O trauma psíquico assemelha-se à mina
terrestre, que depois de plantada tem seu potencial explosivo mantido por longo tempo.
Até ser desativada.
segunda-feira, 22 de outubro de 2012
sexta-feira, 19 de outubro de 2012
Escolhas
Desde criança, era louco por carros. Mas nunca gostou de estudar. Foi ser manobrista de estacionamento.
Só de raiva!
Depois de ver seu bar assaltado 18 vezes, tomou providência definitiva:
- A bebida agora é de graça!
- A bebida agora é de graça!
O louco da aldeia
O que mais surpreendia o menino era a atitude do pai,
homem conhecido por sua rigidez, pelos julgamentos rigorosos, e que abria a
porta de casa e recebia, até com certa gentileza, Heitor, o louco da aldeia. O
pai não abria a porta da casa para qualquer um. Para ser mais preciso, o pai
rarissimamente abria a porta da casa para alguém. Fazia-o, às vezes, por
obrigação, nunca por gosto, pressionado pela mulher, Deixa de ser bicho do
mato, homem. Se não frequentava a casa dos pouquíssimos amigos que tinha, se é
que podia chamá-los amigos, colegas talvez, com que direito pensavam eles que
podiam importuná-lo em seu próprio lar? Boa romaria faz quem em sua casa fica
em paz, não cansava de repetir.
Mas não era um bronco, o pai. Aquela mania de utilizar-se
de ditados, provérbios, adágios, anexins e afins, adquiriu-a com a leitura
atenta de Cervantes, da admiração profunda pelo Dom Quixote e seu escudeiro
fiel. Possuía edição riquíssima do Engenhoso Fidalgo, em quatro volumes
encadernados em couro, gravados com letras douradas e ilustrações de Gustave
Doré, um verdadeiro tesouro, o orgulho de sua biblioteca. A torto e direito,
sem quê nem porquê, lá vinha o pai com Tantas vezes vai o pote à fonte que um
dia ele se quebra, Falar é prata, calar é ouro, Mais vale um pássaro na mão...
Tampouco era ingênuo, o pai. Extremamente religioso, a tal rigidez e o
isolamento social eram provenientes muito mais de uma austera retidão moral, Este
é um mundo de expiações e provas!, resumia.
O menino não dispunha de palavras precisas, sutis, sofisticadas
para analisar o pai e definir-lhe a personalidade, mas era dotado de agudo
senso de observação, além de um genuíno e precoce poder de reflexão sobre a
natureza humana. Intrigava-o, portanto, aquela relação do pai com Heitor, o
louco da aldeia. O homem assustava até pelo porte físico, enorme, mais de 140
Kg de peso, pletórico, atarracado, ao andar adernava com pernas e braços abertos,
buscando o difícil ponto de equilíbrio, a cabeça enterrada no tronco sem
pescoço, o que talvez explicasse a voz cavernosa saída diretamente dos pulmões
para a boca e a respiração ofegante e ruidosa a sugerir alguma obstrução
respiratória, o cabelo cortado rente à escovinha ressaltando a cabeçorra
redonda como uma bola de futebol. Impressionava mais que tudo a cor dos olhos,
sempre arregalados, de um azul-água quase transparente. Eram doces os olhos de
Heitor.
A fala era rápida, entrecortada por soluços e engasgos,
as palavras saiam comidas pela metade, Trouxe uns diamantes da minha fazenda
para o senhor, disse Heitor assim que entrou na pequena varanda. O pai
agradeceu amável, Muito obrigado, Heitor, são lindos!, e recolheu as quatro
pedras roliças, lisas, dessas que se encontram no leito dos rios, cada uma
pesando cerca de meio quilo, Vou guardar os diamantes com carinho, São da minha
fazenda na Mantiqueira, Ah!, você tem uma fazenda na serra?, Tenho cinco mil e quinhentos
alqueires de terra muito boa, tudo plantado de café, estou exportando café, Que
interessante!, café plantado nas alturas dizem que é do bom, Além da mina de
diamantes, foi de lá que tirei esses aí, Ah!... A exclamação do pai deixava
transparecer a maior sinceridade possível.
