quarta-feira, 15 de maio de 2019

Mais crianças Foto n.14



Marion e Nara no meio do caminho!


O pai, de barba negra,
toma conta das três.


Olha o sorriso da Narinha!



Pelo cabelo se reconhece o Camilo!
Bela pose!!!

terça-feira, 14 de maio de 2019

Chegam as crianças Foto N.13

Galeria de Família


Ciça.
Poucas vezes se viu criança tão bonita!


Selma e a primogênita Nara!
Lindo bebê!


Ciça e Paula,
nascidas em Sobradinho, DF!



De pé, Marion, Nara e Flora!
Acima, Nara e Camilo!



Shaun entre Ciça e Paula,
no jardim de um pub num domingo londrino!

Louco Foto n.12

Galeria de Família


Por essas e por outras, 
chamam-lhe Louco

sábado, 11 de maio de 2019

Cici Foto n.11

Galeria de Família    


Durante toda a minha infância, eis a pessoa mais querida por mim, de toda a família: nossa avó Lucila, chamada Cici (esta a ortografia usada pelo marido dela, Breno Viana).
            A fotografia expressa tristeza, o olhar distante, lábios cerrados, a boca quase brava; Ceci detestava tirar retrato – era assim que se chamava naquele tempo, tirar retrato. Vê-se que  foto é de estúdio; imagino o sacrifício que ela fez ao submeter-se aos preparativos para ser fotografada.
            Na vida real, a pessoa mais doce do mundo!
            Graças ao meu irmão Paulo, a foto hoje está exposta em minha casa e a vejo todos os dias: o que me inspira é amor.


Quem é quem?

Charge do dia


sexta-feira, 10 de maio de 2019

Duas cartas




Esta 22aedição de Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa, pela Companhia das Letras (2019), traz duas cartas memoráveis – e este blogueiro é fã incondicional da literatura epistolar. 
            A primeira é de Fernando Sabino, endereçada a Clarisse Lispector, datada de 19 de julho de 1956 (antes portanto da segunda edição do livro, a definitiva). Diz o seguinte:

“Clarice,
 [...]
O melhor de tudo, porém, é o livro do Guimarães Rosa, não o Corpo de Baile, que não li, mas o Grande Sertão – Veredas, que estou na metade e é obra de gênio, não deixo por menos. Adeus, literatura nordestina de cangaço, zélins, gracilianos e bagaceiras: o homem é um monstro para escrever sobre jagunços do interior de Minas e com uma linguagem que nem Gil Vicente, nem ninguém. Meu entusiasmo é de quem não terminou a leitura, pode ser que não se sustente, mas duvido. Se recebeu, leia – senão, me diga que mando. No princípio, dez primeiras páginas, é meio assim-assim, custa um pouco a engrenar, mas de repente a gente se embala no ritmo dele e não larga mais. 
[...]

Fernando

            A resposta de Clarisse a Fernando Sabino não é menos contundente:

“Fernando,

Estou lendo o livro de Guimarães Rosa, e não posso deixar de escrever a você. Nunca vi coisa assim! É a coisa mais linda dos últimos tempos. Não sei até onde vai o poder inventivo dele, ultrapassa do limite imaginável. Estou até tola. A linguagem dele, tão perfeita também em entonação, é diretamente entendida pela linguagem íntima da gente – e nesse sentido ele mais que inventou, ele descobriu, ou melhor, inventou a verdade. Que mais se pode querer? Fico até aflita de tanto gostar. Agora entendo o seu entusiasmo, Fernando. Já entendia por causa de Sagarana, mas este agora vai tão além que explica ainda mais o que ele queria com Sagarana. O livro está me dando uma reconciliação com tudo. Como tudo vale a pena! A menor tentativa vale a pena. Sei que estou confusa, mas vai assim mesmo, misturado. Acho a mesma coisa que você: genial. Que outro nome dar? Esse mesmo. 
            Me escreva, diga coisas que você acha dele. Assim eu ainda leio melhor.
            Um abraço da amiga
                                                                                               Clarisse"

            O entusiasmo de ambos é descrito de uma forma que não posso igualar, nem ao menos chegar perto. Porém, meu entusiasmo não é menor ao ler e reler Grande Sertão, o livro mais importante da literatura brasileira, em meu fraco ponto de vista.
            “Nunca vi coisa assim”, escreve Clarisse; nem eu.
            Em 1969 abri pela primeira vez o livro, volume emprestado de meu pai. Li a primeira página, levei tremendo susto, não entendi nada, devolvi para o dono. Quase 20 anos depois voltei a abri-lo, para maravilhar-me para sempre, e nunca mais deixá-lo.

quinta-feira, 9 de maio de 2019

Coleção de um só volume

Editados apenas 63 exemplares  – este é o de número 51 da edição de colecionador – do romance Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa, em comemoração aos 63 anos do lançamento da primeira edição, em 1956.
            Não sou colecionador, ou agora sou, com um único volume na coleção, recebido hoje, mas que volume!



Artesãs da cidade de Urucuaia, MG, confeccionara a caixa
feita da palmeira do buriti.





A cinta vermelha é de brim 100% algodão, fechada
por botão de madeira confeccionado por Marcelo Zocchio



Capa impressa em baixo-relevo sobre papel Color-Face


A sobrecapa foi bordada pelas artesãs de Cordisburgo, Morro da Garça e Andrequicé (MG), e Linha Nove e Teia de Aranha (SP), inspirada no avesso do Manto da Apresentação, de Arthur Bispo do Rosário, com o nome dos personagens do romance 


Capa e projeto gráfico: Alceu Chiesorin Nunes
Companhia da Letras, 2019, 22a edição

quarta-feira, 8 de maio de 2019

Educar na escola

Frase do dia

Elizabeth, rainha da Inglaterra, foi educada em casa. Educou os filhos em escolas. 

