Fotografia
Nasce o sol sobre o Rio Negro
Foto: AVianna, abr 2015
Charles Bukowski
In O amor é um cão dos diabos
L&PM Pocket, 2010
Com dedicatória de meu amigo Roque Gui.
Quem foi Paulo Leminski?
O garoto que descobriu ser poeta aos sete anos ou o bandido que sabia latim?
O judoca faixa preta, filho de militar ou o mestiço parceiro dos Novos Baianos no Solar da Fossa?
O carismático boêmio sem limites ou o pai de família amoroso e preocupado?
Leminski foi esses todos. Viveu suas vidas com fome e pressa. Seus sonhos eram dirigidos por cineastas americanos. Aprendeu hebraico para ler a bíblia e japonês para entender o zen budismo. Escreveu biografias e investigou o sucesso de Jesus, o idealismo de Trotsky e a graça concisa do Haicai.
Foi vanguardista, concretista, tropicalista, marginal e Leminski. Musicou seus poemas enquanto distribuía versos para as canções da MPB. De Ney Matogrosso a Caetano, de Itamar Assunção a Moraes Moreira, todos queriam beber da fonte do poeta que encarnou o espírito do seu tempo.
Na volta a Curitiba, manteve a casa e o coração sem portas. O polacolocopaca tornou a cidade madrasta mais doce. Caneta, guardanapo, óculos e bigodes atentos, vinte quatro horas por dia, e um pouco mais.
Paulo Leminski foi, antes e acima de tudo, um poeta. Usou os idiomas, o judô, a música, a vodca e os sonhos para equipar sua linguagem. Queria poder dizer tudo em forma de poesia. Inventou, então, uma nova forma de escrever.
O rigor desleixado e a anarquia calculada de suas poesias curtas desconstroem e revelam brincando. Desautomatizam trocadilhos e ditados populares num “golpe único e perfeito, sem hesitar diante da intuição”, como um mestre de arte marcial, como um Zico.
Aos quarenta e quatro anos Leminski “partiu da embriaguez de viver, para o sonho de outras esferas”. Sofrer foi a obra que fez questão de viver até o fim. Feriu-se de morte com a própria espada, como um samurai de bigodes longos que decide a sua hora.
“Criar beleza com linguagem é inato, é um erro de programação genética”. Quando um poeta morre antes da hora, leva com ele o dicionário do seu tempo. Leminski deixou órfãs de palavras a sua geração e mais outras três à frente. A inutilidade dos poetas é imprescindível.
Moisés Lobo Furtado 18/11/2020
Isso precisa acabar!
Fotógrafo desconhecido, cerca de 1860.
Retrato do intrépido marinheiro Simão,
carvoeiro do vapor Pernambucana
Museu Nacional de Belas Artes
Rio de Janeiro, Brasil
https://artsandculture.google.com/asset/_/zgH-IM4NIEf8Hg
"José Correia de Lima (Rio de Janeiro, 1814 - 1857) foi um pintor acadêmico brasileiro.
Matriculou-se na Academia Imperial de Belas Artes em 1826 ou 1827, sendo aluno de Debret em Pintura Histórica, e de Grandjean de Montigny em Arquitetura. Substituiu Debret em 1837, e em 1840 substituiu Manuel de Araújo Porto-Alegre.
Na Exposição Geral de Belas Artes de 1840 recebeu medalha de ouro e, na exposição seguinte, o hábito da Ordem de Cristo no grau de Cavaleiro, pela tela Magnanimidade de Vieira. Participou do certame também nos anos 1845, 1846, 1848 e 1850. Foi mestre de Victor Meirelles.
De suas obras, as mais conhecidas são o retrato da Imperatriz Teresa Cristina, hoje no Museu Imperial de Petrópolis, o Retrato do Marinheiro Simão, o Carvoeiro, e Francisco Manuel ditando o Hino Nacional às suas Enteadas, ambas no Museu Nacional de Belas Artes.
Uma fonte dá como seu local de nascimento Minas Gerais."
Receba
Perca sua memória em paz. É o melhor que pode lhe acontecer agora.
Pequenez
Divirto-me com a prepotência de Ully, minha cadelinha. Deus deve dar gargalhadas de mim.
Tic-tac
Meu corpo é um relógio. Marca as horas por onde andei e tenta, inutilmente, me mostrar que um dia vai parar.
Garoto
O prazer de ganhar o primeiro relógio se confundia com o medo de que alguém lhe perguntasse as horas.
Apego
Não consigo finalizar meus escritos. Eles é que se livram de mim.
Moisés Lobo Furtado,
para gáudio deste blogueiro.
Ministro da Saúde, Eduardo Pazuello
Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo
A reportagem de Julia Lindner para O Globo (18 nov 2020) traz informação estarrecedora, porque impensável a “retratação” do Ministério da Saúde sobre a importância do isolamento social e a ausência de qualquer medicação no tratamento da Covid-19.
Eis a nota:
“BRASÍLIA - O Ministério da Saúde classificou como "erro humano" a publicação feita mais cedo em defesa do isolamento social como principal medida de combate ao novo coronavírus. No texto, que acabou apagado, a pasta reconhecia a inexistência de remédios que previnam ou acabem com a Covid-19, o que contraria o discurso do presidente Jair Bolsonaro. O ministério alega agora que as informações estavam equivocadas e por isso foram deletadas.
Em nota, pasta defendeu tratamento precoce para a Covid-19, mas reconheceu que ainda não há "solução efetiva" que evite risco de contágio.”
Em resumo, o MS lançou nota informando duas verdades: a importância do isolamento e a ausência de tratamento eficaz contra a doença. Em seguida apaga o texto e alega que houve erro humano na publicação! (Estou sendo repetitivo, eu sei, mas é tão difícil de acreditar que preciso repetir, para que eu mesmo possa compreender.)
Quem será o autor do tal erro humano? (Se não fosse humano, de quem mais poderia ser? De algum lobisomem que habita o ministério?) Algum funcionário cochilou e a verdade vazou? Ou foi o próprio ministro quem escorregou, em lampejo de coragem e honestidade? (Não seria a primeira vez...)
O erro desumano é do próprio Presidente da República, garoto propaganda da cloroquina, negacionista contumaz, que costuma humilhar subalternos, mesmo que se trate de ministros designados por ele próprio, obrigando-os a desmentir eventuais verdades.
Mas não vou atacar aqui o Presidente. O parágrafo inicial da crônica de Mario Serio Conti, O Amapá de hoje será o Brasil de amanhã se o Cavalão não for detido, para a Folha de São Paulo (13.nov.2020), é imbatível: descreve com precisão quem governa o país. Ei-lo, o parágrafo:
“O presidente é aquilo que a sua camarilha da caserna dizia: um Cavalão com maiúscula. Cavaleiros da elite quiseram botar-lhe cabresto e tomaram coices. Arisco, ele relincha e baba fel nos que tentam ajudá-lo. É uma besta.
Besta fera política, um quadrúpede da extrema direita. Não adianta tomá-lo por interlocutor. Mesmo xingá-lo é inócuo. O bate-boca é o pasto no qual empapa a pança.
Não admitiu a derrota de Trump? Danem-se os dois. Disse que os brasileiros são maricas? Afe, está inseguro da sua macheza. Vai bombardear os Estados Unidos? Que se exploda.
É de caso pensado que ele bate os cascos no asfalto e provoca faíscas. Acha que as centelhas da idiotice disfarçam o tropel trôpego do seu desgoverno.”
Depois de Conti, dizer mais o quê?