E a conversa prosseguia animada, o menino assustado
entreolhando pela fresta da porta, tão perplexo com as pedras quanto com a
solicitude e a aparente credulidade do pai. Serão mesmo diamantes?, chegou a
pensar, E se os diamantes estiverem no miolo das pedras, que precisam ser
quebradas para revelar o tesouro? O menino começou a duvidar de tudo, de todos,
dele próprio, e delirou diante daquela estranha e incompreensível realidade.
Heitor despediu-se, o pai entrou carregando as pedras,
sorridente, bem humorado, e percebeu o ar interrogativo do filho, ar de aflição
mesmo, e tranquilizou-o, É o Heitor Louco, meu filho, mês que vem ele volta com
mais diamantes, e jogou as pedras no fundo do quintal. Mais não disse, nem lhe
foi perguntado.
Muitos anos se passaram, o menino tornou-se homem, e
aprendeu que não se desmente uma alucinação, pois para quem alucina, aquela é uma
verdade inquestionável. O pai, de alguma forma, intuíra o conceito de realidade
psíquica, algo que embora não seja concreto, nem por isso deixa de ser real.
segunda-feira, 15 de outubro de 2012
Extravagância
Íntegro, conservador, muito religioso, frente a uma insinuação maldosa perdeu a cabeça e soltou um palavrão: Ora bolas!
cheiro de infância
este maldito cheiro
de doce de banana
a inundar a casa
na manhã de sábado
é o cheiro que não passa
da minha infância
pois é doce o cheiro
- hoje sei e sinto -
da minha infância
que não deixo passar
de doce de banana
a inundar a casa
na manhã de sábado
é o cheiro que não passa
da minha infância
pois é doce o cheiro
- hoje sei e sinto -
da minha infância
que não deixo passar
A bondade de maria
Embora
maria tenha lavado minhas fraldas quando nasci, pois não as havia descartáveis
naquela época, no mês de janeiro mais chuvoso de que se tem notícia até os dias
de hoje na Capital, a primeira lembrança que tenho dela data de nossa mudança
para a casa vizinha à casa de meus avós no Interior e eu já era um menino
crescidinho, e maria era a empregada de Breno e Ceci, desde sempre, salvo antes
de ela chegar à casa de meus avós, e aí residia o mistério!
maria
era a cozinheira e a cozinha o seu reino. Lá ela mandava e desmandava, escolhia
cuidadosamente os ingredientes no mercado municipal, carnes, verduras, legumes,
frutas, os mais variados temperos, incluindo a pimenta malagueta, a
indispensável banha de porco que emprestava todo o sabor às comidas, estipulava
ela mesma o cardápio, às quartas pastel de queijo, carne, palmito ou frango,
sua especialidade, embora não fossem menos apreciados o torresmo, o feijão
mulatinho temperadíssimo, o bife acebolado às segundas, o frango ao molho pardo
às quintas-feiras, o arroz soltinho todo santo dia. Manjar de coco com ameixas,
a sobremesa preferida da avó. No verão, sorvete de abacaxi! As refeições
encerravam-se infalivelmente com o cafezinho de coador, forte, perfumado,
saboroso, entregue ao avô adoçado e mexido, em xicrinha de porcelana, por Ceci,
um doce de mulher.
Não
havia quem desconhecesse a infinita bondade de maria. Analfabeta, pobre, meio
índia, quase sempre coberta de andrajos, porém boníssima, paradoxalmente
boníssima... Chaninho, o seu gato predileto, com tinturas de angorá; havia
outros, inúmeros, iam aparecendo e desaparecendo com o tempo, apenas Chaninho
permanecia, fiel como um cão, proprietário. maria os alimentava a todos com
iscas de carne de primeira, aquela que seria servida no almoço, para desespero
de Ceci, econômica ao extremo. Mas quando alguma gata de rua dava cria, maria
pegava todos os filhotinhos, enfiava-os num saco com uma pedra, jogava da ponte
bem no meio da correnteza do Ribeirão dos Alves.
