leio best-seller! E é verdade, não leio este tipo de literatura,
especialmente por causa da forma, quase sempre vulgar, para dizer o mínimo. (E
aceito que me chamem de besta.)
A viagem seria no dia seguinte, e eu me
encontrava numa boa livraria, à cata do tal livro de férias, sem muito tempo
para uma busca minuciosa. Foi quando me deparei com um volume que trazia um
pequeno selo na capa, com os dizeres: “Best-seller canadense, 1o
lugar na lista de mais vendidos por 10 semanas”. Era o que bastava para que eu
não o escolhesse.
O autor, Eric Siblin: mais desconhecido,
impossível! Além do que leio pouca literatura estrangeira.
A editora, também não conhecia:
Realizações Editora.
Mas o título, ah! o título, prendeu-me
como chiclete na sola do tênis, agarrou-me pela garganta e me suspendeu do chão,
deixou-me com falta de ar e palpitações, à beira de um colapso. Exagero meu?
Nada disso:
“As suítes para violoncelo – J. S. Bach, Pablo Casals
e
a busca por uma obra-prima barroca”
Preciso
esclarecer que estas suítes, em especial a no 1 e no 6, juntamente
com o Réquiem, de Mozart, e a Sonata para piano no 32, opus 111, de
Beethoven, são as minhas músicas preferidas. Depois de uma rápida folheada no
livro, tomei conhecimento de que os originais das suítes de Bach nunca foram
encontrados! Pronto, estava ali o livro de férias.
A forma,
como esperado, deixou a desejar, embora não tenha chegado às raias da
vulgaridade. Porém, o conteúdo é interessantíssimo. Além de dados biográficos
de Bach, o autor, ele mesmo um apaixonado pelas suítes (pelo menos, acreditei
nisso...), descreve o destino que Pablo Casals deu a estas obras, tornando-as
conhecidas de todo o mundo. O encontro das cópias por Casals ainda muito jovem,
em companhia do pai, num sebo de Barcelona, é eletrizante.
Os capítulos correspondentes a cada uma das seis suítes recebem subtítulos muito originais, segundo os movimentos da peça: prelúdio, alemanda, corrente, sarabanda, minueto, giga. Cada prelúdio traz um comentário musical bastante apropriado.
Os capítulos correspondentes a cada uma das seis suítes recebem subtítulos muito originais, segundo os movimentos da peça: prelúdio, alemanda, corrente, sarabanda, minueto, giga. Cada prelúdio traz um comentário musical bastante apropriado.
E foi assim
que já não posso dizer, Não leio best-seller. E foram ótimas férias.
quarta-feira, 14 de janeiro de 2015
Anel de Vidro e De verdade
Anel
de vidro (Ouro sobre
azul, 2013), da paulista Ana Luisa Escorel, ganhou o Prêmio São Paulo de
Literatura, considerado o melhor romance do ano. Proprietária da Ouro sobre
azul, Ana Luisa caprichou na edição, ela mesma autora do projeto gráfico e
diagramação: capa dura, com belíssima ilustração a partir de fotografia de
Carlos Moskovics, folhas de guarda de papel especial, cabeceado, miolo de 90
g/m2, com tipos variados, escolhidos a dedo. E, muito corretamente,
não há no livro qualquer referência ao nome do pai da autora, ninguém menos que
Antonio Cândido.
É a primeira vez que uma mulher recebe
este prêmio, o de maior valor financeiro no país (R$ 200mil). Outro fato
interessante é que se trata de autora tardia, que já completou os 70. O que
importa mesmo é que o romance é muito bom, a escrita elegante, moderna sem ser
vulgar.
Em resumo – e não estou aqui a revelar a
história –, dois casais vivem situações de infidelidade e cada personagem
relata a mesma experiência sob a perspectiva pessoal.
Impossível não traçar paralelo com o
magnífico De verdade, do húngaro
Sándor Márai (Companhia das Letras, 2010, com ótima tradução de Paulo Schiller),
onde a mesma trama agora é relatada por três indivíduos, duas mulheres e um
homem que foi casado com ambas.
O romance de Márai, com quase 450
páginas, é bem mais elaborado, tanto na forma quanto no conteúdo, o que de
forma alguma desmerece o livro de Ana Luisa Escorel. Sugiro ao eventual leitor
deste blog a leitura de ambos.
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