quinta-feira, 11 de abril de 2019

Katie Bouman

A foto do dia



Katie Bouman, a responsável por liderar a equipe que criou o algoritmo que permitiu a primeira foto do Buraco Negro. 

quarta-feira, 10 de abril de 2019

Imagem de um buraco negro



A imagem feita graças a colaboração internacional chamada
Event Horizon Telescope 
Foto: European Southern Observatory / AFP


Da Redação de O Estado de S.Paulo (10 abr 2019): “Astrônomos revelam primeira imagem de um buraco negro. O primeiro 'monstro cósmico' a ser registrado foi detectado no centro da galáxia M87.”
A imagem de um buraco negro foi apresentada ao mundo nesta quarta-feira pela primeira vez na história da astronomia: um círculo escuro no meio de um disco resplandecente, no centro da galáxia M87, a cerca de 50 milhões de anos-luz da Terra. 
"Uma distância difícil de imaginar", diz Frédéric Gueth, astrônomo e vice-diretor do Instituto de Radioastronomia Milimétrica (IRAM) na Europa."
“A imagem foi feita graças a uma colaboração internacional chamada Event Horizon Telescope (EHT), que reúne quase uma dúzia de radiotelescópios no mundo, da Europa ao Polo Sul, passando pelo Chile e Havaí. Combinando esses observatórios, como se fossem pequenos fragmentos de um gigante por meio de uma técnica chamada interferometria, os astrônomos puderam ter um observatório virtual do tamanho da Terra, com o qual "um jornal aberto em Paris poderia ser lido de Nova York", segundo Gueth.”
            E a Ciência caminha, lentamente, às vezes de forma espetacular, como este registro.     


https://ciencia.estadao.com.br/noticias/geral,astronomos-revelam-primeira-imagem-de-um-buraco-negro,70002786184


Informações adicionais (11 abr 2019):

Embora o buraco negro, por definição, não possa ser visto, o gás que cai nele é aquecido a milhões de graus e brilha. Contra essa iluminação de fundo há uma silhueta escura que é a sombra do buraco negro. Tudo isso aparece bastante desfocado porque o tamanho da imagem excede a resolução máxima do EHT.
O anel luminoso que envolve o horizonte de eventos é assimétrico porque o buraco negro está em rotação. Na região inferior, a luz se move em direção ao observador e aparece mais brilhante, enquanto na parte superior a luz se afasta e aparece mais tênue. Isso permitiu determinar que o buraco negro gira no sentido horário.



terça-feira, 9 de abril de 2019

Peixe-lâmina

fotominimalismo



Assim descreve a fotógrafa, Paula Vianna, esta belíssima imagem: 

             “Esses pequenos peixes-lâmina pareciam folhas boiando. Eles são bem difíceis de ver (e fotografar), mas eu tinha um ótimo guia, o que é essencial se você é novato em muck dive, como eu.” 

Prioridades


Alguns resultados da interessante pesquisa do Datafolha “Nós e as desigualdades”, feita em parceria com a ONG Oxfam Brasil.
Foram entrevistadas 2.086 pessoas para medir a percepção sobre a desigualdade no país. 

Os entrevistados tiveram de elencar também, em ordem de importância, 8 aspectos pré-definidos que levariam a uma melhoria de vida. Os resultados estão no quadro abaixo.



A religião vem à frente da educação, o que explica vários aspectos da vida nacional atual, incluindo a política. E terceiro lugar, saúde. Se somarmos os itens relacionados ao dinheiro (4o, 5o, 6o   7itens), chegamos a 30%, de fato a prioridade entre os entrevistados; comer é preciso. Cultura e lazer não constituem prioridade, o que também explica a deseducação geral da população. 
Os resultados falam por si. Enquanto a Educação não for a prioridade máxima não haverá solução, (quase) todos sabemos disso. 
Penso que a religião, quando assume caráter fundamentalista (como aquela que nega a evolução das espécies e prega o criacionismo), torna-se um obstáculo para a educação plena do indivíduo.
Interessante pesquisa, e triste.  







Rio Mississippi

A foto do dia


Vista parcial do Rio Mississippi
em Nova Orleães

Foto: Cecília Vianna, abr 2019.

segunda-feira, 8 de abril de 2019

Reversão de expectativa


Para quem é fanático por José Saramago, a publicação de um último Caderno – depois de ter devorado os Cadernos anteriores –, é um presente dos céus, ainda mais que os editores afirmam que estes últimos diários permaneciam ocultos, perdidos no computador do ilustre português. Trata-se nada mais nada menos que O Diário Do Ano Do Nobel!
            Todos queremos saber o que passou pela cabeça de Saramago ao receber a notícia de que ganhou o Grande Prêmio, até mesmo os que nunca leram algum livro seu. Foi o primeiro – e até hoje o único – a ganhar o Nobel de Literatura da língua portuguesa.
            Pois venho degustando estes últimos diários, textos maravilhosos como sempre, na expectativa de chegar o grande dia. Não me passou pela cabeça – a não ser agora, no momento em que escrevo esse texto, folhear o livro à procura do momento fatal, capaz de matar minha curiosidade. Não, fui lendo página por página, pacientemente, até que cheguei à véspera do anúncio:

7 de outubro
Frankfurt. Colóquio na feira sobre comunismo.

            Através do livro de Ricardo Viel, Um país levantado em alegria – 20 anos do prêmio Nobel de literatura a José Saramago, eu já sabia que o escritor estava em Frankfurt quando recebeu a notícia da premiação. Agora só restava ler o que o escritor sentiu, a grande emoção traduzida em palavras por quem sabe usá-las, naquele momento único. Então, a reversão de expectativa:

8 de outubro
Aeroporto de Frankfurt. Prémio Nobel. A hospedeira. Teresa Cruz. Entrevistas.

