quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Paciência tem limite


Jesus subiu no pé de goiaba e este blogueiro nada falou. Meninas devem vestir rosa e meninos azul, e permaneci em silêncio, certo de que há coisas mais importantes nesse mundo para serem pensadas. Agora, desacreditar a Evolução das Espécies, aí a ministra pisou no calo do blogueiro!
            Eis a declaração da ilustre senhora, que embora não seja recente, parece que é de 2013, ilustra bem o pensamento dela:

“A igreja evangélica perdeu espaço na História. Nós perdemos o espaço na ciência quando nós deixamos a teoria da evolução entrar nas escolas. Quando nós não questionamos. Quando nós não fomos ocupar a ciência. A igreja evangélica deixou a ciência para lá. "Ah, vamos deixar a ciência caminhar sozinha". E aí cientistas tomaram conta dessa área. E nós nos afastamos.”

            Vamos enumerar as sandices em tão curto texto:

1  “Nós perdemos o espaço na ciência”: não há espaço na Ciência para a igreja evangélica, ou em português rasteiro, cada macaco em seu galho.

2  “Nós deixamos a teoria da evolução entrar nas escolas”: então é a igreja evangélica que determina o que deve e o que não deve ser ensinado nas escolas? Isso é muito grave. Isso chama-se teocracia fundamentalista. Os talibãs pensam e agem desse modo, quando afirmam que o povo não precisa de escola. 
Ela fala da teoria da evolução como algo desprezível, errado, talvez pecaminoso, e que portanto precisa ser extraído das escolas. Ela não acredita na Evolução das Espécies, ela é criacionista. Pois que ensine isso em suas pregações no interior das igrejas, mas não nas escolas. As crianças não merecem tamanho obscurantismo.

3  “Quando nós não questionamos, quando nós não fomos ocupar a ciência”: outra manifestação do fundamentalismo religioso é a expressão “ocupar a ciência”. Só os fanáticos poderiam supor que a religião poderia “ocupar” a Ciência, determinar aquilo do que a Ciência deve tratar, estudar, pesquisar enfim. 
Há dois modos bem distintos de pensar: o pensamento religioso e o pensamento científico e para cada um deles há um método diferente a ser utilizado. É impossível que o método religioso se aplique à Ciência, e vice-versa.  

4  “A igreja evangélica deixou a ciência para lá”: até que enfim algo sensato. Fez bem.

5  “Deixamos a ciência caminhar sozinha e aí cientistas tomaram conta dessa área”: então a senhora ministra pensa que a igreja deve controlar os passos de Ciência? Ela se espanta com o fato de que os cientistas tomaram conta da Ciência! 

            Chega de tamanha insanidade. Paciência tem limite.



domingo, 6 de janeiro de 2019

quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

Pouso no lado oculto

A foto do dia


Sonda Chang'e - 4
pousou hoje no lado oculto da Lua

Fotografia de um sonho


Firmino Freitas tinha doze anos quando ganhou do pai uma câmera fotográfica da marca Minolta, acompanhada de complicado manual redigido em inglês, contendo termos e expressões e uma infinidade de comandos impenetráveis para um menino daquela idade. Obstinado, Firmino destrinçou pouco a pouco o funcionamento daquele emaranhado de botões, pediu ao pai dinheiro para comprar um rolo de filme Kodak preto & branco 24 poses, ganhou a rua para a primeira experiência como fotógrafo.
            Depois de hora e meia andando a esmo pela cidade à cata de objeto digno de ser registrado, o aprendiz de fotógrafo deu de cara com uma mudança em pleno andamento, alguns homens trabalhando numa complicada operação, subindo um sofá de quatro ou cinco lugares para uma janela do quarto andar do edifício, já que o mostrengo jamais subiria por escada ou elevador. Exultante, Firmino começou disparar sua máquina, buscando o melhor ângulo, a iluminação ideal, a fotografia premiada. No íntimo, torcia para que ocorresse algum acidente, já via a foto estampada na primeira página do jornal da cidade acompanhada da estrondosa manchete – SOFÁ DESPENCA DO QUARTO ANDAR E MATA DOIS TRANSEUNTES –, e logo abaixo, FOTO: FIRMINO FREITAS.
            Chegou esbaforido em casa, já na hora do almoço, foi logo pedindo ao pai que levasse o filme para revelar, ansioso pelo resultado, mesmo que o sofá não tenha despencado. O pai, severo, acedeu sem uma única palavra.
Passaram-se os dias, uma semana, duas semanas, o pai não tocava no assunto; Firmino arriscou Será que está pronto, pai? E do pai nada, apenas o silêncio carrancudo.
Depois de um mês de absoluto silêncio Firmino resolveu conversar com a mãe, saber se ela tinha alguma notícia do filme, se podia interferir junto ao pai, Meu filho, você sabe como é seu pai, me disse que fotografia é coisa de veado, foi horrível, não sei que destino ele deu ao seu filme, sinto muito meu filho. Encerrou-se assim a estreia fotográfica de Firmino Freitas.
O menino cresceu, mudou-se para cidade grande, tornou-se profissional respeitado, com frequentes fotos nas primeiras páginas de grandes jornais e algumas exposições em galerias famosas. Casou-se com uma linda arquiteta – o  pai, severo demais, havia se enganado –, com quem teve dois filhos; Firmino, homem sério, pouco menos severo com os filhos, nunca se esqueceu do filme perdido na infância.
Passados longos anos, Firmino já velho e aposentado, certa manhã despertou subitamente de um longo sonho, do qual restara gravada na memória, como ponta de aço que fere a chapa de metal, apenas uma única frase: Nunca fotografe um anão

