terça-feira, 11 de junho de 2019
Fim de papo
O pai da moça não queria o namoro. A família do moço visitou o homem, para a conciliação. Ele matou o pai, a mãe e o atrevido namorado.
Amizade
Velho, cansado, descrente da vida e dos homens, encontrou um novo amigo. Assustado, renasceu.
Nosso amigo José Renato
Galeria de Família
José Renato Gilli
Tia Juquinha
Talvez minhas filhas e sobrinhas nunca tenham ouvido falar dele. Mas José Renato Gilli foi figura importante em minha infância e na de meu irmão Paulo. Penso que Maria Helena não o conheceu, mas não estou certo disso.
José Renato morava na pequena Floriano, RJ, onde nasceu nossa mãe, e era filho de Tio Leão e Tia Juquinha, irmã de Ondina. Nosso primo em primeiro grau.
Sempre que os visitava, os pais exigiam que ele declamasse, em ordem cronológica, os nomes de todos os Presidentes da República, o que ele cumpria com galhardia e algum constrangimento. Por isso era considerado o gênio da família.
José Renato nos tratava a mim e ao Paulo com especialíssima sincera deferência: nos dava estilingues de presente, com forquilha de goiabeira e borracha de primeira, verdadeiros objetos de arte; certa vez nos presenteou com pequena mesa de sinuca, feita de caixote, revestida de feltro verde, uma lindeza. Aceitávamos tudo, avidamente.
Adulto, permaneceu residindo em Volta Redonda, funcionário da Companhia Siderúrgica Nacional.
Lembro-me bem de sua franciscana humildade. Um amigo de verdade, por quem sinto saudade. Por onde andará?
segunda-feira, 10 de junho de 2019
Habilidades
A restrição ao número de horas de trabalho dos residentes significa que eles acumulam menos experiência com operações
Foto: Michael Buholzer/Reuters
A reportagem é de Kate Murphy, para The New York Times (10 jun 2019), e traz o título Brincadeiras infantis podem ajudar na formação de cirurgiões. A despeito de estar aposentado, o assunto me cativou! Explico.
Estudos em faculdades de medicina dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha revelaram queda na destreza manual de estudantes e médicos residentes. “Alguns dizem que o problema é o menor número de cursos práticos e manuais nos ensinos fundamental e médio – artesanato, desenho e música. Outros dizem que a culpa é do tempo excessivo deslizando os dedos sobre telas em vez de desempenhando atividades que ajudem a desenvolver o controle motor fino, como a costura.”
Robert Spetzler, neurocirurgião, disse ter desenvolvido a destreza ao tocar piano quando criança e ao realizar cirurgias em ratos-do-deserto no ensino médio. "Quanto mais cedo começamos a nos dedicar a tarefas físicas e repetitivas, mais aprofundado e instintivo se torna o desenvolvimento das habilidades motoras", disse ele.
“Estudos revelam que, quanto maior o número de procedimentos realizados por um cirurgião, maior a probabilidade de sobrevivência de seus pacientes.
Atenção para esta informação: “A introdução do limite máximo de carga horária de 80 horas semanais para os cursos de medicina dos EUA em 2003 teve como consequência indesejada limitar a disponibilidade dos residentes de cirurgia de participar das operações.” "Quando estava me formando, por bem ou por mal, eu trabalhava cerca de 120 horas por semana", disse Thomas Scalea, cirurgião e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Maryland, em Baltimore. "Hoje, os estudantes concluem suas residências com cerca de 900 casos operatórios. Eu tinha quase o dobro disso".
“Maria Siemionow, cirurgiã especializada em transplantes da Faculdade de Medicina da Universidade de Illinois, em Chicago, passava horas, na juventude, recortando fotos de revistas e criando colagens. Além de desenvolverem a destreza, segundo ela, atividades como essa também exigem uma imaginação tridimensional, planejamento, paciência e precisão.”
“Maria acredita que os estudantes podem aprender a ser grandes cirurgiões, mas precisam de algumas habilidades como pré-requisito.” "Analisamos as médias deles e suas notas nas provas, sua produtividade na pesquisa e na autoria de estudos, mas, na realidade, ser um bom cirurgião nada tem a ver com esses pontos", explicou Michael Lawton, sucessor de Spetzler no Instituto Neurológico Barrow. "O mais importante é seu manuseio dos instrumentos e sua maneira de lidar com os tecidos, bem como sua reação e capacidade de adaptação sob estresse".
Participei durante muitos anos de provas de seleção para médicos residentes de Cirurgia na Universidade de Brasília e não me lembro de ter avaliado as habilidades dos candidatos, o que na prática seria bem difícil. No máximo, olhava para ver se o gajo tinha as duas mãos. (Com o passar do tempo as mulheres se apresentaram como candidatas.) Também por isso a reportagem acima despertou tanto interesse.
