Tão ansioso para chegar à
praia, só reparou no bilhete o horário de chegada. Perdeu o voo.
quinta-feira, 3 de janeiro de 2013
quarta-feira, 2 de janeiro de 2013
Felicidade
Chegamos amanhã ao melhor lugar do mundo para se tirar férias! Mar, praias lindas, gente bonita, boa comida e bebida, e ótimas livrarias!
Foto: A.Vianna, Arpoador, 2012.
Conveniências
Aquela filha, de quem ele tanto gosta, e que só liga para
pedir dinheiro, no Natal aparece pelos comes e bebes.
sábado, 29 de dezembro de 2012
Poesia hoje
...
– ele pensa que virou poeta...
– naquela idade?
– pois é, tá convencido!
– e presta?
– sei lá, tão complicado isso de poesia hoje.
– por quê?
– você tem lido a poesia de hoje?
– de fato, não.
– então leia; tão esquisita...
– como assim?
– feia, dura, seca, suja.
– me dê um exemplo.
– pega mal...
– então vai ver é isso, falta crítica.
– sabe que você pode ter razão!; não há
mais crítica.
– se não desagradar a ninguém, todos
ficamos contentes?
– acho que é por aí.
– então você acha que ele está se
aproveitando da maré?
– mas ele até que escreve simplesinho...
– como assim?
– à moda antiga.
– e presta?
– sei lá, tão difícil isso de poesia
hoje...
...
sexta-feira, 28 de dezembro de 2012
Destino
Pensou em se aposentar, mas teve medo. Consultou amigos: 4 a
favor, 4 contra. Continuou trabalhando. Morreu 15 dias depois.
quinta-feira, 27 de dezembro de 2012
a metafísica perdida
às 6 da
tarde, invariavelmente
o rádio
tocava a Ave Maria de Schubert
o menino
ouvia da mãe
esta é uma
hora sagrada, meu filho
em que os
anjos veem à Terra
para nos
proteger do Mal
e o menino, crédulo,
contrito
escutava a belíssima
música
no Dia das
Mães, invariavelmente
o menino
ouvia da mãe
este é um
dia sagrado, meu filho
em que os
anjos veem à Terra
para
proteger as mães e seus filhos
para que as
famílias vivam em paz
e o menino
ouvia, crédulo, contido
as sábias palavras
da mãe
no Dia de Natal,
invariavelmente
o menino
ouvia da mãe
não há dia
mais sagrado, meu filho
Jesus veio à
Terra para nossa redenção
para perdoar
nossos pecados
à medida que
perdoamos nossos devedores
e o menino
ouvia, crédulo, a mãe
protetora a que
tudo sabia
o menino
cresceu, inevitavelmente
e descobriu
que o vespertino ângelus
variava
segundo o fuso horário
o dia das
mães não era o mesmo em cada país
muito menos
o Natal, inexistente para tantos
e à medida
que foi descobrindo o ledo engano
em que a mãe
vivia, não deixou de amá-la
nem tentou
dissuadi-la dos enganos
deixou de
ser menino, finalmente
trocou o
conforto das ilusões
pela crua
realidade do mundo
descobriu
que não ganhava com a troca
porém, fazer
o quê, se as fantasias
já não lhe
alimentavam a alma
e que o
sentido da vida era apenas
tão somente a
falta de sentido da vida
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