terça-feira, 1 de janeiro de 2019

domingo, 30 de dezembro de 2018

A Arte de Helena Lopes


“Helena Lopes nasceu em São Paulo. Pintora, gravadora e professora. Formada em Artes Plásticas pela Universidade de Brasília, dedicava-se à gravura em metal. Sua primeira exposição ocorreu em 1980. 
Entre 1980 e 1990 participou da edição de três álbuns de gravuras editados em Brasília. 
Em 1986 recebeu uma bolsa de estudos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico para desenvolver o projeto Cerrado: Fonte Geradora de Imagens em Gravura em Metal. Esse projeto durou quatro anos, quando interrompeu suas atividades docentes na Faculdade Dulcina de Morais para dedicar-se integralmente ao projeto. 
Como professora, ao lado de Stella Maris Figueiredo Bertinazzo, fundou o Ateliê de Gravura, embrião do que mais tarde viria a ser o Núcleo de Gravura do Instituto de Artes da Universidade de Brasília. 
Desde 1998 não faz mais gravuras e dedica-se à pintura, utilizando-se dos mais diferentes suportes (tecido, gaze, etc.). Passou a utilizar técnicas mais “saudáveis”, que não exigissem tanto esforço físico, nem usassem produtos químicos tão danosos à saúde, como na gravura em metal. 
Hoje, artista premiada, atua na organização de eventos sobre gravura em metal através de mostras coletivas em Brasília e, desde 1987, vem participando de várias exposições no Brasil e no exterior.”



Este blogueiro, agora amigo de Helena, sente-se honrado em poder reproduzir pequena amostra de seu trabalho encantador.
(Clique nas fotos para ampliar.)















 Este site mostra outras obras da artista:



sábado, 29 de dezembro de 2018

Morre Amós Oz



Amós Oz
Foto: Dan Balilty / AP

O mundo perde um grande homem. 

"O nacionalismo moderado é o único poder capaz de frear o nacionalismo fanático, no Oriente Médio e em qualquer lugar. Mas é preciso que seja instaurada uma esperança concreta de condições melhores e da resolução dos problemas, para que os moderados saiam de seus refúgios e se imponham aos fanáticos. Só então a desesperança e o desespero podem recuar e o fanatismos ser contido."

Em: Como curar um fanático, Ediouro, 2004.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

Animais estampados em moedas

A foto do dia


Quênia troca as imagens de políticos em moedas pelas dos animais! Grande avanço civilizatório!

Síndrome de Stendhal



Um homem contempla 'O nascimento de Vênus'
Alberto Pizzoli / Getty Images


“Um turista italiano de 70 anos sofre uma parada cardíaca e desaba enquanto contempla O Nascimento de Vênus. À sua direita ficam as telas A Primavera e A Adoração dos Magos; à sua esquerda, A Anunciação; às suas costas, o imponente Tríptico Portinari, do pintor flamengo Hugo van der Goes. Aconteceu no último dia 15, em Florença. Um grupo de médicos que também visitava a exposição conseguiu reanimá-lo com os desfibriladores da pinacoteca.” Trata-se da maravilhosa  Galeria degli Uffizi!
            É o que nos conta Lorena Pacho, de Roma para El País (26 dez 2018). Aventou-se logo o diagnóstico de síndrome de Stendhal, uma espécie overdose de beleza, de intoxicação pela Arte. 
Foi em Florença que o escritor francês Stendhal, em 1817, apresentou sintomas de profundo mal-estar, ao entrar na basílica da Santa Cruz, afetado por tamanho esplendor. “Tinha alcançado esse nível de emoção em que as emoções celestiais das artes e os sentimentos apaixonados se encontram. Senti palpitações no coração, caminhava temendo cair”, escreveu. 
Informa ainda a reportagem: “Este caso é o mais grave já visto no museu, mas não o único. O diretor relata que há alguns anos um jovem sofreu um ataque epilético em frente à tela A Primavera, também de Botticelli. “Nossos assistentes de sala têm formação em primeiros socorros, e um deles o atendeu”, relata. E acrescenta que esses funcionários já estão praticamente familiarizados com os desmaios dos visitantes. “Acontece em frente às obras de arte maiores, mais famosas”,  observa. O exemplo mais recente se deu há alguns meses, durante a inauguração da nova sala dedicada a Caravaggio. Um homem desmaiou em frente à Cabeça de Medusa, uma das obras mais inquietantes do gênio do barroco. “Quando se trata de simples desmaios é mais fácil teorizar sobre uma síndrome de Stendhal”, opina.”
Notícia interessantíssima!