Há um outro motivo, entretanto, mais forte e que me trouxe gratas lembranças. Eu não tinha mais que 7 anos de idade quando minha mãe me pediu para fazer uma limpeza e lubrificar a máquina de costura dela, da famosíssima marca Singer. Na época foi um grande desafio, cumprido com tanta eficiência, que todo ano o expediente se repetia. O menino ouvia os elogios, que não eram poucos, com enorme satisfação (nossos pais jamais foram pródigos em elogios).
Até que certa feita a mãe vaticinou, Quando crescer você vai ser cirurgião! Ao que respondi, Eu não! Minha negativa não funcionou. As negativas nunca funcionam, apenas reafirmam.
sexta-feira, 7 de junho de 2019
Ilustre visitante
Apresento-lhes o ilustre visitante que apareceu ontem por aqui, macaco prego de cara preta, grande, pelagem bonita. Passou um bom tempo comendo o galho de uma sapucaia. Quando eu assobiava para ele, ele respondia. Não posso dizer que é da Família, mas será sempre bem-vindo. Da próxima vez ofereço-lhe uma banana.
quarta-feira, 5 de junho de 2019
Eutanásia aos 17 anos
“Adolescente de 17 anos, traumatizada por múltiplos estupros, morre após pedir eutanásia na Holanda.” Esta a manchete publicada hoje por El País, na reportagem de Isabel Ferrer, (Haya, 5 jun 2019). Ainda não foi confirmado se ela recebeu ajuda médica para pôr fim à vida.
Noa Pothoven, adolescente holandesa de 17 anos vítima de transtorno de estresse pós-traumático, anorexia e depressão, morreu no último domingo em sua casa, em Arnhem, Holanda.
Informa Ferrer: “A primeira agressão sexual contra Noa ocorreu quando ela tinha 11 anos, em uma festa escolar. Até então, tinha sido uma menina alegre e com boas notas na escola. Um ano depois, voltou a acontecer, desta vez em uma festa de adolescentes. Quando completou 14, foi estuprada por dois homens em um beco da sua cidade. Na época não contou a ninguém. Só depois denunciou, e sua mãe, Lisette, explicou que reviver o ataque foi demais para sua filha. Desde então, ela sofria de anorexia, e sua vida virou um entra-e-sai de hospitais e centros especializados. Ao comprovar seu estado emocional, os juízes a internaram à força em uma instituição durante seis meses: lá foi imobilizada e isolada para que não se lesionasse. “Nunca, nunca mais voltarei para um lugar assim. É desumano”, disse Noa, tempos depois.”
Ao sair dessa clínica, a anorexia piorou. Sua família denunciou a falta de lugares apropriados na Holanda para casos como o de sua filha, que acabou hospitalizada e com uma sonda nasogástrica.”
Em 2018 ela publicou um livro, intitulado Ganhar ou Aprender, em que contava sua história. O livro ganhou um prêmio em março passado, e Noa, na época, comentou: “Não sei se continuarei escrevendo”.
“Noa solicitou a eutanásia porque não aguentava mais seu sofrimento. “Serei direta: dentro de dez dias terei morrido. Estou exausta após anos de luta, e parei de comer e beber. Depois de muitas conversas e de uma análise da minha situação, decidiram me deixar ir embora, porque minha dor é insuportável”. "Não vivo há muito tempo, sobrevivo, e nem isso", contou na sua mensagem final. “O amor é deixar ir embora. Neste caso é assim”, acrescentou, aproveitando seus últimos dias para se despedir da família e amigos.”
A eutanásia é legal na Holanda desde 2002, e maiores de 12 anos podem solicitá-la se sofrerem de enfermidades sem cura e padecimentos insuportáveis. Até os 16 anos, é necessária a autorização dos pais. Na Holanda a eutanásia não costuma ser solicitada por adolescentes ou jovens com dores psíquicas, como é o caso aqui relatado.
terça-feira, 4 de junho de 2019
Ebola na República Democrática do Congo
Ebola: 1.346 mortes em dez meses de epidemia
(Baz Ratner/Reuters)
AFP informa (4 jun 2019) que mais de 2.000 pessoas contraíram o vírus do ebola no leste da República Democrática do Congo.
1.346 delas faleceram desde o início da epidemia há 190 meses.
539 pessoas foram curadas.
E o mundo mais adiantado economicamente, mais rico portanto, presta pouca ou nenhuma atenção a esta tragédia. Não é difícil imaginar o escândalo, com enorme repercussão na mídia internacional, se apenas uma pessoa morresse de ebola em Nova Iorque ou Paris.
Um olhar
Galeria de Família
A escola – o famoso Instituto de Educação “Conselheiro Rodrigues Alves” – tirou uma manhã para fotografar os alunos. Deve ter contratado um fotógrafo profissional.
Os alunos sentavam em frente a uma pequena mesa, pegavam da caneta, fingiam escrever alguma coisa num caderno aberto sobre a mesa, os olhos pregados na câmera, e ao fundo a Bandeira Nacional, salve salve o pendão da esperança!
Paulo Sergio foi assim fotografado ainda no curso primário, penso eu, usando suspensórios, o cabelo bem cortado, a mão esquerda fechada a sugerir alguma tensão, e o olhar mais doce do mundo!
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