quinta-feira, 27 de junho de 2019

inverno em Mendoza




inverno em Mendoza
hora de beber o vinho
secas as parreiras



Foto: AVianna, jun 2019, Iphone8

Tempos londrinos


Penso que esta fotografia foi tirada em Londres, mas não estou certo disso; talvez por volta de 1986 ou 1987. Maria Helena pode confirmar. À esquerda, do alto de seus quase dois metros, está Doug, também conhecido por Doguinho. À direita, nosso pai Ofir. No centro, mãe e filho.
            Chama a atenção a fisionomia de todos, aparentemente tristes. Ofir esboça um sorriso. Shaun demonstra alguma insatisfação, ao permanece de braços cruzados e a cabeça pendida. Maria Helena olha para outro mundo.
            Também não estou seguro dessa minha interpretação de sentimentos dos fotografados.


Dona Fifina


Dona Josefina Viana Ramos, nossa avó por parte de mãe, nunca nos permitiu maior intimidade, era mulher de um século distante. Casou-se com Manuel e foi morar em Floriano, RJ. Manuel, portanto, é nosso avô.
            Manuel morreu de cirrose e Fifina – assim era conhecida – casou-se com João Ramos, carioca, morador da Tijuca, à Rua Campos Salles, torcedor fanático do América. Velhinho simpático, nos levava a mim e meu irmão Paulo ao estádio do clube, a um quarteirão da casa dele.
            Ah!, com eles residia o famoso Lobo, belo pastor alemão, que tratávamos com o maior respeito, medo mesmo.
            Grande parte da Família jamais viu essas fotografias, nem chegou a conhecer as personagens. Por isso, faço esses registros.





Cordilheira majestosa

O viajante, ao se deparar com a Cordilheira dos Andes, seja lá de que ponto for, do avião, ao pé da montanha, de longe, para uma visada abrangente, ele tenta fotografá-la, registrar aquele monumento que tanto o emociona, mas não consegue captar senão uma pálida visão do espetáculo. Frustrado, guarda a máquina fotográfica, olha apenas, para guardar na memória o indescritível.





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Foto: AVianna, jun 2019
Iphone 8

terça-feira, 18 de junho de 2019

Cinismo

pobre homem
desconheces o que há diante de ti
se muro 
abismo 
fera
pântano
se é justo o momento
se é hora de silêncio ou de palavra
se de mover ou de quedar
estás imerso em breu
nada vês 
a ninguém podes pedir socorro
pobre homem
contas só com tua escassa companhia
sem a opção de isentar
vai
decide
escolhe
age
às cegas
és livre para não saber
assim o mundo 
assim a vida
resta o cínico consolo do arrependimento


                  Paulo Sérgio Viana

domingo, 16 de junho de 2019

a bondade de maria

Galeria de Família




embora maria tenha lavado minhas fraldas quando nasci, pois não as havia descartáveis na época, no mês de janeiro mais chuvoso de que se tem notícia até hoje na capital, a primeira lembrança que dela tenho data de nossa mudança para a casa vizinha à casa de meus avós no interior, e eu já era bem crescidinho, e maria era empregada de breno e cici desde sempre, salvo antes de maria chegar à casa de meus avós, e aí residia o mistério.
            maria era cozinheira e a cozinha o seu reino. lá ela mandava e desmandava, escolhia os ingredientes no mercado municipal, carnes, verduras, legumes, frutas, os mais variados temperos, incluindo a pimenta malagueta, a indispensável banha de porco que emprestava sabor característico às comidas, estipulava ela mesma o cardápio da semana, às quartas pastel de queijo, carne, palmito ou frango, a especialidade dela, embora não fossem menos apreciados o torresmo, o feijão mulatinho, o bife acebolado às segundas, o frango ao molho pardo às quintas, o arroz soltinho todo santo dia. manjar de coco com ameixas, a sobremesa preferida da avó. no verão, sorvete de abacaxi. 
            não havia quem desconhecesse a infinita bondade de maria. analfabeta, meio índia, quase sempre coberta de andrajos, porém boníssima. chaninho, o seu gato predileto, com tinturas de angorá; havia outros, inúmeros, apareciam e desapareciam com o passar dos dias, apenas chaninho permanecia, alimentado com carde de primeira, para desespero de cici. quando alguma gata da rua dava cria, maria pegava os filhotinhos, enfiava-os num saco com uma pedra, jogava da ponte na correnteza do ribeirão dos alves.
            – coitadinhos, não terão o que comer, alegava pesarosa.
            havia, porém, um mistério: não se falava uma palavra sobre o passado de maria. anos mais tarde ouvi o comentário de que ela era filha bastarda de um irmão de meu avô, que então tomou para si a guarda da menina.
     hoje sei, também sou filho de maria, que me ajudou nos meus primeiros dias de vida. sem dúvida, faz parte da família.

Bauman

Charge do dia



sábado, 15 de junho de 2019

Pimenta do reino



fotominimalismo



Começa a crescer o cacho de pimenta do reino. Lindeza!

Foto: AVianna, jun 2019, jardim.
iPhone 8S