Isso precisa acabar!
Fotógrafo desconhecido, cerca de 1860.
Isso precisa acabar!
Fotógrafo desconhecido, cerca de 1860.
Retrato do intrépido marinheiro Simão,
carvoeiro do vapor Pernambucana
Museu Nacional de Belas Artes
Rio de Janeiro, Brasil
https://artsandculture.google.com/asset/_/zgH-IM4NIEf8Hg
"José Correia de Lima (Rio de Janeiro, 1814 - 1857) foi um pintor acadêmico brasileiro.
Matriculou-se na Academia Imperial de Belas Artes em 1826 ou 1827, sendo aluno de Debret em Pintura Histórica, e de Grandjean de Montigny em Arquitetura. Substituiu Debret em 1837, e em 1840 substituiu Manuel de Araújo Porto-Alegre.
Na Exposição Geral de Belas Artes de 1840 recebeu medalha de ouro e, na exposição seguinte, o hábito da Ordem de Cristo no grau de Cavaleiro, pela tela Magnanimidade de Vieira. Participou do certame também nos anos 1845, 1846, 1848 e 1850. Foi mestre de Victor Meirelles.
De suas obras, as mais conhecidas são o retrato da Imperatriz Teresa Cristina, hoje no Museu Imperial de Petrópolis, o Retrato do Marinheiro Simão, o Carvoeiro, e Francisco Manuel ditando o Hino Nacional às suas Enteadas, ambas no Museu Nacional de Belas Artes.
Uma fonte dá como seu local de nascimento Minas Gerais."
Receba
Perca sua memória em paz. É o melhor que pode lhe acontecer agora.
Pequenez
Divirto-me com a prepotência de Ully, minha cadelinha. Deus deve dar gargalhadas de mim.
Tic-tac
Meu corpo é um relógio. Marca as horas por onde andei e tenta, inutilmente, me mostrar que um dia vai parar.
Garoto
O prazer de ganhar o primeiro relógio se confundia com o medo de que alguém lhe perguntasse as horas.
Apego
Não consigo finalizar meus escritos. Eles é que se livram de mim.
Moisés Lobo Furtado,
para gáudio deste blogueiro.
Ministro da Saúde, Eduardo Pazuello
Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo
A reportagem de Julia Lindner para O Globo (18 nov 2020) traz informação estarrecedora, porque impensável a “retratação” do Ministério da Saúde sobre a importância do isolamento social e a ausência de qualquer medicação no tratamento da Covid-19.
Eis a nota:
“BRASÍLIA - O Ministério da Saúde classificou como "erro humano" a publicação feita mais cedo em defesa do isolamento social como principal medida de combate ao novo coronavírus. No texto, que acabou apagado, a pasta reconhecia a inexistência de remédios que previnam ou acabem com a Covid-19, o que contraria o discurso do presidente Jair Bolsonaro. O ministério alega agora que as informações estavam equivocadas e por isso foram deletadas.
Em nota, pasta defendeu tratamento precoce para a Covid-19, mas reconheceu que ainda não há "solução efetiva" que evite risco de contágio.”
Em resumo, o MS lançou nota informando duas verdades: a importância do isolamento e a ausência de tratamento eficaz contra a doença. Em seguida apaga o texto e alega que houve erro humano na publicação! (Estou sendo repetitivo, eu sei, mas é tão difícil de acreditar que preciso repetir, para que eu mesmo possa compreender.)
Quem será o autor do tal erro humano? (Se não fosse humano, de quem mais poderia ser? De algum lobisomem que habita o ministério?) Algum funcionário cochilou e a verdade vazou? Ou foi o próprio ministro quem escorregou, em lampejo de coragem e honestidade? (Não seria a primeira vez...)
O erro desumano é do próprio Presidente da República, garoto propaganda da cloroquina, negacionista contumaz, que costuma humilhar subalternos, mesmo que se trate de ministros designados por ele próprio, obrigando-os a desmentir eventuais verdades.
Mas não vou atacar aqui o Presidente. O parágrafo inicial da crônica de Mario Serio Conti, O Amapá de hoje será o Brasil de amanhã se o Cavalão não for detido, para a Folha de São Paulo (13.nov.2020), é imbatível: descreve com precisão quem governa o país. Ei-lo, o parágrafo:
“O presidente é aquilo que a sua camarilha da caserna dizia: um Cavalão com maiúscula. Cavaleiros da elite quiseram botar-lhe cabresto e tomaram coices. Arisco, ele relincha e baba fel nos que tentam ajudá-lo. É uma besta.
