terça-feira, 23 de julho de 2019

Ondina faz o pastel da Maria

Galeria de Família

Ondina era ótima cozinheira, conhecedora dos princípios da economia doméstica e do valor nutritivo dos alimentos, de modo que preparava refeições saborosas, saudáveis e baratas. Bem, segundo os princípios dela... (Não podia faltar doce ao final das refeições, mesmo que fosse um pedaço de goiabada cascão.)
            As fotos que se seguem, tiradas no apartamento dela em Lorena, onde residiu nos últimos anos de vida, mostram Ondina fazendo pastel, mas não qualquer pastel, é o pastel da Maria. Não é a primeira vez que ele, o pastel da Maria, é citado neste blog. 
            Para quem ainda não conhece a Maria, veja: http://loucoporcachorros.blogspot.com/2019/06/a-bondade-de-maria.html

            O lado triste da história é que Ondina foi a única pessoa a replicar o tal pastel, e o fazia com perfeição. Antes de morrer, “consta que” – expressão muito usada por ela – deixou a receita do pastel com a neta Flora e o filho Paulo. Tragédia: ambos perderam a   receita. 
            Quem comeu, comeu, quem não comeu não come mais!

P.S.: Se alguém souber de um programa de computador que, diante da foto do pastel, seja capaz de reproduzir a receita, avise imediatamente, por favor.




 




Fotos: AVianna, Lorena, SP





Cavalo-marinho em Búzios

A foto do dia




"Cavalo-marinho fêmea encontrado na Laje do Criminoso, em Búzios, Rio de Janeiro. Todas as espécies de cavalos-marinhos estão em perigo de extinção. As principais causas são a pesca predatória, a destruição do seu habitat e a captura frequente desses belos animais para serem vendidos como peça de decoração. Eduque seus conhecidos a nunca comprarem cavalo-marinho como souvenir!"
                     
Paula Vianna

segunda-feira, 22 de julho de 2019

Visitas prolongadas em UTI




Foto:Folhapress

De modo geral, as visitas em uma UTI (Unidade de Tratamento Intensivo) são restritas a cerca de duas horas diárias, o que pode causar impacto na saúde de quem não está doente, ou seja, nos familiares. O estudo em questão resolveu testar os efeitos da ampliação do tempo de visita dos familiares para 12 horas por dia. A reportagem é de Paula Sperb para a Folha de S. Paulo (22.jul.2019).
            “Resultado: a mudança reduziu em 50% os sintomas de ansiedade e depressão que os parentes desenvolvem no período em que alguém da família está na UTI sem aumentar o risco de infecções para os pacientes.”
            “É tão efetivo quanto um antidepressivo, mas sem os efeitos adversos. Sabe-se que aproximadamente a metade dos familiares desenvolve níveis patológicos de depressão. Ter uma estratégia para reduzi-los é muito importante”, explica o médico pesquisador Regis Goulart Rosa, que coordenou a pesquisa UTI Visitas, publicada na edição mais recente do Jornal da Associação Americana de Medicina (Jama).”
“O estudo foi conduzido pelo Hospital Moinhos de Vento, de Porto Alegre, dentro do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS (Proadi-SUS) do Ministério da Saúde, e realizado em 36 UTIs de hospitais públicos e filantrópicos do Brasil. Em São Paulo, o estudo foi feito no HCor (Hospital do Coração) e no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto. No total, 1.685 pacientes e 1.295 familiares participaram do estudo.
O tempo reduzido de visitas à UTI advém da ideia de que o contato com mais pessoas por mais horas resulta em maior risco de infecções aos pacientes e maior estresse para as equipes médicas. O estudo, porém, desmente o risco ampliado de infecções e conseguiu minimizar a possível sobrecarga dos profissionais educando os familiares sobre o funcionamento de uma UTI. Acompanhantes receberam as devidas instruções e aprenderam sobre o que faz cada profissional, como enfermeiros intensivistas, médicos e técnicos de enfermagem. 
O estudo avaliou ainda se a presença prolongada dos visitantes poderia diminuir a confusão mental dos pacientes, mas os resultados mostraram não houve diferença.
Pareceu-me ótima iniciativa; talvez haja necessidade de novos estudos, em diferentes instituições, para uma conclusão definitiva.
                        


Dois amigos


...
– tem conversa amanhã?
– oba! – por mim, tem.
– lá em casa?
– ou na minha...
– dessa vez lá em casa.
– está bem, a que horas?
– 4 horas está bom?
– 3 e meia, mais tempo pra conversar.
– ótimo!
– vou de Uber, a gente bebe tranquilo.
– “vai que anoitece...”
– e a gente conversando...
...

quarta-feira, 17 de julho de 2019

Mundo estranho


Em crônica dominical muito doida para a Folha de S. Paulo (14 jul 2019), Fernanda Torres escreveu: “Envelhecer é estranhar o mundo, é se irritar e lamentar. Deve ser um artífice da natureza , um jeito de você não desejar estar mais vivo, não aqui, não agora, nesta festa estranha com gente esquisita.”
            Doravante – só um velho usaria uma palavra dessas –, esta será minha definição definitiva do que significa envelhecer. Envelhecer é estranhar o mundo. O vocábulo estranho é no mínimo estranho, porque não precisa nada, deixa tudo no ar, informa apenas que algo está fora do lugar mas não diz onde. 
            Aquilo que é estranho incomoda. Incomoda porque é diferente, fora do comum, anormal mesmo. Tudo que é misterioso, enigmático, desconhecido, novo enfim, incomoda muito. 
            Quando não sabemos definir algo novo, e principalmente que causa algum mal-estar, dizemos que é estranho. Quando dizemos isso do mundo é porque estamos velhos, disse-o bem Fernanda Torres. Esse mundo já não é o nosso, aquele onde nascemos, crescemos, aprendemos a reconhecer como nosso habitat.
            Tal estranheza nos causa irritação. É claro! Porque então somos nós que nos tornamos estranhos a esse mundo. Já não reconhecemos o mundo como nosso, nem o mundo nos reconhece como pertencentes a ele. Somos verdadeiros ETs. A que mundo pertencemos então? Uma grande dose de irritação está entranhada nessa pergunta, dá para perceber? A que mundo pertencemos, porra?
            Resta-nos apenas lamentar, porque não há nada que se possa fazer sobre isso.
            O corolário dessa afirmação peremptória de Fernanda Torres, a de que envelhecer é estranhar o mundo, é ainda mais interessante: é um jeito de não desejarmos mais estar vivos! E isso é natural, ou seja, nos é oferecido pela própria natureza, verdadeira dádiva, diante do estranhamento causado pela velhice.
            A tal gente esquisita que agora nos cerca nos irrita e lamentamos o tempo todo por isso. Coisa de velho.

segunda-feira, 15 de julho de 2019

Paulo Henriques Brito poeta




BALANÇOS

II

Como saber sem tentar?
Como tentar se é tão fácil
conformar-se de saída
com a ideia de fracasso?

Pois fracassar justifica
o não se ter nem sequer
admitido não querer-se
aquilo que mais se quer.

É um beco sem saída,
mas sempre é melhor que a rua:
mais estreito. Acolhedor.
Vem, entra. A casa é sua.

                                          Paulo Henriques Brito
                                          In: Tarde, Companhia das Letras, 2007

Djokovic campeão

A foto do dia



Djokovic bate Federer e vence Wimbledon