terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Duas respostas de Fernanda Montenegro



Adriana Del Ré, para O Estado de S. Paulo (23 Jan 2018), entrevista Fernanda Montenegro, que fala do papel em ‘O Outro Lado do Paraíso’, assédio e ameaças na internet.
A atriz, que completa 90 anos no próximo ano, prepara livro de memórias, que certamente merecerá ser lido.  
Da entrevista, destaco apenas duas perguntas e as respectivas respostas. São elas:

1. Você deve estar acompanhando as mulheres denunciando assédio. Isso também é um reflexo dessa nova era?

Acho que o estupro é um crime inafiançável, não tem perdão. Não só estupros com mulher, mas com homens também. 

2. E há casos de anos atrás que estão vindo à tona só agora.

Acho que nunca é tarde para se falar o que se quer falar, mesmo que seja algo que levou 20, 40 anos em silêncio. A gradação do que é mais criminoso ou menos criminoso, aí não sei. Sei que, quando é algo que não é aceito e vai para a força, é um ato criminoso. Botou a mão no joelho, não quer a mão no joelho, manda a mão na cara. Levanta e bota a boca no mundo, seja onde for, num bar, num trem, com chefe. Hoje em dia acho que há um movimento forte para se dizer que não quer. 

            Este blogueiro vem postando notícias sobre o tema “assédio”, desde o manifesto de Catherine Deneuve, sem deixar claro seu ponto de vista. Agora posso dizer que concordo plenamente com Fernanda Montengro: “Botou a mão no joelho, não quer a mão no joelho, manda a mão na cara.”





Foto: Eduardo Nicolau / Estadão

A estrada

Meus quadros favoritos


Spencer Gore


segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Adolescência ganha 5 anos


Adolescência ganha 5 anos: agora vai até os 24, e não só até os 19 anos de idade. É o que informa reportagem de Katie Silver, da BBC News (19/01/2018).  
            De fato, os jovens estão optando por estudar por um período de tempo mais longo; a decisão de adiar o casamento e a maternidade ou paternidade é cada vez mais frequente.
Pesquisadores australianos, em artigo publicado esta semana na Lancet Child & Adolescent Health, afirmam que a percepção das pessoas quando ao início da vida adulta está mudando, o que seria importante para assegurar que  leis que dizem respeito a esses jovens continuem sendo asseguradas.Outros especialistas, no entanto, dizem que postergar o fim da adolescência pode infantilizar os jovens.
A duração da adolescência já foi alterada antes, quando se concluiu que a puberdade iniciava antes dos 14 anos; caiu gradualmente no mundo desenvolvido nas últimas décadas até os 10 anos. Em países industrializados como o Reino Unido a idade média para a primeira menstruação de uma garota caiu quatro anos nos últimos 150 anos.
A biologia é usada como argumento por aqueles que defendem que a adolescência termina mais tarde, pois o corpo continua a se desenvolver. “O cérebro continua se desenvolvendo depois dos 20 anos, trabalhando de maneira mais rápida e eficiente. E para muitos os dentes do siso não nascem até que complete 25 anos.”
Susan Sawyer, diretora do Centro para a Saúde do Adolescente do Hospital Royal Children's em Melbourne, na Austrália, escreve: "Apesar de muitos privilégios legais da vida adulta começarem aos 18 anos, a adoção das responsabilidades e do papel de adulto geralmente acontece mais tarde. Postergar o casamento, o momento de ter filhos e a independência financeira significa "semidependência", o que caracteriza que a adolescência foi estendida.”
No Brasil, surgiu a chamada "geração canguru" (a permanência por cada vez mais tempo dos jovens na casa dos pais), nome dado pelo IBGE em 2013 ao “fenômeno que engloba pessoas de 25 a 34 anos e que vem crescendo no país”.
Sawyer afirma que esta mudança precisa ser levada em consideração pelos políticos, para que as leis e benefícios voltados a esse público sejam alterados. Russell Viner, presidente da associação Royal College de pediatria e saúde infantil, diz que no Reino Unido a idade média para um jovem sair de casa é 25 anos. Ele apoia a ideia de que a adolescência seja estendida até os 24 anos, para que o governo possa “garantir a provisão de serviços para crianças e adolescentes que precisam de atendimento especial (seja por abandono ou outro motivo) e que têm necessidades especiais em termos educacionais”.
Para Jan Macvarish, socióloga da Universidade de Kent, há um perigo em estender o conceito de adolescência. "Crianças mais velhas e jovens são moldados de maneira mais significativa pelas expectativas da sociedade sobre eles com o seu intrínseco crescimento biológico. Não há nada necessariamente infantil em passar o início dos seus 20 anos no ensino superior ou tendo experiências no mundo do trabalho. E não deveríamos arriscar transformar o desejo deles por independência em uma patologia.”
            Trata-se apenas do estabelecimento de um parâmetro teórico, portanto sem qualquer importância na vida dos jovens, ou a mudança pode trazer sérias consequências psíquicas e sociais? É esperar para ver.




