sexta-feira, 3 de dezembro de 2021

Em tempos de celular

Segunda charge do dia 


André Dahmer


Retrato de George



 
Constantin Brancusi, 1911
(Romênia, 1876 - Paris, 1957)

Entramos num túnel

Charge do dia 

Genildo Ronchi - Divulgação



Esta charge de Ronchi correu o mundo, foi replicada, e seu autor agora deseja vender a imagem como NFT.

Que bom quando temos escolha em que janelinha sentar! 

          No Brasil de hoje, o ônibus entrou em um longo túnel e só vemos escuridão.


quinta-feira, 2 de dezembro de 2021

Mapa da Argentina

Eu amo mapas


 
Mapa topográfico da Argentina

Bíblia e Constituição, nessa ordem?

 


 

Nesta quarta-feira (1º dez 2021), André Mendonça, indicado para ministro do STF pelo presidente da República, foi submetido a longa sabatina, com oito horas de duração, pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado Federal. Ele assumiu com ênfase o compromisso de defender a Democracia, a Justiça e o Estado laico, e resumiu em frase de efeito seu modo de pensar: "Na vida, a Bíblia; no Supremo, a Constituição". 

            Em seguida, sua indicação foi confirmada pelo plenário do Senado. Mendonça então se dirigiu à sala da Presidência do Senado, onde fez breve pronunciamento, que pudemos assistir ao vivo pele tevê. Aí surgiu a fala enigmática, para dizer o mínimo.

            André Mendonça mudou o tom do discurso apresentado durante a sabatina para uma fala “terrivelmente” religiosa. Depois de “dar glórias a Deus por essa vitória”, afirmou: 

      – “É um passo para um homem, mas na história dos evangélicos do Brasil é um salto. Um passo para o homem, um salto para os evangélicos. ...É uma responsabilidade muito grande, uma nação de 40% dessa população que hoje é representada no Supremo Tribunal Federal."

      Uma atitude de cautela será esperar pelos votos do futuro ministro nos julgamentos do Supremo, quando saberemos, de fato, a que veio ele. Porém, nada me impede de perguntar: por que Mendonça no STF representará um salto para os evangélicos?

      Não consigo imaginar outro sentido para esta fala que não o intuito de defender os interesses da “nação evangélica”, especialmente aqueles que contenham implicações morais e religiosas. Exemplos? Homossexualismo, direito ao aborto, eutanásia, liberdade religiosa plena e tantos outros.

      Retrocesso à vista? 

 

quarta-feira, 1 de dezembro de 2021

Avós e netos, uma relação especial



 Minha avó Cici

 

Pesquisa inédita analisou a ligação entre avós e netos por meio de exames cerebrais - A relação tem mais empatia e é mais emocional do que com os filhos, comprova estudo: texto de João Pedro Fragoso (30 nov 2021) para O Globo. 

“Não existe amor igual ao das avós”. O dito popular pode ter sido comprovado pelo estudo de James Rilling, antropólogo da Universidade de Emory, em Atlanta, Estados Unidos, que avaliou a “reação das avós ao observar fotos de seus netos em diversas situações, e de seus próprios filhos.” 

“Foram recrutadas 50 mulheres com pelo menos um neto biológico na faixa etária dos 3 e 12. Os pesquisadores utilizaram exames de ressonância magnética funcional, que mede as mudanças no fluxo sanguíneo que acontecem com a atividade cerebral, ao mesmo tempo em que mostravam imagens do neto, de outra criança que não conheciam, de pessoas que não conheciam e do pai do neto.”

O estudo revelou “aumento nas atividades na área do cérebro associada à empatia emocional, relacionado, por exemplo, ao instinto de segurar, se aproximar e interagir com a criança.” “A pesquisa sugere que as avós são levadas a sentir o que seus netos estão sentindo quanto interagem com eles. Se o neto está sorrindo, elas sentem a alegria dele. Se está chorando, sentem a dor e a angústia da criança.” 

“Antes do experimento com as avós, Rilling realizou um exercício semelhante com pais que olhavam para as fotos de seus filhos. As atividades cerebrais processadas foram na mesma área das avós, da empatia emocional, mas em nível bastante inferior — embora alguns pais tenham atingido picos de ativação semelhantes.

 Por outro lado, quando essas avós olhavam para as imagens de seus filhos, as áreas cerebrais ativadas foram diferentes. Em vez de serem associadas ao lado emocional, as exercitadas foram as relacionadas à empatia cognitiva. Ou seja, segundo o estudo, essas avós estavam tentando compreender cognitivamente o seu filho adulto em vez de experimentar uma conexão emocional mais direta.”

“— Empatia emocional é quando você é capaz de sentir o que outra pessoa está sentindo,  empatia cognitiva é quando você entende o que outra pessoa está sentindo e por quê — falou, em entrevista ao The Guardian, Rilling. 

“Estudo coordenado pela Berlin Aging Study mostrou que avós que cuidam de netos têm 37% menos risco de morte do que pessoas na mesma faixa etária que não cuidam das crianças. A proximidade emocional entre netos e avós é protetora da depressão e de outros transtornos mentais, além de favorecer habilidades socioemocionais. Já para a criança, sentir-se aceito e amado pelas avós contribui para a autoestima. Ela acredita ser alguém com qualidades para ser amada.”

 

 Reproduzo aqui tais achados pensando em minha querida avó Cici, por quem tinha enorme afinidade, sentimento recíproco, sem dúvida. Penso também na minha queridíssima neta Gabriela, que espero rever em breve, após prolongado isolamento causado pela pandemia. Uma experiência grandiosa essa de ter sido neto e ser avô. Sou grato à Vida por isso.

 

https://oglobo.globo.com/saude/pesquisa-inedita-analisou-ligacao-entre-avos-netos-por-meio-de-exames-cerebrais-25287102

 

Pegou!