Besta fera política, um quadrúpede da extrema direita. Não adianta tomá-lo por interlocutor. Mesmo xingá-lo é inócuo. O bate-boca é o pasto no qual empapa a pança.
Não admitiu a derrota de Trump? Danem-se os dois. Disse que os brasileiros são maricas? Afe, está inseguro da sua macheza. Vai bombardear os Estados Unidos? Que se exploda.
É de caso pensado que ele bate os cascos no asfalto e provoca faíscas. Acha que as centelhas da idiotice disfarçam o tropel trôpego do seu desgoverno.”
Depois de Conti, dizer mais o quê?
A segunda onda está confirmada, não só na Europa como também nos Estados Unidos, e parece que agora chega ao Brasil.
Fala-se no clima: a aproximação do inverno é a explicação mais fácil para o recrudescimento da peste na Europa; pessoas confinadas em ambientes fechados, isso favoreceria o contágio. Porém, China, Taiwan, Coreia do Sul mantêm a doença sob controle, apesar do clima frio.
Hipótese plausível é aventada por Hélio Schwartsman em sua crônica de hoje para a Folha de S. Paulo (18 nov 2020), a do “esgotamento do ego, um nome pomposo para cansaço. As pessoas conseguem manter-se disciplinadas, mas não indefinidamente. A força de vontade tem limites.” Viagens de férias, festas, vida noturna são manifestações de esgotamento do ego, responsáveis pela tal segunda onda, o que parece estar acontecendo em São Paulo.
O psicólogo Roy Baumeister afirma que “o autocontrole funciona como um músculo, sujeito a episódios de fadiga, mas que também pode ser fortalecido por exercícios.”
Schwartsman recomenda o autocontrole, o que estão conseguindo na Ásia, já que a vacinação em massa ainda vai demorar. Pergunto: como exercitar o autocontrole se o ego está esgotado?
Confesso – eu não devia reclamar –, ando esgotado desse isolamento social. Sinto falta de conversar com meus amigos, de ir à livraria, ao cinema, ao restaurante japonês, sinto falta dessas coisas banais da vida cotidiana, como fazer compras no supermercado perto de minha casa, onde conheço todo mundo, converso com os empregados, com a caixa minha amiga, e penso que não é pedir muito. Trata-se apenas de se sentir vivo.
Observo minhas emoções e sentimentos; a tristeza me abate com certa frequência (não se trata da doença chamada depressão, nada disso, tristeza é outra coisa); preguiça, coisa que nunca tive, me ataca ainda pela manhã – vontade de fazer nada; o ato de escrever se torna mais difícil e posso reconhecer o esforço adicional de que necessito para elaborar este pobre texto; pequenos afazeres domésticos, como voltar com os livros consultados para suas respectivas prateleiras, exigem de mim esforço hercúleo, para desespero de minha mulher; a louça do café da manhã precisa ser lavada e pesa uma tonelada.
Shakespeare, em Hamlet, vem em meu auxílio, com um alerta:
“Dormir... talvez sonhar: eis onde surge o obstáculo:
pois quando livres do tumulto da existência,
no repouso da morte os sonhos que tenhamos
devem fazer-nos hesitar: eis a suspeita
que impõe tão longa vida aos nossos infortúnios.”
Me ajudam nesse tumulto da existência a escrita, a boa leitura, a música – sobretudo os Noturnos de Chopin –, os exercícios físicos. A TV apenas colabora para o embotamento. Será que o ego esgotado pede mesmo o embotamento? Talvez.
E ainda me pedem autocontrole! Puta que o pariu!
https://www1.folha.uol.com.br/colunas/helioschwartsman/2020/11/segundas-ondas.shtml
Galeria de Família
Galeria de Família
A fotografia, tanto quanto a pintura, se serve do tema Natureza Morta, há séculos utilizado pelos grandes mestres da pintura.
Rápida pesquisa na Internet revela dois tipos de naturezas mortas em Fotografia. O primeiro se constitui de fotos de pinturas com este tema, o que não me agrada, pois me parece não haver criatividade alguma por parte do fotógrafo. Ele apenas copia. O segundo revela fotos sobre o tema, com arranjos criados pelo próprio fotógrafo, que passa então à qualidade de artista.
Como ilustração, mostro a belíssima fotografia de Rein Janssen (Adobe stock).
As demais fotografias – na realidade, experimentações – são de autoria deste blogueiro.