- Coitadinhos,
não terão o que comer, alegava.
Além
da bondade, o cigarro de palha de fumo-de-rolo forte, fedorento, grosso, longo,
enorme para que durasse todo o dia, que se não estava no canto da boca
desdentada repousava atrás da orelha sempre à mão, era a outra indefectível marca
de maria. À noite, no silêncio do infecto porão sem janelas onde dormia em um
catre imundo, maria acendia o terceiro cigarro do dia; acompanhava o pito a
tosse violenta, catarrenta, constante, cansativa, maligna, e que anos mais
tarde a levaria à horrorosa morte enfisemática.
Apenas
uma vez vi maria derramar lágrimas copiosas, ela uma pessoa boníssima e feliz,
alegre e risonha por natureza. Foi quando Otília a repreendeu severamente por
não ter impedido que Beatriz, a filha mimada, brincasse de pular sobre um copo
de vidro, de-lá-pra-cá-daqui-pra-lá interminavelmente, E se Beatriz caísse
sobre o copo e o copo se quebrasse?, gritou Otília, histérica, maria
sentidíssima, mas a bondade dela a impedia de compreender essas coisas, essas
interdições, tudo aquilo que não fosse o desejo do outro, não o dela, que
desejos ela não os tinha, parece que nem sabia o que era desejar.
Todavia, havia um mistério. Não se
falava uma palavra sobre o passado de maria, mais um dos assuntos proibidos em
casa dos avós, discretíssimos sempre, também por natureza.
Muitos anos mais tarde ouvi o
comentário vindo de Otília de que maria era filha bastarda de um irmão de meu
avô, que então tomou a guarda da menina maria, aquela desvalida de lendária
infinita bondade, minha segunda mãe. Hoje sei, sou filho de maria.
sexta-feira, 12 de outubro de 2012
Autobiografias
À primeira vista,
apenas os notáveis deveriam publicar autobiografias, gente que, de fato, tem o
que dizer, registrar, revelar, tornar público, considerando a vida que levam, os
atos que praticam, e geralmente o fazem ao final da vida. A realidade, no
entanto, não tem sido esta: as livrarias estão abarrotadas de autobiografias de
pessoas de alguma notoriedade, porém “desimportantes”, digamos assim, e que
estão longe do fim da vida, provavelmente. Afora o compreensível e legítimo
desejo de ganhar dinheiro, o que buscam tais indivíduos ao exporem suas
intimidades? A fama perene? O reconhecimento público? Ou trata-se mesmo tão
somente de uma jogada comercial?
Todo homem tem sua
importância, e, em princípio, tem uma história a ser contada, a história de sua
própria vida. E se o homem comum é capaz de contar com engenho e arte a sua
história, então podemos pensar que aí reside a origem do Romance. A partir
desta ideia, surge a interrogação, desprovida de qualquer ranço de pedante
exibicionismo: todos temos direito a uma autobiografia?
Encontro no último
livro de Zygmunt Bauman, Isto não é um diário (Zahar, 2012), a
interessantíssima pergunta (a diferença entre filósofos e não filósofos é que
os primeiros sabem fazer perguntas!): “Qual é, afinal, a diferença entre viver
e contar a vida?” E, em seguida, Bauman cita José Saramago, ao qual rende
homenagens por ter se tornado fonte de inspiração recente: “Creio que todas as
palavras que vamos pronunciando, todos os movimentos e gestos, concluídos ou somente
esboçados, que vamos fazendo, cada um deles e todos juntos, podem ser
entendidos como peças soltas de uma autobiografia não intencional que, embora
involuntária, ou por isso mesmo, não seria menos sincera e veraz que o mais
minucioso dos relatos de uma vida passada à escrita e ao papel.”
