sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Psicopata em paz


Baseado em fatos reais.

“Agora estou tranquilo”, afirmou o assassino, preso após decapitar 6 pessoas.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Homo erectus e o pensamento simbólico


(Detalhe)


Acredita-se que a capacidade de simbolização, seguida do surgimento da linguagem, a 40.000 anos atrás, foi o acontecimento decisivo que caracterizou o Homo sapiens. A arte rupestre e a manufatura de joias e adereços, primeiramente encontradas na Europa, e mais recentemente na África, seriam a comprovação desse fato.
Também os Nendertalenses deixaram vestígios dessas habilidades, tornando mais difícil distingui-los do Homo sapiens, de quem foram contemporâneos durante certo período.
            Agora chega a informação, publicada na Scientific American, que um ancestral ainda mais primitivo, o Homo erectus, identificado na Ásia, também era capaz de expressar pensamento simbólico. Na ilha de Java foi encontrada concha gravada com um padrão geométrico, em sítio arqueológico habitado pelo H. Erectus, entre 540.000 e 430.000 anos atrás.
            Aos poucos vai se esclarecendo a Evolução das Espécies (o que até há poucos anos era conhecida como Teoria da Evolução das Espécies), a partir do gênio de Charles Darwin. O criacionismo e outras teorias fantasiosas já não têm lugar para a explicação da presença do ser humano no Planeta.



terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Deus torce para quem?


            O jornalista e escritor Pedro Blank publicou hoje excelente crônica (haverá quem discorde) intitulada Jogadores evangélicos apontam vitória divina, no Observatório da Imprensa (02/12/2014). (http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/_ed827_jogadores_evangelicos_apontam_vitoria_divina)
            Pedro destaca o fato ocorrido há pouco mais de uma semana, quando o Cruzeiro conquistou o tetracampeonato brasileiro em Goiás; enquanto isso, no Mineirão, uma bandeira gigantesca surgiu nas arquibancadas, com a inscrição “A Deus toda Glória”.
            E Pedro Blank arremata, incomodado com o marketing religioso no futebol:

“Parafraseando uma passagem do evangelho de Mateus: “Dai, pois, ao futebol o que é do futebol, e a Deus o que é de Deus”. Três dias depois de levantar o título brasileiro, o Cruzeiro decidiu o título da Copa do Brasil contra o Atlético-MG, novamente num Mineirão lotado. Perdeu o título e completou um ano sem vencer o seu maior rival. A bandeira e as camisas com a inscrição “A Deus toda Glória” não apareceram. Nas entrevistas, Ele também não foi citado. Nenhum repórter perguntou aos jogadores cruzeirenses por que Deus entrou em campo com o Atlético.”

Também eu me incomodo com esta onda de comemorações, quando um gol é marcado, e o artilheiro levanta as mãos e agradece aos céus. Algumas vezes, os indicadores apontam para cima, como que responsabilizando diretamente o Altíssimo pela feitura do gol. Mais explícito, impossível.
Nesse instante, penso no goleiro que sofreu o gol. Além do infortúnio de ter a meta vazada (delicioso clichê futebolístico!), ele ainda deve estar pensando que Deus está contra ele. Todo o time derrotado pode ter o mesmo sentimento desolador, de quem não merece a proteção divina.
            O marketing religioso se repete quando, ao fazer o gol, o jogador levanta a camisa do clube e por baixo dela surge outra camisa, com alguma frase de louvação. Com frequência, ao final do jogo, as camisas dos clubes são retiradas, e surgem estas outras, agradecendo a Deus pela vitória. Quando há vitória...
            Esta mistura de futebol e religião não me parece que favoreça nem o futebol nem a religião. Não se trata de futebol nas missas de domingo, e penso que também não, nos diversos cultos evangélicos. Então, por que levar a religião aos estádios de futebol?
            Penso que tais atitudes são movidas pelo fundamentalismo religioso, que impede aquele que crê pensar razoavelmente sobre o assunto. E se pensasse um pouquinho, os jogos todos terminariam empatados.
            

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Homenagem a Laerte Coutinho




              Impressiona a naturalidade com que Laerte, o cartunista, se apresenta perante o público, vestido, penteado, produzido como ele se sente: uma mulher. Lembro-me da primeira vez que o vi vestido assim, do espanto que me causou, pois já o conhecia vestido de homem, quadrinista famoso que é, há muito tempo.
             Hoje, confesso que ele desperta em mim enorme simpatia, pela coragem, sinceridade, pela pessoa autêntica que revela ser. Laerte me emociona.
            Ele me ajuda a pensar – e aceitar – as diferenças, coisa difícil para qualquer ser humano, desde tempos imemoriais. Em se tratando de sexualidade, a intransigência, o preconceito, o fundamentalismo acarretam reações muitas vezes violentas, diante das diferenças.
            Mais inofensivo que Laerte, impossível. Ele é apenas um artista, excelente cartunista, que não deseja convencer ninguém de coisa alguma. Deseja tão somente desfrutar da liberdade de exercer sua sexualidade do modo que melhor lhe convier. E o faz sem espalhafatos, sem exibicionismo ou maneirismo, com absoluta espontaneidade.
            Numa entrevista para a televisão eu o vi relatar episódio engraçado, porém de grande significado, que reproduzo aqui a meu modo, próximo ao que foi o original. Ele gostava de se vestir de mulher e tinha dificuldade de dizer isso à mãe. Criou coragem e contou, ao que ela retrucou, Eu tenho umas roupas que não uso mais, você pode pegá-las, Laerte.
            A instantânea compreensão da mãe, o carinho que dispensou ao filho naquele momento, ajudaram-no em muito a superar as próprias dificuldades.
Textos e mais textos, sermões, pregações raivosas ou não, quase sempre de cunho religioso e fundamentalista, tentando convencer as pessoas disso ou daquilo, do “certo” ou “errado”, não têm a força do exemplo vivo – a melhor pedagogia! – exibida por Laerte.
Perguntado se gostaria de ser tratado por “ele” ou “ela”, disse que lhe era indiferente. Ao final desta crônica, percebo que chamei-o de Ele.
            Fica aqui meu agradecimento a ele, por me ajudar a pensar as diferenças.

Foto: https://twitter.com/laertecoutinho1 

Isso sim, é um escândalo!




A reportagem é de Isabel Filgueiras(1), especial para o jornal O Estado de São Paulo, publicada hoje, e os números são estarrecedores.
O número de pontos de possível exploração sexual de crianças e adolescentes nas estradas do Sudeste cresceu 38% entre 2011 e 2014, informa o “Mapeamento dos Pontos Vulneráveis à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes nas Rodovias Federais Brasileiras”. O total desses locais passou de 358 para 494, com crescimento de 9%, sendo identificados 1.969 pontos vulneráveis em todo o Brasil, apenas nas rodovias federais.
Informa ainda a reportagem: “A cada 27,8 quilômetros há um ponto vulnerável à exploração nas rodovias do Sudeste. No Sul, a concentração é ainda maior, com um ponto a cada 23 quilômetros.”
São pequenas casas de comércio, quase sempre ligadas à venda de alimentos e bebidas, botequins, quando não, locais especificamente destinados à prostituição, que dão guarida às crianças e adolescentes, todos analfabetos, distantes das suas famílias, fugindo da miséria e da fome. O tráfico de drogas está presente, é claro.
          Este Brasil sequer foi mencionado nas campanhas eleitorais. Não dá voto.