sábado, 11 de novembro de 2017

O sonho de Evandro Affonso Ferreira



          Velho caminha lentamente olhando para o chão das calçadas gastas da “metrópole apressurada”, sem destino, desolação absoluta desde quando ela partiu, aquela que ele amava, quando se depara com outra, a “indesejada das gentes”. Está pronto para partir? – ela pergunta. Não, ainda preciso escrever um último romance. Ela então se afasta, respeitando necessidade e força das palavras.


Inspirado em "Não tive nenhum prazer em conhecer-los".

Amor




por que não
chamar de amor
na manhã de primavera
tão juntos e alegres?


Foto: Mercêdes Fabiana, out 2017, Jardim

Foto premiada pela ONU




            Assim expressou-se o fotografo João Athaide, no Instagram, após vencer o concurso patrocinado pela ONU.
 “Felicidade só é plena quando compartilhada!
... e realmente estou muito feliz! Pela primeira vez em minha vida participo de um Concurso de Fotografia (e tinha que ser do outro lado do mundo!) e vejo meu trabalho classificado entre os 10 melhores, entre mais de 1.000 imagens de fotógrafos de 73 países.
O Concurso, promovido pelas Nações Unidas no Japão, tinha como tema os “Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) de 2017, e minha foto selecionada foi “Mulher Quilombola”, [acima]...
Quero agradecer a todos que me auxiliam nesse caminhar, ao Jeferson Moura que incentivou-me a participar do Concurso e a Deus, por ser tão generoso comigo e permitir-me trabalhar com o que eu amo, com resultado, reconhecimento e dignidade.
Valeu!”

Parabéns, João (residente em Guaratinguetá, SP), com a admiração de toda a família.





Violência


– Namora comigo?
– Não.
– Então toma, dez tiros na cara.     

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Mayombe



Cansei de ver o nome do angolano Pepetela nas estantes de não sei quantas livrarias, sem nunca ter tido a oportunidade de lê-lo. Há mais de ano adquiri o romance de capa bonita, com o título Mayombe, que passou todo esse tempo descansando na estante de minha casa. (Acho que não precisamos ler um livro só porque acabamos de comprá-lo. Ele pode muito bem esperar.)  Agora, devorei-o em dois dias!
Mayombe foi publicado originalmente em 1980, quando da participação de Pepetela na guerra de libertação de Angola. O livro retrata o cotidiano dos guerrilheiros do MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola) em luta contra as tropas colonizadoras portuguesas.
O romance torna-se interessantíssimo ao abordar não somente as ações, mas os sentimentos e reflexões dos guerrilheiros, suas contradições e conflitos, as relações estabelecidas entre pessoas que buscavam construir uma nova Angola,  livre da colonização.
O discurso político de Pepetela não poderia ser mais direto e enfático:

“Os quadros do Movimento estão impregnados de religiosidade, seja católica, seja protestante. E não são só os do Movimento. Pega em qualquer Partido. Há uns que procuram aldrabar o padre e escondem os pecados: é como os militantes que fogem à crítica e nunca a aceitam. Há os outros, os que inventam mesmo pensamentos impuros que afinal nem chegaram a ter, salvo no momento da confissão, para que se sintam mesquinhos em face do sofrimento do Cristo: são os militantes sempre dispostos a autocriticar-se, a reconhecer erros que não cometeram, apenas porque isso lhes dá a impressão de serem bons militantes. Um Partido é uma Capela. E é por isso que achas que os responsáveis devem criticar-se a sós, como o padre e o sacristão, que só na sacristia se acusam de roubarem as amantes respectivas, porque se o fizessem em público os crentes tornar-se-iam céticos.”

Em português do Brasil, um Partido é uma igrejinha, afirmação atualíssima.
Artur Carlos Maurício Pestana dos Santos, conhecido pelo pseudônimo de Pepetela, nasceu em Benguela, Angola, em 29 de Outubro de 1941. Sua obra refere-se a história contemporânea de Angola e os problemas que a sociedade angolana enfrenta.
Durante o exílio em Argel licenciou-se em Sociologia. Foi guerrilheiro pelo MPLA, político e governante. Desde 1984 que é professor na Universidade Agostinho Neto, em Luanda, e tem sido dirigente de associações culturais, com destaque para a União dos Escritores Angolanos.
Recebeu o Prêmio Camões em 1997, o que confirmou seu lugar de destaque na literatura de língua portuguesa.
            Enfim, estou pouco menos ignorante após a leitura de Pepetela, tanto tempo descansando nas prateleiras.