terça-feira, 28 de abril de 2020

Os primos e as férias

Galeria de Família


O quintal de nossa casa em Guaratinguetá abria-se para o jardim da casa de nossos avós, Breno e Cici, era só atravessar o portão e entrávamos em outro mundo, bem mais calmo do que aquele que tínhamos em nossa própria casa, silencioso, pacífico, algum gato escondido em meio às plantas da avó, Maria lavando roupa pela manhã antes de subir a escada e entrar na cozinha para preparar o almoço, quem sabe hoje teremos pastel, a especialidade da casa!
            Este silêncio, alimentado pelo amor que nos dedicavam essas três personagens, Breno, Ceci e Maria, era quebrado em julho, nas férias do meio do ano, e em janeiro, com a chegada de Tio Tói, Tia Glaura, e os primos Lucila, José Augusto e Glaucinha. Era uma festa, esperada com ansiedade.
            Durava um mês cada vinda deles, hospedados na casa dos avós. Vivíamos aqueles dias, pelo menos eu e meu irmão Paulo, em função de íntima convivência com os tios e primos. Foram tempos marcantes em nossa infância, com muitas histórias para contar. 
            Por ora, registro as fotos, todos adultos, guardando algum traço do tempo que passou.


Lucila, Guto e Glaucinha



José Augusto, esposa e filhos.

sábado, 25 de abril de 2020

Catleias gêmeas




“Que imaginação depravada têm as orquídeas! A sua contemplação escandaliza e fascina. Vivem procurando e criando inéditos coloridos, e estranhas formas, combinações incríveis, como quem procura uma volúpia nova, um sexo novo...”


            In Mario Quintana, Poesia completa
    Editora Nova Aguilar, 2006.


Foto: AVianna, abr 2020, jardim.

quinta-feira, 23 de abril de 2020

Jovem Ahmed




Pode não ser um grande filme, mas O jovem Ahmed, mostrado no último festival de Cannes, merece ser visto porque trata de tema atual e que precisa ser discutido. A direção é dos irmãos belgas Jean-Pierre e Luc Dardenne, premiados no festival.
O personagem-título é um garoto belga de 13 anos (Idir Ben Addi é o ator), seguidor fanático do imã de seu bairro, seduzido pela interpretação radical do Alcorão. Desde as primeiras cenas Ahmed já se mostra possuído pelo fanatismo religioso, ao se recusar apertar a mão de sua professora ao fim da aula: “Um muçulmano de verdade não aperta a mão de uma mulher”, exclama. 
Há problemas familiares que certamente colaboram para as atitudes do adolescente; o pai é ausente; a mãe não segue os preceitos religiosos e ainda por cima bebe vinho; o irmão prefere jogar bola do que estudar o Alcorão; não será difícil para o imã radical seduzir um jovem como Ahmed. 
Durante o filme, mesmo submetido a minucioso e interessante processo de recuperação porque repleto de afeto e consideração pelo ser humano, fica claro que Ahmed dificilmente haverá de mudar seu modo de pensar. Assim age o fanático! Passa então pela cabeça do expectador a pergunta Ele vai se tornar um homem bomba? Um certo clima de terrorismo permanece durante todo o filme, até as cenas finais.
            O que leva alguém a se entregar de corpo e alma ao fundamentalismo religioso? Entregar-se de corpo e alma a ponto de se tornar um terrorista?
            Precisamos conversar mais sobre isso!

Boas lembranças


...

– já leu o último artigo sobre trombose na covid-19?
– parei de ler sobre o assunto.
– e o que pensa da hidroxicloroquina?
– não penso sobre o assunto.
– por que? é importante.
– se pegar a doença eu morro; pra que saber tudo sobre ela?
– ... 
– então leio um bom romance.
–  ...
– também leio poesia.
– ...
– no respirador, vou ter algo de bom para me lembrar.
– ...

...

Reanimação

Charge do dia



Os livros nos ajudam a viver!

Dia Mundial do Livro



23 de abril

Dia mundial do livro

quarta-feira, 22 de abril de 2020

Paula espetacular!






Com menos de 1 cm, a maioria dos mergulhadores nem nota estes blennies, que vivem entocados nos corais. 
E você, também está entocado em casa? #fiqueemcasa




Teeny-tiny female blenny

Fotos: Paula Vianna, com Búzios Divers

Ser terra





Ser terra
E cantar livremente
O que é finitude
E o que perdura.

Unir numa só fonte
O que souber ser vale
Sendo altura.


            Hilda Hilst
            In da poesia
            Companhia das letras, 2017





Hilda de Almeida Prado Hilst, ou apenas Hilda Hilst, nasceu em Jaú, SP, em 21 de abril de 1930. Completaria ontem 90 anos. Fica aqui a singela homenagem do Louco.