Segunda charge do dia 


Nando Motta

Uso controlado de drogas em NY



 Sala em Nova York para uso controlado de drogas

The New York Times

 

 

Nova York / Reuters (1º dez 2021): 


“Nova York inaugurou nesta terça-feira (30) as primeiras salas dos Estados Unidos para que dependentes químicos usem drogas de forma supervisionada, medida que integra os esforços para tentar conter a epidemia de mortes por overdose no país.

Defensores de políticas de drogas voltadas à promoção da saúde argumentam que é melhor oferecer locais limpos e seguros para dependentes químicos como uma medida de redução de danos. Estudo do departamento de saúde da prefeitura estima que esses centros poderiam evitar 130 mortes por ano por overdose na cidade.”

Há os que são críticos desse tipo de serviço; alegam que “tais espaços representam uma ameaça às comunidades onde estão localizados, porque facilitariam o uso de drogas”.

Locais como esse já existem na Alemanha, Austrália, Canadá, Dinamarca, Espanha, França, Holanda, Luxemburgo, Noruega e Suíça. “Além de permitir que os usuários injetem drogas sob supervisão, os centros devem fornecer aos usuários seringas e outros suprimentos, bem como medicamentos para reverter overdoses e opções de tratamento.”

“No ano passado, as mortes por overdose na cidade de Nova York saltaram para mais de 2.000, o maior número desde o início do rastreamento em 2000. Quase 600 pessoas morreram no primeiro trimestre de 2021, de acordo com dados preliminares da cidade, a maior parte em um único trimestre. ...A maior parte dessas mortes (85%) envolveu opioides.” 

“O aumento foi potencializado por opioides sintéticos, sobretudo pelo fentanil fabricado ilegalmente —a droga, cem vezes mais poderosa que a morfina, é muitas vezes usada com outras substâncias que intensificam seus efeitos. Segundo a Prefeitura de Nova York, em 77% das overdoses registradas na cidade em 2020 havia fentanil envolvido, em geral misturado com heroína, cocaína, álcool, analgésicos à base de opioides e anfetaminas.”

 

            Assim caminha a humanidade.

 

Cuidado!

 Charge do dia


Mas cuidado com o que vai escrever, você pode ser preso!

Ilustração de Leandro Assis e Triscila Oliveira sobre detenção de mulher na Dutra por ordem de Bolsonaro.



terça-feira, 30 de novembro de 2021

A Crônica

 


Um ex-grande amigo, pessoa inteligente e culta, gostava de dizer O Brasil é um país de cronistas! Assim mesmo, com exclamação e tudo. Falava de deboche, ácido crítico que era da “literatura tupiniquim”, palavras dele. Em vão eu brandia nomes como Machado, Graciliano, Mário de Andrade, Drummond, João Cabral, Bandeira, além de Rosa – gênio. De nada adiantava, O Brasil é um país de cronistas...

            (Antes de prosseguir: me bate uma tristeza enorme ao escrever as palavras Um ex-grande amigo... Mas essa é outra história.)

            O imperdoável era que eu me esquecia de defender o gênero, a crônica, que se tornou tão grande e de tamanha importância, que eu bem poderia torcer a fala do ex-amigo e dizer O Brasil é o berço dos maiores cronistas da literatura universal!

            Daí o prazer renovado, com a crônica de Álvaro da Costa e Silva para a Folha de S. Paulo de hoje (29 nov 2021), com o título O talento das cronistas mulheres - Elas escreveram em pé de igualdade com os homens na era de ouro do gênero.

            Afirma Silva: “Um mistério da crônica como gênero tipicamente brasileiro é seu frescor. Escritos há mais de 60 ou 70 anos, no improviso e às pressas, textos feitos para o momento e para encher meia página de jornal ou de revista tinham tudo para ser esquecidos imediatamente e virar embrulho de peixe. No entanto, pela sua qualidade, vão ficar para sempre.”

            Que linda defesa do gênero ‘tipicamente brasileiro’; a palavra ‘frescor’ é magnífica; escrita nas coxas (expressão autorizada por Sérgio Rodrigues, grande cronista): ‘no improviso e às pressas’; feitas para encher página de jornal’; o destino, ‘embrulhar peixe’; no entanto, tornaram-se imortais! 

            Silva relembra os nomes de Antônio Maria, Rubem Braga, Vinicius de Moraes, Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos, José Carlos (Carlinhos) Oliveira, Stanislaw Ponte Preta, os conhecidos “sabiás da crônica”. E enaltece a escrita de mulheres como Clarice Lispector, autora de ótima definição para o gênero: "Vamos falar a verdade: isto aqui não é crônica coisa nenhuma. Isto é apenas".​

      Cita ainda Rachel de Queiroz, a mais longeva, Cecília Meireles, sempre  a brigar pela educação no país, Eneida de Moraes e seu livro "Cão da Madrugada" (1954),  Elsie Lessa, 40 anos como cronista de O Globo.

      Por que as mulheres haveriam de ser menos brilhantes cronistas que os marmanjos? Eram todas grandes escritoras, e escreviam crônicas. E isso vale para os tempos atuais!

      Este meu Louco por cachorros registra até o presente momento 628 crônicas, todas de qualidade mais que duvidosa, e que jamais se eternizarão. Mas que prazer eu sinto em escrevê-las, sempre nas coxas, e que não servirão nem para embrulhar peixe. 

      A propósito, gosto mesmo é de escrever cônicas esportivas, quase todas sobre futebol, e que não servirão nem para embrulhar gambá-morto-que-vai-pro-lixo.


 

https://www1.folha.uol.com.br/colunas/alvaro-costa-e-silva/2021/11/o-talento-das-cronistas-mulheres.shtml