Charge do dia
sexta-feira, 27 de novembro de 2020
Água funda
Começo a leitura de Água funda, de Ruth Guimarães, com prefácio de Antonio Candido e capa de Tarsila do Amaral (Ed. 34, 2018). O lançamento original do livro ocorreu em 1946.
Interrompo a leitura logo na segunda página, leio releio embasbacado a prosa poética de Ruth Guimarães, que aqui transcrevo, na forma de poesia:
“Que frio! Sentiu?
É a morte.
Passe, morte, que estou bem forte.”
E a prosa continua lindamente.
quinta-feira, 26 de novembro de 2020
quarta-feira, 25 de novembro de 2020
Pobres palavras
“Palavras e expressões que precisamos parar de falar!” Esta é a ordem do dia, no combate ao racismo no Brasil.
Mulata é uma delas, que pena! Gosto tanto da expressão mulata sestrosa! Vejamos o que diz o Dicionário Informal:
"Significado de Sestrosa (adjetivo): Diz-se de pessoa sensual, graciosa, pessoa maneira, bonita, encantadora, cativante. Pessoa que reúna todas essas qualificações."
Ex.: “Morena sestrosa a caminhar pela ladeira, que me encanta o olhar.”
Mas está proscrita, pois a palavra se refere à mula, originada do cruzamento de burro com égua. Como as escravas eram abusadas pelos patrões, homens brancos, os filhos que resultavam daqueles relacionamentos eram chamados de mulatos.
O verbo Denegrir está completamente proibido! O Aurélio informa que “denegrir” é apenas “tornar negro, escurecer”. E isso já é racismo, naturalmente.
Lista negra, Mercado negro, Da cor do pecado, Criado-mudo, Doméstica, Inveja branca, essas e tantas outras estão banidas de nosso vocabulário. Por ordem de quem? Daqueles que pensam que evitando tais vocábulos estaremos combatendo o racismo entre nós.
O gambito da rainha, série apresentada pela Netflix, faz estrondoso sucesso entre nós, reavivando o interesse pelo xadrez, particularmente entre as mulheres. Os que ainda não sabiam, devem ter observado que no jogo de xadrez as brancas sempre dão início à partida!
Que preconceito é esse, minha gente?
Por que as brancas detêm tal privilégio, manifestação escancarada de racismo? Por acaso são superiores às pretas?
Proponho imediata mudança na regra do jogo: antes de cada partida, se fará sorteio para escolher quem dará início, se as pretas ou as brancas. Um segundo sorteio indicará com que pedras cada jogador disputará a partida. Fora isso, é racismo puro.
E tenho dito!
A Origem das Espécies
Mais dois anos?
Está sendo criada uma frente ampla da sociedade contra os delírios kafkianos de Bolsonaro? Esta é a animadora manchete da crônica assinada por Juan Arias para El País de ontem (24 nov 2020).
Arias faz afirmações incomuns e francas no noticiário nacional:
1. “Os partidos políticos já falam abertamente em começar a criar uma frente ampla contra o bolsonarismo.”
2. “Talvez o mais importante seja que está se organizando ao mesmo tempo essa frente plural por parte da sociedade que pede a saída de um presidente que a cada dia atenta contra as essências deste país.”
3. “Saia, já!”, é uma das frases mais escutadas sempre que Bolsonaro lança uma de suas barbaridades kafkianas, destrutivas e alimentadoras de ódio entre os brasileiros. A última foi a negação descarada de que no Brasil existe racismo.”
4. “O último exemplo foi seu desastroso discurso ao G20, a reunião dos países mais importantes do mundo economicamente. Enquanto o país chorava pela brutal execução do negro João Alberto Silvério de Freitas, de 40 anos, pelos seguranças brancos de um Carrefour, Bolsonaro, sem uma palavra de repúdio ao crime cometido à luz do dia diante dos clientes atônitos, negou que exista racismo no Brasil e que o problema é que existem “brasileiros bons e brasileiros maus”.
5. “Seu [do Bolsonaro] negacionismo da realidade que está diante dos olhos de todos é patológico.
6. “O kafkiano, que abunda na política de Bolsonaro, como bem explicou em um ensaio o médico, psiquiatra e psicanalista argentino, radicado na Espanha, Eduardo Braier, está estreitamente ligado “ao funesto”, a “elementos persecutórios”, à “angustiosa negatividade”, ao “desassossego e ao desespero”.
7. “E que este é um país de maricas e de covardes cheios de ódio.”
Depois de apresentar visão tenebrosa do governo atual, resumida na expressão “delírios kafkianos” do presidente, Arias afirma que “A sociedade brasileira começa a se cansar das loucuras calculadas e negativistas de Bolsonaro e se sente cada vez mais envergonhada de que a nação esteja nas mãos de um presidente que, apesar dos freios colocados pelos generais de seu Governo, é como um cavalo descontrolado cujas limitações, como ensina a psicologia, o levam a superar-se dia após dia em seus julgamentos arrogantes e negativos sobre este país que começa a perder a paciência e a se sentir humilhado dentro e fora do país. “Aqui quem manda sou eu”, repete como um mantra dos complexados.”
Arias pergunta: “...será possível aguentar mais dois anos de descalabro político e social ao que o bolsonarismo está submetendo o país enquanto a educação está sendo atacada e humilhada, a cultura envergonhada e as relações internacionais prostituídas?” Porém, ele não apresenta resposta clara para esta questão; apenas apela para as “instituições democráticas do Estado”, para “usar o poder que lhes é concedido pela Constituição”. Ou esperar pelo resultado das urnas em 2022.
A nação, as instituições democráticas, nossa gente chamada de maricas, estamos todos atônitos diante do cavalo descontrolado.
terça-feira, 24 de novembro de 2020
segunda-feira, 23 de novembro de 2020
cão
Charles Bukowski
In O amor é um cão dos diabos
L&PM Pocket, 2010
Com dedicatória de meu amigo Roque Gui.





