domingo, 2 de maio de 2021

Poesia Prosa Pontuação em Guimarães Rosa

 

 

Não faz muito tempo este blog tratou do uso do ponto e vírgula, inspirado em crônica do grande Sergio Rodrigues.https://loucoporcachorros.blogspot.com/2021/04/ponto-e-virgula.html 

            O assunto, aparentemente fora de moda e desinteressante, suscitou boas conversas com mais dois amigos, e ainda permanece em pauta.

            Poucos dias depois, esse blog cuidou das diferenças entre poesia e prosa, a partir de magnífico fragmento de artigo de Noemi Jaffe, publicação da Revista Serrote. https://loucoporcachorros.blogspot.com/2021/04/poesia-ou-prosa.html 

            A autora se utiliza de dois curtos parágrafos para chegar à pergunta fundamental: Guimarães Rosa escreve prosa ou poesia em Grande Sertão: Veredas e em outros contos?

            Agora, a tarefa a que se propõe este blogueiro – mais conhecido como Louco – é a de juntar ambos os assuntos – Poesia-Prosa e Pontuação – em um único texto, e encontrar respostas no próprio Rosa. O que parece impossível torna-se factível com a leitura de um certo parágrafo de Canto geral, conto que abre o primeiro volume de Corpo de Baile, de Guimarães Rosa (Ed. Nova Fronteira, 2006 – Edição Comemorativa de 50 anos).

            Transcrevo o parágrafo em questão:

 

“Esse dia – foi em hora de almoço –: ele Miguilim ia morrer! – de repente estava engasgado com ôssinho de galinha na goela, foi tudo tão: ...malamém...  morte... – nem deu tempo para idéia nenhuma, era só um errado total, morrer e tudo, ai! –; e mais de repente ele já estava em pé em cima do banco, como se levantou, não pediu ajuda a Pai e Mãe, só num relance ainda tinha rodado o prato na mêsa – por simpatia em que alguma vez tinha ouvido falar – e, em pé, no banco, sem saber de seus olhos para ver – só o acima! – se benzia, bramado: – Em nome do Padre, do Filho e do Espírito Santo!... – (ele mesmo estava escutando a voz, aquela voz – ele se despedindo de si – aquela voz, demais: todo choro na voz, a força; e uma coragem de fim, varando tudo, feito relâmpagos...) Des-de-repente – ele parecia que tinha alto voado, tinha voado por uma altura enorme? – era o pai batendo em suas costas, a mãe dando água para beber, e ele se abraçava com eles todos, chorando livre, do ossinho na goela estava todo salvo.” (p.29) (A grafia é a original, com circunflexo em ôssinho e tudo.)

 

            Em resposta à primeira questão, fica evidente que Rosa subverte todas as regras passadas, presentes e futuras relativas ao emprego da pontuação, não apenas com relação ao ponto e vírgula, mas também com o travessão, o dois pontos, a própria vírgula, a associação deles todos juntos, travessão seguido de dois pontos, de ponto e vírgula, de parêntesis. É um festival de subversão da gramática, em criatividade única, inigualável, a liberdade da própria oralidade! 

            Porque João Guimarães Rosa é único e inigualável!

            Emendo aqui minhas ideias, ligo uma coisa à outra, e busco responder à segunda questão, levantada por Jaffe, se o gênio escreve em prosa ou poesia. Rosa escreve nem prosa nem poesia: É APENAS ROSA!

            O homem reinventou a língua e por isso não pode ser classificado, enquadrado neste ou naquele estilo ou movimento literário – alguns o chamam de pós-modernista, seja lá o que isso queira dizer. Antonio Candido afirma com sabedoria: o regionalismo de Guimarães Rosa é universal.

Assim é que o Louco pretende reunir Poesia Prosa Pontuação em Guimarães Rosa, não para encerrar o assunto, mas para fazer pensar. Puro prazer!

 

            

 

sexta-feira, 30 de abril de 2021

Fim do mundo

 

Quando, pela manhã, seu computador não abriu porque não reconheceu sua própria senha, ele concluiu:

– Estou morto! 


Dois amigos

 

Dois amigos, cultores de gentilezas, disputavam o melhor microconto. Quando o primeiro disse Você ganhou, o segundo replicou, Não, eu perdi.

 

O significado de ferrar


 

Ruy Castro, dos mais reconhecidos cronistas do país, escreveu na Folha de S. Paulo (27 abr 2021):

 

“...em Brasília, um irritado Edson Pujol, ex-comandante do Exército, ao encontrar-se com um abestado Eduardo Pazuello, ex-ministro da Saúde, fulminou-o: "Pô, Pazuello, quando o Bolsonaro lhe proibiu de comprar as vacinas você devia ter pedido demissão. Obedecendo, você se ferrou e nos ferrou junto!".

 

Continua Ruy Castro:

 

“É bom ler dicionários. No Aurélio, o verbo ferrar, significando "causar dano ou prejuízo", como o general Pujol o usou, é apenas a sétima acepção; no Houaiss, é a 14ª. Em ambos, a principal acepção é "pôr ferraduras (em cavalgadura)". Com todo respeito.”

 

            Sigo o conselho do cronista e vou ao dicionário (Pequeno Houaiss, disponível em meu computador), em busca de novos significados de ferrar. Para minha surpresa, todas as acepções do verbo servem, de um modo ou de outro, para expressar as reiteradas atitudes do poder central da república frente à sociedade, especialmente em tempos de pandemia. 

      Pôr ferrão na extremidade é ótimo: serve para cutucar, ferir, até torturar se for preciso. 

Pôr ferradura transforma todo mundo, especialmente subordinados e correligionários, em cavalgaduras (como acentuou Castro). 

Marcar com ferro quente é o que se fazia com escravos submissos e inimigos, ao torturá-los. 

Em sentido figurado, significa render-se totalmente a ou entregar-se; o verbo então cai como uma luva, ao tratar dos fanáticos seguidores da cartilha do ódio, ou de uma ideologia obscura, inqualificável; além dos ditos religiosos fundamentalistas, todos seguidores cegos, incapazes de pensar. 

Cravar ou enterrar, por exemplo, as garras na presa, e trucidá-la: é o que se faz com ex-amigos, ex-correligionários, todos aqueles que em determinado momento deixam de seguir a cartilha. 

Guardei por último o significado que mais bem se aplica, o mais verdadeiro, porque de consequências práticas terríveis: deixar mal ou ficar mal, sem saídaprejudicar. É o que se faz com o Brasil hoje; o país está mal; tão prejudicado que parece sem saída!

Vale a pena ir ao dicionário. As palavras e seus significados nos ajudam a pensar, a formar ideia mais aprofundada do tema em questão.

 

 

https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ruycastro/2021/04/quem-com-ferro-ferra.shtml

 

Filho de peixe

 

Ele conheceu bem o pai do novo vizinho. Quando este lhe atirou a primeira pedra, desculpou-o.


segunda-feira, 26 de abril de 2021

Emílio aos 10 anos

Galeria de Família 


Festa de aniversário

Emílio 10 anos, mamãe Flora, Tia Nara 

e a irmãzinha Olívia!

Um grande ator!

A foto do dia 


Aos 83 anos, Anthony Hopkins, natural do País de Gales, ganha seu segundo Oscar, com o filme Meu Pai. Um grande ator!