Segunda charge do dia
terça-feira, 8 de março de 2022
A força do cartoon
Monte Wolverton, Courtesy of Cagle Cartoons
Nos últimos meses este blog tem dado destaque aos cartoons, ou charges, como são conhecidos na língua portuguesa. Não é uma escolha fortuita, eles têm uma capacidade incrível de comunicar uma ideia, de forma impactante, poderosa, especialmente quando se trata de Política, e quase sempre com muito humor. Mas são úteis também nas orientações de saúde, comportamento e outras situações.
Stan Shatenstein, editor da Tobacco Control, em comemoração aos 30 anos da revista, publicou série de cartoons que incentivam a desabituação do uso do tabaco. Aquele que encima este texto é um bom exemplo, pelo impacto que ocasiona.
Mostro aqui outros exemplos.
Fumante passivo
Em nosso país, a desorientação social causada pelas absurdas ações governamentais (e de seguidores fanáticos) durante a pandemia de Covid-19 gerou inúmeras charges, representadas aqui por Jean Galvão.
Influência nociva
gatos
Dia Internacional da Mulher
Homenagem a todas as mulheres, na pessoa de Mercêdes Fabiana, por sua inteligência, tenacidade, perseverança, competência profissional. Na manhã de hoje ela alimenta seus gatos antes de ir para o árduo trabalho de todo dia.
segunda-feira, 7 de março de 2022
Blog terapêutico (#2)
10 anos de Louco
Praticar a escrita terapêutica, expressão corrente nesse blog, não significa ‘fazer’ terapia, é bom que se esclareça. Apenas chama atenção para uma possível função terapêutica do hábito de escrever.
Esta ideia de escrita terapêutica está presente no Louco por cachorros desde seus primórdios, há quase 10 anos. Sentar-se diante do computador, abrir a tela em branco, pensar e escrever pode ter uma função terapêutica. Antes de tudo, ajuda a organizar os pensamentos.
Aqueles que a praticam sabem quão interessante é o processo da escrita. Surge o tema, das mais variadas fontes ou sabe-se-lá-de-onde. Sem a preocupação de se aprofundar nele, o escritor (todo aquele que escreve) começa a escrever. Depois de algum tempo, com calma e certa perseverança, as ideias surgem, às vezes aos borbotões desordenadas, e a história se desenvolve, vai ganhando cores e formas antes não pensadas, de repente desponta um belo final, não previsto pelo autor. De onde vêm as ideias?, muitos haverão de perguntar. Vêm de quem escreve; de quem mais poderia vir?
Mas há aqueles que não escrevem. Outro dia assisti excelente filme dirigido por Martim Scorsese, rodado em 1975: Alice não mora mais aqui (Alice doesn’t live here anymore), premiado com Oscar de melhor atriz e melhor atriz coadjuvante. Há uma cena em que Alice, de mudança, se despede da grande amiga, ambas aos prantos pela dor da separação. Alice, condoída, afirma:
– Vou escrever para você!
– Não, não vai, as pessoas dizem isso mas nunca escrevem...
Verdade, as pessoas têm muita dificuldade para escrever, até mesmo uma ‘simples’ cartinha. Diante dessa dificuldade inicial, que tal fazer uso do blog de forma diversificada, com ideias que brotarão da mente do blogueiro da mesma forma que surgem as palavras para quem escreve! É deixar o inconsciente trabalhar.
As preferências pessoais do blogueiro ditarão os assuntos a serem escolhidos: Cinema, Música, Poesia, Astronomia, Literatura, Fotografia, Filosofia, há quem goste de Mapas, Futebol ou qualquer outra modalidade esportiva, quem sabe não se inicia uma brilhante carreira de microcontista! como ocorreu com meu amigo Moisés, um gênio do gênero!
Ainda para os que não escrevem: descubra uma fotografia interessante na Internet, pode até ser uma pintura. Mostro aqui um bom exemplo:
Observe com calma, a mente solta como um passarinho; preste atenção na luz, na rua deserta, nas pernas da moça, cruzadas à espera de alguém tarde da noite, distraída?, ansiosa?, tensa?, você é quem sabe, você decide sobre o destino dela. Pois conte uma história! Se não puder escrever um romance, faça apenas um breve comentário sobre a fotografia. Ambos poderão agradar a um eventual seguidor do blog. (Porém, primordialmente o blog precisa agradar, ser fonte diária de prazer, ao próprio blogueiro.)
A esta diversificação de temas a serem tratados com maior ou menor profundidade, a depender do gosto e habilidade do blogueiro, com destaque para a escrita terapêutica, citada no texto anterior (*), estou chamando de Blog terapêutico.
Preciso fazer justiça: o mundão da Internet será um grande parceiro àquele que desejar iniciar um blog.
No próximo texto, como o Louco por cachorros ajudou em minha educação sobre a arte de pintura.
(*) http://loucoporcachorros.blogspot.com/2022/03/10-anos-de-louco.html
flores de gengibre
tropicais exóticas
rodopiam no jardim
domingo, 6 de março de 2022
Eutanásia
Quem decide sobre aborto, eutanásia e drogas? Este o título do artigo de Hélio Schwarsman para a Folha hoje (4 mar 2022).
Tendo em vista que “A Suprema Corte da Colômbia determinou que o aborto não pode ser considerado crime quando realizado até a 24ª semana de gestação”, Schwartsman discute se aborto, eutanásia e uso de drogas devem ser decididos por legisladores ou juízes.
Há um ponto que desejo destacar, no texto do articulista:
“Assim como você não consulta seu vizinho para saber o que pode cozinhar para o jantar, não penso que deva consultar a sociedade para saber se vai dar sequência a uma gravidez, se vai consumir cocaína, ou se vai abreviar sua passagem por esta Terra. Essas são questões tão indevassavelmente íntimas que nem o Estado tem legitimidade para regulá-las.”
E ele conclui:
“Manter uma gravidez, usar drogas e encurtar a própria vida são condutas cujas repercussões recaem primordialmente, ainda que não exclusivamente, sobre quem as pratica. E, de qualquer forma, parece estranho sustentar que pessoas, grávidas inclusive, podem se acabar com álcool, mas não com outra droga, que podem cometer suicídio, mas não solicitar apoio médico se não tiverem mais condições de tirar a própria vida.
Deveria haver limites para a hipocrisia social.”
Sempre que na mídia vem à baila o tema eutanásia, talvez entre tantos o maior tabu existente em nossa sociedade – a palavra faz parte daquelas que não podem ser ditas ou escritas, muito menos pensadas – este blog se manifesta. Que seja apenas para chamar atenção ao incômodo dilema. Schwartsman foi mais enfático e chamou de hipocrisia social.
Minha ideia é a de que o assunto precisa ser discutido. Grande número de países em todo o mundo já regulamentou a eutanásia, cada qual com suas peculiaridades, respeitando aspectos históricos e culturais de cada local. Por aqui, o mais profundo silêncio.
Força
por quê obriga o homem
– o jequitibá gigante –
olhar para o céu?
Coautoria de Cecília Vianna.
Foto: AVianna, fev 2022