Charge do dia
sábado, 18 de dezembro de 2021
sexta-feira, 17 de dezembro de 2021
Áustria aprova eutanásia
Viena (Áustria) / AFP (17 dez 2021)
“O Parlamento da Áustria aprovou nesta quinta-feira (16) que pessoas que sofrem de uma doença grave ou incurável possam fazer eutanásia.
Segundo o texto, que teve o apoio geral no Legislativo, com exceção do partido ultradireitista FPO, os adultos em fase terminal de doenças ou que sofrerem de uma doença permanente e debilitadora poderão ter ajuda para pôr fim à vida.
Dois médicos, um deles especializados em medicina paliativa, deverão avaliar cada caso. Eles terão que determinar se o paciente é capaz de tomar a decisão de forma independente.
Além disso, os pacientes deverão esperar 12 semanas até que seja aceita a ajuda ao suicídio, para evitar casos de crises temporárias. Esse prazo será só de duas semanas para pacientes terminais.
Além disso, foi aprovado um orçamento de 108 milhões de euros para os cuidados paliativos, para garantir que "ninguém escolha a morte se existem outras possibilidades".
A eutanásia é legalizada em outros países europeus, como Bélgica, Luxemburgo, Holanda e Espanha. Na América do Sul, apenas a Colômbia permite a eutanásia ativa.”
Precisamos discutir o assunto!
Desmonte da CAPES
Graças a uma bolsa da Capes fiz minha pós-graduação na Universidade de Londres, nos idos de 1980, obtendo o título de PhD pelo King`s College London. Passados mais de 30 anos, na condição de professor aposentado pela Universidade de Brasília, asseguro que não há qualquer laivo de vaidade nessa afirmação. O que há é tristeza e indignação diante do que este governo vem fazendo com as instituições de ensino no país. Sou compelido, portanto, por obrigação moral, a me manifestar sobre o que vem ocorrendo nessa área.
Soraya Smaili, Maria Angélica Minhoto e Pedro Arantes, professores e coordenadores do SOU CIÊNCIA (Centro de Estudos Sociedade, Universidade e Ciência) da Universidade Federal de São Paulo, publicaram hoje na Folha de S.Paulo ótimo texto com o título “Passando a boiada na educação superior - Estamos diante de enorme incerteza e colapso de uma política de Estado”.
Afirmam eles que a estratégia do governo federal de “passar a boiada”, expandiu-se “à cultura, à educação, à ciência. Nos últimos meses, experimentamos crises severas em dois importantes órgãos do Ministério da Educação: o Inep e a Capes.”
A Capes foi criada em 1951, com o objetivo de expandir e consolidar a pós-graduação no país, além de preservar a qualidade da produção científica e dos cursos de pós-graduação, através de avaliação sistemática a cada quatro anos. “No atual governo federal, o órgão sofreu instabilidades, que atingiram seu ápice com a nomeação da atual presidência e a formação de equipes inexperientes, vinculadas a programas de pouca qualidade.”
Informam os autores do artigo: “O paradoxo instalado pela direção da Capes, que de um lado contribuiu para a letargia da avaliação e de outro para viabilizar a abertura de cursos novos de caráter mercantil, levou a pedidos de exoneração de pesquisadores dos comitês científicos, totalizando mais de 114 desligamentos, além da exoneração do diretor de Avaliação, Flavio Anastacio de Oliveira Camargo, ocorrida na terça-feira (14). Uma autorização judicial permitiu a continuidade da avaliação, porém sub judice, visto que as notas dos programas não poderão ser publicadas até a decisão judicial. Paralelamente, o Tribunal de Contas da União solicitou apuração relacionada à crise das exonerações.”
“Estamos diante de um colapso da política de Estado, bem como de uma enorme incerteza em um momento em que o sistema universitário e de pesquisa é essencial na atuação em defesa da vida e da reconstrução nacional. A quem interessa o desmonte das políticas de Estado que dão acesso, regulam e avaliam a educação superior? Minar sistematicamente estruturas da educação, especialmente as voltadas à qualidade educacional, é o mesmo que destruir o futuro da nação.”
Os autores concluem: “O tempo para reconstruir o desmonte é incerto, mas há que se iniciar o quanto antes, sob pena de perdermos mais uma geração — e, desta vez, não para a pandemia, mas para outra boiada. A boiada da educação.”
Registro aqui minha absoluta indignação diante de tais fatos.
https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2021/12/passando-a-boiada-na-educacao-superior.shtml
quinta-feira, 16 de dezembro de 2021
quarta-feira, 15 de dezembro de 2021
Cristianização
“Centrão aposta em 'cristianização' de Bolsonaro após pesquisa mostrar rejeição de 55%.”
Adianto ao meu eventual leitor que não estou nem um pouco interessado no fato político em questão. O que me chamou a atenção, quando o vi pela primeira vez – grudei mesmo na palavra –, foi o termo “cristianização”!
Pensei pensei pensei, busquei alguma associação com o cristianismo, a influência religiosa na política está em alta no momento, talvez algum tipo de doutrinação; mas nada, não encontrei solução para o que parecia um mistério para mim.
Até que deparei hoje com o texto de Gerson Camarotti, para o g1 (15 dez 2021): “No jargão eleitoral, termo 'cristianização' é usado quando candidato é abandonado pelos próprios aliados”.
Afirma o comentarista político: “Pesquisa caiu como uma bomba sobre avaliação do governo Bolsonaro. Lideranças de partidos do Centrão ouvidas pelo blog já trabalham com o cenário de "cristianização" da candidatura do presidente Jair Bolsonaro à reeleição, diante da rejeição recorde do governo.”
E Camarotti explica: “Trata-se de uma referência aos anos 1950, quando o então candidato à Presidência Cristiano Machado foi traído pelos companheiros de PSD, que optaram por apoiar Getúlio Vargas, do PTB.”
Fui conferir na Internet e encontrei que “Cristiano Monteiro Machado (Sabará, 1893 - Roma, 1953), filho de Virgílio Machado e de Marieta Monteiro Machado, formou-se Bacharel pela Faculdade Livre de Direito do Rio de Janeiro em 1918. Foi prefeito de Belo Horizonte de 1926 a 1929 e concorreu à Presidência da República em 1950 pelo PSD. As principais chapas concorrentes foram as de Eduardo Gomes - Odilon Braga, da UDN, e Getúlio Vargas - Café Filho, da aliança PTB-PSP.”
O Partido Social Democrático acabou apoiando Getúlio Vargas. Cristiano Machado insistiu em se candidatar, mesmo sem o apoio do partido, o que deu origem ao termo "cristianização", quando o candidato é abandonado pelo seu próprio partido para apoiar outro nome de maior peso.
Em 1953 Machado foi nomeado embaixador do Brasil no Vaticano, mas faleceu um pouco depois, em Roma.
Ao término desta crônica, fico com a impressão que somente eu não conhecia essa história. Santa ignorância!
https://pt.wikipedia.org/wiki/Cristiano_Machado