                                            Leandro Karnal

terça-feira, 7 de maio de 2019

Praça da Ignorância



Em 10 de maio de 1933 nazistas queimaram livros em Berlim
na atual Bebelplatz

A reportagem é de Clarissa Neher, jornalista da DW Brasil. 
A Bebelplatz não parece uma praça, não há banco para se sentar, não há árvores nem gramados, é só calçadão, que liga a avenida Unter den LindenàBehrenstrasse, descreve Clarissa.
No meio da Bebelplatz um monumento: uma placa de vidro cobrindo um buraco no chão. Dentro dele, prateleiras brancas vazias. 
“O monumento lembra um dos episódios mais emblemáticos do período nazista. Em 10 de maio de 1933, livros de intelectuais considerados críticos ou que não se encaixavam no padrão pregado pelo regime de extrema direita comandado por Adolf Hitler foram queimados em praças públicas em várias cidades da Alemanha. Em Berlim, o palco deste ato de intolerância foi a Bebelplatz, que na época era chamada de Praça da Ópera. Em frente à praça estava o prédio da Universidade Humboldt de Berlim. Muitos universitários participaram deste ato de barbárie. Os livros queimados pertenciam principalmente às bibliotecas públicas e universitárias.”



Para não esquecer: uma placa de vidro cobrindo 
um buraco no chão; dentro, prateleiras vazias


Entre os autores dos livros queimados estavam Karl Marx, Friedrich Engels, Sigmund Freud, Stefan Zweig, Thomas Mann, Bertold Brecht, Erich Kästner, e Ricarda Huch. As Ciências Humanas predominavam. “Deveriam ser banidos livros de filosofia, sociologia, história e ciências políticas que colocassem em xeque a ideologia do regime ou abrissem espaço para um debate. Primeiro foi publicado um manifesto defendendo a cultura alemã e pregando acabar com supostas mentiras. Logo em seguida veio a perseguição a professores. Estudantes deveriam denunciar professores judeus, comunistas e aqueles que fizessem críticas ao regime ou a Hitler.”
“Hoje na Bebelplatz, próximo ao monumento que lembra deste episódio histórico, há uma placa com a frase do poeta alemão Heinrich Heine (1797-1856): "Onde se queimam livros, acaba-se queimando pessoas." A frase, escrita décadas antes, soa como uma premonição dos horrores que estavam por vir nos anos seguintes...”
“A Bebelplatz ganhou esse nome após a Segunda Guerra Mundial, mas poderia muito bem ser chamada de praça da ignorância”, afirma Clarissa.
Freud, com seu extraordinário senso de humor, pronunciou-se a respeito do episódio, com palavras semelhantes a essas: A humanidade está evoluindo; antigamente queimavam-se pessoas, hoje queimam-se livros. Ele não desconfiava do que estava por vir.





domingo, 5 de maio de 2019

Todo mundo poderia ser escritor


A ótima escritora Maria Valéria Rezende escreve hoje no caderno Ilustríssimada Folha (5 mai 2019), sobre sua trajetória de leitora e escritora. (O título do artigo é bastante provocativo: “Jack London me transformou em cão por três dias, diz escritora.”)
            Logo no primeiro parágrafo ela traz uma ideia fundamental, que reproduzo aqui:

“Tenho certeza de que todo mundo poderia ser escritor. Toda criança desenha, toda criança inventa história — nem que seja para enrolar a mãe — toda criança faz teatro com seus bonecos. Todos, então, criam literatura e são artistas. Só que depois o sistema educacional, as convenções sociais, de certa forma, fazem estancar esse processo nas pessoas.”

            Esta é uma triste verdade, a de que nosso sistema educacional aniquila a criatividade inata em crianças, especialmente o ato de contar histórias. E se deixam de contar histórias, elas não desenvolvem a habilidade de escrever.
            (Uma de minhas filhas, aos 6 anos de idade, dizia coisas incríveis, inventava palavras, mistura de inglês e português; logo que foi alfabetizada, escrevia historinhas magníficas, revelando imaginação incomum – eu dizia que ela seria escritora; adulta, nunca mais escreveu uma linha, embora formada em jornalismo.)
            Nem todo aquele que escreve torna-se um escritor profissional, capaz de praticar alta literatura. Porém, se ele escreve para si próprio, se isso lhe ajuda a ordenar as ideias, se lhe causa prazer e aplaca o espírito, e eventualmente reparte aquilo que pensa com algumas poucas pessoas, então o exercício de escrever torna-se construtivo, não se escreve em vão. É o que chamo de escrita terapêutica.
            Ler e escrever são atividades xifópagas. Assim como o hábito da leitura facilita que enfrentemos textos progressivamente mais complexos, o treinamento contínuo da escrita permite que o texto produzido seja cada vez mais claro e agradável, para quem lê e para quem escreve. Se aquele que escreve recebe crítica construtiva (há quem diga que toda crítica é construtiva), tanto melhor para seu aprimoramento literário. Se não, o remédio é perseverar, até onde é possível chegar.
            Aprender é sempre bom; educar-se é trabalho para a vida inteira.