9 de outubro
Madrid. Conferência de imprensa.

10 de outubro
Lanzarote.

12 de outubro
Chegada a Lisboa.

13 de outubro
Terreiro do Paço. CGTP. Centro Cultural de Belém.

16 de outubro
 Porto. Encontro de Literaturas Ibero-Americanas.

17 de outubro
Matosinhos. Fidel Castro.

            E assim vamos até o dia 28 de outubro, na mesma lengalenga. 
Bem, em 7 de dezembro o livro traz o magnífico discurso do autor à Academia Sueca, sob o título De como a personagem foi mestre e o autor seu aprendiz. Isso vale o livro! (Mas eu já o havia lido e relido não sei quantas vezes.) 
            Em seguida, outras tantas ocupações burocráticas do nobelizado, dia a dia. 
            Portanto, os fanáticos como eu, se quiserem saber alguma coisa do que pensou e sentiu José Saramago a respeito do prêmio que recebeu, leiam Um país levantado em alegria, de Ricardo Viel (Companhia da Letras, 2018, vendido juntamente com o Último Caderno.)



quinta-feira, 4 de abril de 2019

Suzete disseca um microconto


André, meu querido

você deve estar muito ocupado e por isso tarda a responder minhas pobres cartinhas. Não me importo, apenas sinto falta de ler o que você escreve só para mim. Para consolo meu, sigo o Louco por Cachorros religiosamente, fonte de inspiração para muitos pensamentos e ideias. Aqui vão algumas delas, elaboradas recentemente.
            Você publicou um microconto incrível, com uma frase que não me sai da cabeça! E ainda por cima em colaboração com seu médico!! Que coisa! Você precisa explicar melhor esta parceria. Transmita meus parabéns a ele. O título que você deu foi Aguda sensibilidade, muito bom por sinal. Reproduzo o microconto:

“O patrão pediu a opinião dele sobre o novo capataz. Simples e analfabeto, foi taxativo:
– Doutor, não vejo ninguém naquela pessoa.”

            Entendi que o tal empregado, simples e analfabeto, embora em posição inferior em relação ao capataz, é pessoa de confiança do doutor, que provavelmente está acostumado a se aconselhar com ele. A despeito da simplicidade, é homem de aguda sensibilidade, o doutor sabe disso.
            Então vem a magnífica frase: “não vejo ninguém naquela pessoa.”
            Olhar para alguém e não ver ninguém, eis a questão! 
            Tem gente tão desenxabida, tão insossa, tão sem-graça nessa vida, que a gente olha e não vê mesmo ninguém. Transparentes, apagadas, são verdadeiras moscas-mortas, como se diz. (Acho que se prestarmos bastante atenção, vamos encontrar uma alma nessas pessoas desenxabidas. Foi o caso da Gracinha, minha colega de salão. Tanto fiz que encontrei dentro dela, bem escondida, uma ótima pessoa, hoje minha amiga.)
            Há também aqueles que se escondem da vida e dificilmente podem ser vistos; muitos, por medo de viver. (O Rosa, que li com muita dificuldade – nunca vi tanta palavra escalafobética –, mas li, não se cansa de repetir que “viver é muito perigoso”.)
            Penso, no entanto, que nada disso se aplica ao seu microconto, meu querido amigo. (Estou apenas enchendo linguiça, brincando de escritora...) Considerando as circunstâncias (aprendi isso com você), a existência de três personagens que se relacionam, o patrão, o homem simples e o novo capataz, há um julgamento moral bastante evidente nessa história. 
O capataz não é nenhuma mosca-morta; ao contrário, talvez seja bom não confiar nele, diz o homem simples. Pior, talvez ele seja do mal, e o homem simples percebeu isso num relance; tão ruim que nem mesmo um homem há dentro dele para ser visto ou considerado; não há ninguém lá dentro; ou talvez haja um filho do Capeta. 
            Nesse último caso, trata-se de um alerta que o homem simples e sábio faz ao patrão, igualmente sábio porque pôde ver a alma do homem simples. E este tipo de alerta pode servir para todos nós, nas escolhas que fazemos na vida. Vale a pena tentar desenvolver a sabedoria do homem simples para detectar melhor (mesmo assim com grande margem de erro) o que podemos ver nas pessoas. Porque o que não podemos ver é infinitamente maior.
            E o que será que aquele que olha para mim, vê? Se é que vê alguma coisa. (Outro dia entrou aqui um sujeito, murmurou um monossílabo entredentes, cortei-lhe o ralo cabelo, pagou, saiu sem me dirigir uma única palavra ou olhar para a minha cara. Euzinha transparente.) 
            Quem mora dentro de mim? 
            Você vê alguém quando olha para mim, André?
            Estou aprendendo que um microconto pode ser bem maior que um volumoso romance.
            
Da sempre sua, com afetuoso abraço,

                                                                       Suzete.


P.s.: Putaquepariu! Ia me esquecendo de escrever um palavrão!
            

É a mãe!!!

A  foto do dia


"Tchutchuca é a mãe"


Bate-boca na CCJ ontem.
Foto: André Coelho / Estadão

https://economia.estadao.com.br/noticias/geral,apos-ser-chamado-de-tchutchuca-guedes-explode-e-sessao-da-ccj-e-encerrada,70002778674

quarta-feira, 3 de abril de 2019

Injustiça


Convencida de que ele era inocente do crime de homicídio, pagou advogado, tirou-o da cadeia. Casaram-se. Meses depois, ele a matou.