Vacinou?


...
– Já vacinou?
– O cachorro?
– Não, você, contra a doença do macaco.
– Não crio macaco.
– Cara, é a tal febre amarela.
– Já disse que não crio macaco.
– Pô, não é isso. O macaco fica doente, o mosquito pica o macaco, depois pica a gente.
– Mas eu moro em Copacabana e nunca vi macaco por aqui. A não ser...
– O macaco tá na floresta, cara, e o mosquito vem voando até aqui.
– Por que eles não matam os macacos?
– É difícil, estão muito alto nas árvores.
– E por que não matam os mosquitos?
– Repelente tá muito caro e o governo, você sabe...
– Por que a febre é amarela?
– Sei lá, cara, mas pode até matar.
– Então tenho que tomar a vacina?
– Melhor tomar.
– E o cachorro?
– Não precisa, macaco não morde cachorro.
– Melhor tomar?
– Melhor.
– É de graça?
– É, mas tem uma fila do caralho.
– Vou nada, seu.
...

Paula fotógrafa

A foto do dia



Paula entre tubarões!



O sofisticado equipamento para fotografia submarina revela a profissional que Paula se tornou. Uma artista!

Gol, palavra universal



Crianças de time misto de árabes e judeus se abraçam em competição da ONG Gol da Igualdade em Jerusalém.


Daniela Kresc, para a Folha (22/01/20180), publicou: “O frio de janeiro não abala as 200 crianças de 10 a 12 anos, de 12 escolas da região, que querem jogar bola e, quem sabe, levantar o troféu de campeão no final do dia.”
O campeonato foi promovido pela ONG israelense "Gol da Igualdade", que trabalha com crianças de baixa renda para difundir valores de respeito e tolerância por meio do futebol, além de melhorar a convivência entre árabes e judeus numa cidade virtualmente dividida.  
A ONG criou times mistos, compostos de crianças árabes e judias no campeonato de 18 de janeiro. "Não importa com quem jogamos, o importante é jogar!", disse à Folha o atacante Muhammad Anan, 11, do bairro árabe de Bait Safafa, de Jerusalém Oriental.  "Às vezes, quando tomamos um gol, a gente briga. Mas isso é normal no futebol."
A língua é uma barreira. "No começo não gostei da ideia porque pensei que ia ser difícil", corroborou o goleiro Eliá Ben Gur, 11. "Mas agora está legal. Podemos ser amigos. Se eles soubessem um pouco de hebraico, seria melhor". (Grifo meu.)
Afirma Kresc: “Em Jerusalém, 34% da população de 900 mil pessoas é formada por palestinos que, em geral, moram na parte oriental da cidade, anexada por Israel em 1967. A grande maioria tem status de "residente permanente". Não são cidadãos israelenses, mas gozam de educação e seguro de saúde gratuitos e podem trabalhar e circular livremente por Israel.
Apesar dessa convivência geográfica, a maioria das crianças árabes estuda em escolas com currículo palestino, nas quais o hebraico não é ensinado. A maioria das crianças judias tampouco aprende árabe, disciplina obrigatória só a partir do secundário.”
            (Nunca deixo de considerar que o elemento que mantem único esse enorme Brasil, com costumes tão diversos, é a "Última Flor do Lácio"!)
            Segundo o brasileiro Gabriel Holzhacker, "gol", no entanto, é uma palavra universal. Foi ele quem teve a ideia de formar equipes mistas em Jerusalém.
O educador Shadi Jaber, diretor da ONG "Abrindo o futuro", em Jerusalém Oriental, concorda: "As crianças judias e árabes não têm muita oportunidade de se encontrar, no dia a dia, em Jerusalém. As novas gerações precisam se conhecer enquanto pessoas, não como 'soldados' versus 'jogadores de pedras'. No bairro onde moro, as crianças nunca entrariam em contato com israelenses se não fosse a 'Gol da Igualdade'. Hoje, elas contam os dias para as competições"
O governo de Israel tem muito a aprender com essas crianças, para deixar de bombardeá-las nos territórios palestinos.





Foto: Daniela Feldman/ Folhapress