Portanto, todo homem
tem sua autobiografia não intencional, e se a registra em livro ou não, esta é
uma outra questão a ser colocada a partir de motivações de ordem pessoal. Queiramos
ou não, e é bom prestarmos atenção nisso, (pois trata-se de nossa
responsabilidade perante a vida), estamos permanentemente a viver/contar a
nossa história. As palavras que proferimos, os gestos que praticamos, representam
a inscrição, o registro, a publicação contínua e indelével de nossa
autobiografia.
quarta-feira, 10 de outubro de 2012
O professor
A voz grossa e entusiasmada do Professor Afonso reboava na
sala, para admiração dos alunos, respeitosos, meninos ainda cursando o ginásio,
diante da autoridade inquestionável do melhor professor da Escola. Prosseguia o
brilhante professor da língua mãe, a última flor do Lácio, gostava de repetir:
Não se pode dizer que o Demônio tenha lábios, não fica bem, ele tem beiços! E
que beiços! Já uma donzela, não ponham beiços nela, pois ela tem lábios... Tal
qual Iracema, a virgem dos lábios de mel!
E o menino guardou o ensinamento como quem guarda joia rara:
cada palavra em seu lugar. Ao longo da vida de menino, depois adolescente, foi
compondo variações sobre o tema
:
qualquer palavra tem seu lugar;
:
todas as palavras são usáveis, basta colocá-las em seu devido lugar;
:
não há palavras boas nem más, melhores ou piores, só precisam estar no lugar
adequado;
: até
mesmo o palavrão tem seu lugar;
:
a força da palavra no lugar certo pode ressuscitar um morto;
:
compete a cada um de nós escolher a palavra certa para o lugar certo, num
determinado momento;
: não
é preciso ter medo das palavras;
:
a palavra é tudo.
A pedagogia do exemplo é mesmo a
melhor forma de ensinar, se não a única. O menino tornou-se professor. Desejava
repartir a joia rara tão bem guardada com os meninos de agora: pensar é
utilizar-se bem da linguagem. E sempre que podia, lá vinha ele com o ditado do
velho Afonso: Lábio é lábio, beiço é beiço! Cada vez mais, apaixonava-se pelas
palavras. Tornou-se leitor fervoroso dos clássicos, e também dos modernos e
contemporâneos, dentre estes Guimarães Rosa e Manoel de Barros, ambos
inventores, dizia o professor. De Rosa, encantava-se com as primeiras palavras
do Grande Sertão:
“– Nonada. Tiros
que o senhor ouviu foram de briga de homem não, Deus esteja.”
Apreciador sensível de poesia, certa vez leu em Matéria de
poesia, de Manoel de Barros:
“Todas as
coisas cujos valores podem ser
disputados no
cuspe à distância
servem para a
poesia.”
E
pensou: Qualquer palavra serve para a poesia.
Por puro prazer, esmerava-se no preparo das aulas, tanto no
conteúdo como na forma, e principalmente na forma, garimpeiro cuidadoso na
escolha de cada palavra, para que as ideias fossem claramente expressas e os
ouvintes pudessem guardá-las para sempre. De repente, em meio a uma fala séria
e compenetrada, lá vinha ele com um palavrão, altissonante PUTA-QUE-O-PARIU a
ecoar pela sala (pois não tolerava aluno sonolento que não estivesse
aproveitando aquele momento), para espanto e indisfarçável gozo dos meninos,
agora todos despertos: O professor também fala palavrão, comentavam, entre
risinhos agitados. (Houve até caso de reclamação por parte de mãe assaz
virtuosa: Este professor está desencaminhando meu filho! O diretor da Escola,
que bem conhecia a competência do professor, arquivou a queixa, também ele
adepto do Lábio é lábio...). Suas aulas, portanto, tornaram-se
concorridíssimas, a sala sempre cheia, entusiasmados aplausos ao final. Tornou-se,
é certo, um bom professor, às custas de estudo, empenho e alguma arte.
