quinta-feira, 21 de outubro de 2021

A flor e a náusea

 

Preso à minha classe e a algumas roupas,
vou de branco pela rua cinzenta.
Melancolias, mercadorias espreitam-me.
Devo seguir até o enjoo?
Posso, sem armas, revoltar-me?

 

Olhos sujos no relógio da torre:
Não, o tempo não chegou de completa justiça.
O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações e espera.
O tempo pobre, o poeta pobre
fundem-se no mesmo impasse.

 

Em vão me tento explicar, os muros são surdos.
Sob a pele das palavras há cifras e códigos.
O sol consola os doentes e não os renova.
As coisas. Que tristes são as coisas, consideradas sem ênfase.

 

Vomitar esse tédio sobre a cidade.
Quarenta anos e nenhum problema
resolvido, sequer colocado.
Nenhuma carta escrita nem recebida.
Todos os homens voltam para casa.
Estão menos livres mas levam jornais
e soletram o mundo, sabendo que o perdem.

 

Crimes da terra, como perdoá-los?
Tomei parte em muitos, outros escondi.
Alguns achei belos, foram publicados.
Crimes suaves, que ajudam a viver.
Ração diária de erro, distribuída em casa.
Os ferozes padeiros do mal.
Os ferozes leiteiros do mal.

 

Pôr fogo em tudo, inclusive em mim.
Ao menino de 1918 chamavam anarquista.
Porém meu ódio é o melhor de mim.
Com ele me salvo
e dou a poucos uma esperança mínima.

 

Uma flor nasceu na rua!
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.
Uma flor ainda desbotada
ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio, paralisem os negócios,
garanto que uma flor nasceu.

 

Sua cor não se percebe.
Suas pétalas não se abrem.
Seu nome não está nos livros.
É feia. Mas é realmente uma flor.

 

Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde
e lentamente passo a mão nessa forma insegura.
Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se.
Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em 
pânico.

É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.

 


Carlos Drummond de Andrade

A rosa do povo, 1945

In Poesia Completa, Nova Aguilar, 2002

 

 

quarta-feira, 20 de outubro de 2021

Desastre

Charge do dia


Duke

https://domtotal.com/charge/3460/2021/10//


Em tempo: os jumentos não merecem...

 

Do hábito de fotografar

 

Foto: Cecília Vianna (out 2021)

 

Uma mulher acorda com o nascer do sol, olha pela janela, vê a paisagem, observa a atmosfera. Toma da máquina fotográfica, sai ao jardim e registra a névoa da manhã.

            Fotografar é olhar, ver, observar. Ver o real, com olhos de poesia. Só então registrar aquilo que observou.

            Fotografar é registrar o presente. O hábito de fotografar – como o da mulher que acorda e congela o instante –, traz o sujeito para a vida presente, a única que pode ser verdadeiramente vivida. Impossível fotografar (ou viver) o passado, embora a fotografia possa representar sua memória; impossível fotografar (ou viver) o futuro. 

            Em fotografia, ver o real com olhos de poesia recebe o nome de enquadramento. Enquadrar resume a arte da fotografia. Enquadrar é limpar o terreno baldio, remover o entulho, encontrar a pérola despercebida. 

Com a imagem, ficará registrado o sentimento de quem a fotografou, como por exemplo, a saudade.

            Ao revelar sua obra o fotógrafo ouvirá, Ficou mais bonito que o original! O original é o que é, nem bonito nem feio, como a natureza. O original é atemporal. Daí que o artista busca quase sempre [enquadrar] a presença da figura humana, que dá à paisagem a condição do tempo presente. No futuro, ao rever a fotografia, a figura humana ainda haverá de ocupar a posição central para quem a observa.

            O fotógrafo observa, enquadra, respira profundamente, expira lentamente e só então dispara; para ele, esta é a definição do instante presente. É o que vale a pena ser vivido.

            

terça-feira, 19 de outubro de 2021

Dicionário Histórico do Português do Brasil



Dicionário Histórico do Português do Brasil


Maria Tereza Camargo Biderman (in memoriam)
Clotilde de Almeida Azevedo Murakawa

 

Disponível em: 

http://dicionarios.fclar.unesp.br

 

 

 




Interessantíssimo! Vale a pena conhecer.


