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– Pega pra mim, na horta, cebolinha e tomilho.
– É prá já.
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– Isso não é tomilho, é orégano.
– Ah!
– Tomilho é miudinho.
– Ah!
– Gabi, com 6 anos, sabia o que é tomilho!
– Ah!
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aprés Goya
Casa onde Beethoven nasceu, em Bonn, há 250 anos,
hoje um museu
Foto: Andreas Meichsner/NYT
Piano de Beethoven, exposto na casa onde nasceu, em Bonn
Foto: Andreas Meichsner/NYT
Por sugestão de meu irmão Paulo, começo o dia ouvindo a Radio Cultura FM São Paulo, que desde à zero hora toca Beethoven.
Preciso dizer que acho isso tudo emocionante, em especial essas duas fotos da casa onde ele nasceu, tamanha minha veneração pelo homem. Um super-homem, diria Nietzsche.
É preciso ouvir Beethoven hoje e sempre.
Aos jovens da família, fica a sugestão de uma futura visita à casa dele, em Bonn!
O Quadro que agora vai a leilão, por decisão judicial, foi pintado em 1923, durante uma das estadias de Tarsila em Paris, de onde escreveu à sua família: “Na arte, quero ser a caipirinha de São Bernardo, brincando com bonecas de mato, como no último quadro que estou pintando”.
A casa está à venda, em Bristol, Inglaterra. Mas o preço aumentou quando surgiu em uma parede lateral o mural de Banksy, intilulado Atchim!
Voam a dentadura, bengala, bolsa e a mulher faz a careta de quem está espirrando.
A identidade do artista permanece em segredo!
Foto: Rebecca Naden/ Reuters
“O que torna o caso de Bolsonaro especialmente revoltante é que o fracasso do Brasil no manejo da Covid-19 não se deve apenas à incompetência das autoridades, um fato da vida, mas à insistência do presidente em sabotar os poucos consensos científicos sobre a doença a fim de extrair ganhos políticos pessoais. E isso é abominável.”
Hélio Schwartsman
A despeito da opinião de Schwartsman, 52% dos brasileiros afirmam que o presidente não tem nenhuma culpa pelos mais de 180 mil mortos em todo o país até agora.
O desvario que reina no Ministério da Saúde parece que não conta. A ausência de um plano de imunização em massa não conta. A imprevidência na compra de insumos necessários para tratamento e vacinação da população não conta. A falha gritante do tal ministro estrategista – a carta na manga do presidente na difícil escolha de um ministro da saúde subserviente – surpreende até mesmo membros do governo. Então o que conta?
O que conta é o fanatismo em torno de um falso Messias, e quem é fanático não pensa. Conta a ignorância; durante a ditadura militar se dizia que o não cuidar da Educação tinha o propósito de manter o povo na santa ignorância dos que não sabem pensar. Parece que o fenômeno se repete, com a ausência, a falta, a nulidade do Ministério da Educação. Para que educar se já temos um mito?
Até quando, até quando?
“O ex-imperador Gotoba fez com que se reformassem mansões imperiais como a de Toba e a de Shirakawa, as quais utilizava com frequência. Contudo além dessas, havia um lugar chamado Minase, onde mandara construir uma mansão de indescritível elegância, frequentada ainda com mais constância por ele, que por mais que se deleitasse fartamente com ela – com suas flores de primavera e suas folhas avermelhadas de outono – sempre se dava ao luxo de voltar e passar lá o seu tempo, promovendo festins musicados, a ponto de esse seu hábito se tornar conhecido. No período Genkyu, entre 1204 e 1206, por ocasião de um concurso de poemas no estilo chinês e japonês, o imperador Gotoba trouxe à luz este seu poema:
“Vislumbro envolto em névoa primaveril o rio Minase aos pés do monte;
A tal vista, como puderam preferir o entardecer de outono?”
O texto acima pertence ao conto O cortador de juncos, de Jun`Ichiro Tanizaki, e compõe o belo volume com a novela A gata, um homem e duas mulheres (Ed. Estação Liberdade, 2016). http://loucoporcachorros.blogspot.com/2020/12/a-gata-lily.html
Nos séculos XII e XIII, no Japão, havia a disputa para saber o que era mais bonito, o amanhecer na primavera ou o entardecer no outono, as duas estações preferidas dos japoneses. Pois o imperador Gogota compôs o poema baseado em sua experiência pessoal junto ao rio Minase.
O cortador de juncos trata dessas delicadas coisas.
Os temas são, amor, ódio, mentira, traição, engano, dissimulação, egoísmo – tudo coisa de gente. O pretexto, uma gatinha já velha chamada Lily. É disso que trata a originalíssima novela de Jun`Ichiro Tanizaki, com o sugestivo título A gata, um homem e duas mulheres. A edição, muito bem cuidada, é da Estação Liberdade, 2016; na capa, bela pintura do início do século XIX.
O estilo de Tanizaki é, no mínimo, delicioso. Ele conta suas histórias bem devagar, repete, acrescenta pequenos detalhes a cada nova versão, beira a ingenuidade, apenas na aparência. Porém, fala mesmo é dos sentimentos humanos, complexos e conflitantes, com as particularidades da cultura nipônica.
Vejamos o início da história, uma curiosa carta de uma das mulheres, para a outra:
“Cara Fukuko,
Começo pedindo desculpas por me fazer passar por Yukiko para lhe enviar esta carta. Mas, quando você abriu este envelope, já sabia quem era o remetente, não é? E deve estar pensando, aborrecida: “Que mulher descarada, usando sem permissão o nome da minha amiga para me escrever... que grosseria!” Entenda, por favor, que se eu pusesse meu nome no envelope, com certeza ele acharia esta carta e a esconderia. Queria muito que você soubesse de algumas coisas que eu tenho para lhe contar. Por isso, não tive outra escolha.”
A carta que dá início ao relato, portanto, começa com uma mentira, a esconder o remetente. As relações são de dominação e submissão, características da obra do escritor japonês.
Vale a pena conhecer Jun`Ichiro Tanizaki!
Fotominimalismo
as pequenas folhas
belas, cor indefinida
amparam o orvalho