Passaram-se os anos, aposentou-se o
professor. Bem verdade que sentia falta da sala de aula e daqueles meninos que
chegavam todos os anos com a mesma idade, enquanto ele ficava, a cada ano, um
ano mais velho. Quando os colegas solicitaram que continuasse ministrando uma
ou duas aulas por semestre, a título de colaboração com os professores, e para
que os estudantes não ficassem completamente privados de seus ensinamentos, de
pronto ele aceitou. Assim, por mais algum tempo, o professor dirigia-se à
Escola eventualmente, para prestar sua colaboração, e nem é preciso dizer que
de forma graciosa. Talvez, ele pensava, sentisse culpa por ter se aposentado,
tão carentes e necessitados os meninos de agora.
Alguma coisa, porém, vinha mudando
nos últimos semestres, percebia o professor. E para pior. Suas aulas já não
causavam o impacto de antes. Aplausos, nem pensar. O palavrão já não despertava
curiosidade e excitação. O entusiasmo dos ouvintes diminuía a cada ano. Reinava
inexplicável apatia entre os estudantes. Até que algo impensável ocorreu em
sala de aula, impensável porque aquilo o professor nunca pudera tolerar, não
com ele: que os alunos conversassem enquanto ele falava. Ele tomava o fato como
algo pessoal: A aula não está a contento, o conteúdo deve estar equivocado,
falho na forma, a aula está chata, maçante, vazia, letra morta, incoerente,
confusa, insignificante, fútil, chocha, banal, vulgar, enfim, uma frioleira. E,
definitivamente, a culpa é minha, pensava o atormentado professor.
Mesmo assim, resolveu apurar. Na
última aula, o tema era seríssimo, denso, pesado, chegava a sentir pena dos
meninos, tentava amenizar, tornar a coisa mais suave, mesmo assim o assunto era
duro: sobre a morte e o morrer. Pois não é que duas meninas, bem a sua frente,
conversavam e riam sem parar! O professou chamou-lhes a atenção e nada,
continuaram conversando e rindo. Dirigiu-se a elas então de forma pessoal: Qual
é o nome de vocês?, o que vocês têm a dizer sobre o assunto, repartam conosco o
que estão pensando. Nada. Nada disseram as meninas, apenas continuaram
conversando e rindo, rindo e conversando, para desespero do professor.
Terminada a aula a duras penas, o professor convidou as duas
para uma conversa particular. Elas relutaram, mas foram praticamente obrigadas
a aceitar. E o professor perguntou, direto, sem rodeios, puto da vida, confuso,
irritado: Qual é o problema? Estupefato, ouviu: Que problema, professor? Porra
(ele levava mesmo a sério essa história de Lábio é lábio...), vocês conversaram
e riram durante toda a aula! Desculpe professor, se faltamos com o respeito.
Não quero desculpas, quero entender o que está acontecendo. Professor, mas é
assim mesmo, em todas as aulas. É assim, em todas as aulas? É, professor, o
senhor desculpe. Já disse que não me interessam as suas desculpas! Então o que
o senhor quer, professor, que fiquemos caladas durante uma hora? Não, quero que
vocês repartam com a classe aquilo que estão pensando, sobre o tema que estamos
discutindo. Mas não queremos repartir, professor, não estamos acostumadas a
dizer o que pensamos para os nossos colegas, afirmaram as meninas, agora em tom
peremptório, denotando já alguma impaciência e agressividade.
O professor deu-se por vencido. Voltou
para casa triste e ensimesmado, considerando a possibilidade de encerrar
definitivamente a carreira docente. Lembrou-se então do velho Machado, eterno
companheiro das horas de melancolia, outro mestre na arte de colocar cada
palavra em seu lugar. Escreveu, o Bruxo, que um certo homem – que bem poderia
ser um nostálgico professor aposentado –, numa certa noite de Natal, desejou
exprimir com palavras, mais precisamente em versos, as sensações de um tempo
passado, e só lhe saiu o pequeno verso:
Mudaria o Natal ou mudei eu?
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