Erva-de-rato com formigas





“A Asclepias curassavica é conhecida popularmente como: oficial-de-sala, algodãozinho-do-campo ou paina-de-sapo, pertencente a família Asclepiada- ceae. E ́ caracterizada por ter plantas lactescentes com flores hermafroditas actinomorfas geralmente de porte herbáceo, sendo uma espécie ruderal comum produzindo flores e frutos o ano inteiro. Cada flor de Asclepias possui 2 ovários e 5 pares de polinia, os membros de cada par estão conectados, sendo removidos por seus polinizadores. Dentre os insetos polinizadores os pertencentes a ordem Hymenoptera são considerados os mais eficientes. 

No sistema estudado, as formigas agem como parasitas das plantas de A. curassavica, porque roubam o néctar da planta, diminuindo assim a demanda para seus potenciais polinizadores. Elas prejudicam a capacidade da planta em produzir frutos e sementes havendo uma diminuição da aptidão das plantas pela redução das chances de polinização, uma vez que a oferta de néctar diminui ou a presença de formigas inibe polinizadores.”

 

In: Formigas em flores de asclepias curassavica (asclepiadaceae) no Vale do Rio Quilombo: amigas ou inimigas? 

Mariana Azevedo Rabelo (Universidade Federal de São Carlos campus Sorocaba, Sorocaba, SP, Brasil) e Ronaldo Bastos Francini (Universidade Católica de Santos - Campus D. Idílio José Soares, Santos, SP, Brasil). 


http://seb-ecologia.org.br/revistas/indexar/anais/xceb/resumos/836.pdf



Foto: AVianna, mar 2019, jardim

segunda-feira, 18 de outubro de 2021

Miguel Covarrubias

 


The Tree of Modern Art, 1933, por Miguel Covarrubias

 

José Miguel Covarrubias (Cidade do México, 1904-1957) foi um pintor e caricaturista, etnólogo e historiador de arte mexicano. Insatisfeito com o seu início de carreira no México, mudou-se para Nova Iorque em 1924, desenhou para várias revistas de relevo, casou com a dançarina Rosa Roland e ali permaneceu até 1932 quando viajou para o Sudeste Asiático (Java, Bali, Vietname), África e Europa como bolsista da John Simon Guggenheim Memorial Foundation, e regressou à Cidade do México onde ensinou etnologia na Escuela Nacional de Antropologia e Historia.

Covarrubias é conhecido pela sua análise da arte pré-colombiana da Mesoamérica, particularmente a da cultura olmeca e a sua teoria da difusão cultural mexicana para o norte, particularmente para a cultura mississipiana. 


 


https://pt.wikipedia.org/wiki/Miguel_Covarrubias

Cães salvam gado

Fotografia 



Cães de uma fazenda conduzem o gado durante uma enchente! Belíssima foto!

No Twitter: Nature And Science Zone @ZoneNature03


Autoria e local desconhecidos.

Cróton



Codiaeum variegatum  é uma espécie de planta perene do género Codiaeum da família Euphorbiaceae. A espécie tem distribuição natural na Indonésia, Malásia, Austrália e ilhas do Pacífico ocidental, ocorrendo em florestas abertas e matagais. 

           A espécie é amplamente utilizada como planta ornamental, incluindo como planta de interior nas regiões temperadas e frias, sendo comercializada sob o nome comum de croton. Estão disponíveis variados cultivares, com coloração foliar diversificada, maioritariamente com variegação de base avermelhada. 

           Nome popular: cróton.

           

           Como é comum entre as plantas pertencentes à família Euphorbiaceae, a seiva pode causar eczema quando em contato com a peleA casca, raízes, látex e folhas são tóxicos para os humanos quando ingeridos. A toxina presente é o composto químico 5-deoxi-ingenol. A planta contém um óleo que é violentamente purgativo e que se suspeita seja carcinogênico. O consumo de sementes pode ser fatal para crianças. 

Estadão muda de formato



 

É o próprio jornal que esclarece: “O germânico, ou berliner, tem esse nome por ter sido adotado no começo do século 20, em contraste com o tradicional formato standard. Tem 31,5 cm por 47 cm e é mais fácil de manusear na comparação com o standard. O berliner conserva o desenho do standard, mas é mais elegante. E não tem o impacto negativo que poderia ter o tabloide, mais associado ao sensacionalismo.”

            O Estado de S.Paulo me acompanha desde que me entendo por gente. Meu pai era assinante, com uma nota inesquecível: ai daquele que ousasse tocar no jornal antes dele! A bronca era feia.

            Em homenagem ao meu pai assino o jornal até hoje, mas prefiro a Folha de S. Paulo.

            Em Caderno Especial, os editores mostram a história das mudanças de formato. Não resisti, fiz uma blague:

          – Na próxima mudança terá o formato de Gibi, e na seguinte, vai desaparecer...