quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Uma mulher prevenida


Preocupada com o desabastecimento da adega, com medo de que ele abrisse franceses e italianos, comprou no supermercado 3 caixas de chilenos.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

solução filosófica


após contemplar
durante horas
a folha em branco
pôde apenas escrever:

               – o Homem diante do Nada!

tomou gosto pelo verso
e resolveu esticar
o poema, de posse
da nova inspiração:

               – isso é Tudo!

Medos e medos

O homem pode con-viver com o medo de morrer; mas ele morre, se tiver medo de viver.

Privacidade total

"Eu não quero ter intimidade com ninguém." 
Proibiu-se até mesmo de olhar no espelho...

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

De volta a John Field


Depois da grande surpresa - a descoberta de seus 18 noturnos - outra notícia espetacular sobre John Field! Refiro-me aos seus 7 concertos para piano!
Eis uma pequena amostra, o larghetto do concerto n. 6, para piano e orquestra:

http://www.youtube.com/watch?v=TAnEsBViIJ4

Gravações de boa qualidade dos concertos para piano, bem como dos noturnos, podem ser encontradas pela gravadora Chandos, com o pianista Miceál O`Rourke, acompanhado da London Mozart Players, regente Matthias Bamert.

Referência da placa comemorativa (foto): http://en.wikipedia.org/wiki/John_Field_(composer)

Politicamente incorreto

Convidado a participar de Expedição para Observação de Pássaros,  mandou limpar sua velha espingardinha de chumbo.


(Em coautoria com meu amigo Paulo Gonçalves.)

O negativo


Recentemente descobrira o que a mantinha viva, o que lhe dava forças para continuar vivendo.
Fora trazida de trem para o campo – jamais esqueceria aquele dia gelado de dezembro, véspera de Natal – há quase um ano. Em poucos dias o acontecimento faria aniversário, brincava consigo mesma, um ano de sobrevivência, real motivo de comemoração, pois só ela poderia saber o significado daquela experiência, o fato de permanecer viva, de corpo e alma, durante todo aquele tempo.
            Ainda era algo difícil de pensar, e bem mais difícil de transmitir por palavras. Podia encarar os fatos em si, esse não era o problema. A dificuldade residia em compreender algo que não se mostrava claramente, uma coisa que se mostrava pelo seu avesso, o sentimento obscuro do contrário, do não ser. Como o negativo de uma fotografia, que apenas pode ser devidamente apreciada depois de revelada no papel. O negativo existe, tem vida própria, com suas especificidades, mas é difícil de ser observado e descrito em seus pormenores, ao menos para os não especialistas. Pois o que a mantinha viva, agora sabia, era algo parecido com o negativo de uma fotografia. Ela não esperava por um determinado acontecimento; ao contrário, esperava ansiosamente por um não acontecimento.
            O marido, que chegou com ela ao campo, desapareceu depois de três meses. Ela recebeu notícias clandestinas dele por homem com quem ele que havia compartilhado o catre de madeira sem colchão desde a chegada ao campo. Ela sabia bem o significado da palavra desaparecido. Desaparecimento é o negativo da presença, pensou, obcecada com a tal metáfora. A fotografia revelada, ou seja, o positivo da imagem, a morte, não pode ser encarada no campo. Então fala-se em desaparecimento, o negativo da realidade.
            Restara-lhe o filho homem, já criado, agora com 23 anos, que ela acreditava – precisava acreditar – vivesse escondido em alguma parte do país.
            Reconhecia que tivera muita sorte; logo que chegou foi reconhecida por antiga colega de escola, há quatro anos no campo – uma sobrevivente com experiência! –, de quem pouco se lembrava, e que resolveu protegê-la, ela nunca soube por quê. A amiga conseguiu-lhe um posto de ajudante na mesma função que ela desempenhava, a de coordenar e orientar o desembarque dos prisioneiros assim que evacuados dos vagões, tarefa que os guardas evitavam para não entrarem em contato com o desespero estampado no rosto daqueles que chegavam. Havia também o problema do cheiro. Os trens chegavam uma ou duas vezes por semana. Tratava-se de função diferenciada no campo e que oferecia, portanto, alguns privilégios, como a ração suplementar de proteínas todos os dias, além de agasalhos mais grossos e sapatos melhores. Era o que lhe mantinha vivo o corpo.
            Ao contrário do que se poderia supor, ela aprendera a gostar do trabalho. Ao contrário do que se poderia supor, ela não evitava o olhar desesperado dos prisioneiros, pois até os encarava de frente.  Ao contrário do que se poderia supor, não se importava em sentir neles o cheiro da morte. Desde que o olhar e o cheiro não fossem de seu filho.
            A não chegada do filho – o negativo de um acontecimento – mantinha-lhe viva a alma. Por quanto tempo?

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Zingiber spectabile

Ao meu amigo Sergio Pripas





"Deve ser cultivada sob meia-sombra, em solo fértil, enriquecido com matéria orgânica e mantido úmido. Aprecia o calor e a umidade tropicais sendo perene em climas quentes assim. No entanto pode ser cultivada em climas subtropicais, mediterrâneos ou temperados, mas entra em dormência no inverno e deve ser protegida do frio rigoroso em estufas. Multiplica-se por estaquia do caule, sementes e mais facilmente por divisão das touceiras."

Ref.: http://www.jardineiro.net/plantas/gengibre-magnifico-zingiber-spectabile.html

Fotos: A.Vianna, jan. 2013, Brasília.

o homem e seus medos

medo de morrer:
amanheceu
e ele não havia pregado o olho
durante toda a noite
fez a barba
tomou um banho
foi trabalhar

medo de viver:
amanheceu
e ele não havia pregado o olho
durante toda a noite
fez a barba
tomou um banho
voltou pra cama

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Amor, ódio, ciúme, violência


...
– terminou com ele?
– terminei.
– amanhã reata?
– não sou disso.
– acho que é...
– pois não sou.
– tem sido; sem vergonha...
– não sou a puta da sua mãe.
– não precisa meter a mãe na história.
– então me respeite...
– galinha..., aprenda a se respeitar!
– viado..., aprenda a ser homem!
– eu lhe quebro a cara...
– então bate se for homem...
...